quarta-feira, 20 de março de 2013

todas as tentativas fajutas de suicídio que você desejou diante do espelho.


Um dia inteiro sozinho e sem respostas. Sem perspectivas. O sol tá na tua cuca, o sol brilha lá fora numas de te aquecer, mas você nem gosta tanto assim de sol, conclui sozinho denotando toda confusão interior. É dia lá fora, as pessoas tentam se divertir enquanto você se sente sozinho e no escuro. E você não sabe mais calcular sentimentos e filtrar o que deve ou não ser pensado. Você tem o dia inteiro pra não pensar em nada e pensar em tudo.  Daí você chora por saudade e sorri por desespero. Você sente vontade de ligar pralguém e pedir que lhe entendam. Você tá quase pedindo um voto de confiança pro primeiro desconhecido que te cruzar. Mas você tá sozinho nessa e nenhum sujeito quer dar bola pralguém que anda por aí com problemas. Você quer apenas mostrar que não é esse quadro todo que te pintaram, uma mistura de surrealismo com o que há de mais pavoroso da condição humana no programa de fofoca da tevê. Você precisa mesmo é de um abraço. Você é uma criança perdida precisando, não de um colo, mas de alguém que alcance o interruptor e acenda a luz que é pra você pelo menos enxergar onde fica a saída disso tudo. Você tá pequeno, miúdo e se assusta com o sorriso tímido que vê no espelho apesar de saber o tamanho do grito que tem dentro de você.  Daí você pensa em suicídio e nas melodias tristes daquele cantor do texas ou do mississipi. Você tenta apalpar possibilidades, mas todas elas lhe dão um aceno de longe enquanto te assistem comendo pipoca coa boca aberta. Você pensa naquela arma dentro da gaveta e nas munições que estão ao lado do abajur em cima da mesinha ao lado do porta retrato cuma foto de um domingo alegre de quatro anos atrás. São seis balas e você tem todo o tempo do mundo pra acabar com tudo isso de uma vez. Mas você sabe que sua covardia é maior que tudo que tem dentro de si. Você esfrega os olhos na tentativa de mirar um feixe de luz e se depara coaquilo que chamam de amor. É você e ele, mais ninguém. Você finge segurança e olha fundo nos olhos dele. Ele, o contrário, está confiante, seguro e à vontade. Vocês negociam durante boa parte da tarde e enquanto você pede um tempo pra analisar a proposta e as condições em letras miúdas do novo contrato, ele bate a porta e vai embora te deixando coa louça toda pra lavar.

2 comentários:

Bruna disse...

"Você tá pequeno, miúdo e se assusta com o sorriso tímido que vê no espelho apesar de saber o tamanho do grito que tem dentro de você".
Ô, bem isso mesmo.
bj

Bruna disse...

Que saudade de você. Bem que eu queria te esquecer, mas vc não sai dos meus pensamentos.