quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Literatura assassina sob sons e gemidos.

Bukovski me acertou em cheio.
Bortolotto veio no estômago
Kurt Vonnegut me atingiu na cintura.
Caio Fernando, maliciosamente, triturou meus pés.
Baudelaire, por incrível que pareça, precisamente, trincou meu joelho.
Raulzito montou no pescoço enquanto a caixa do Bob Dylan trocou de lugar com a clavícula.
Reinaldo Moraes e Mutarelli praticamente acabaram com minhas canelas e batatas da perna.
Hunter Thompson veio direto no queixo, rindo de forma sarcástica, caçoando de minhas dores, alucinadamente chacoalhando meus últimos suspiros.
Apesar de tudo, eu ia agradecendo por, ao menos, estar enxergando toda a cena quando, pra finalizar a ação conjunta, Kerouac e sua trupe, de forma irônica e trôpega, decretaram o fim da diversão me fazendo apagar a retina e tudo que um dia guardei na cachola.
É porque minha cama fica embaixo da minha prateleira de livros, Cd´s e DVD´s. Ela cedeu e, na madrugada, fui atropelado sem dó por todos eles. Até ter a porra da exata noção do que tinha acontecido pois, obviamente, estava dormindo, foi um pesadelo.
De resultado: arranhões, alguns rouxidões, dores pelo corpo e um galo na testa.
OBS: "Textos Autobiográficos", do Velho Buk, "Pornopopéia", do Reinaldo Moraes e o " A vida como..." do Nélson Rodrigues pesam pra caraleo!!! Ficaadica.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nó tático



Tá certo, tá certo. Tudo bem. É por aí mesmo. A chance de vocês vencerem é enorme, contudo, enquanto tiver forças para levantar copos – muitos – e pulmão para soprar fumaça na cara de vocês, “ainda terão que me engolir”, como já dizia aquele velho Rasputin. Enquanto ainda descobrir meu reflexo patético e cansado, não descanso. Depois, sim.
Talvez, um dia eu canse desta merda toda e me dê por vencido. Talvez, chegue o dia em que meu espírito se encontre em frangalhos, cabisbaixo, inerte, travado de pó e incapaz de qualquer reação. Aí sim, poderão bradar uníssonos a vitória.
Abismados, irão me ver atravessando velhinhas, usando sapatos, lendo a bíblia, Dan Brown, Paulo Coelho, pagando tudo em dia, tendo advogados e engenheiros como exemplos, ouvindo axé, pop, indo ao cinema, vendo filme pipoca, tomando refri light, freqüentando academias, correndo na Lagoa, acreditando em casamentos, não traindo, pagando impostos, chegando cedo no trabalho, levando filhos ao Corcovado, sorrindo nas fotos, votando, fazendo fofocas, tendo um poodle; e branco, casa em Araruama pra passar Reveillon e Carnaval, vendo novelas, aliás, vendo TV. Vocês vão ver, vou me vingar. Voltarei ao Orkut, irei à shoppings, pagarei estacionamento, entendendo que o governo não mede esforços em prol da gente. Matricularei meus filhos no judô, inglês e natação. Comprarei um videogame original, afastá-los-ei de qualquer tipo de leitura, presenciarei missas, não comerei carne vermelha no tal dia santo, enfrentarei filas, irei ao mercado, darei esmolas, participarei de rifas, não ficarei bêbado, não buzinarei, não me aproveitarei de moças sem consciência, puxarei saco do chefe, ou melhor, terei um chefe, usarei o Excel, usarei blusas “NO STRESS”, não usarei drogas e sei que álcool não é uma droga. Torcerei pelo Rubinho e pelo Flamengo. Che, Bukovski, Bortolotto, Beatnik, Raul Seixas, Leminski e similares serão palavras proibidas perto de mim. Estudarei pra concursos públicos, não subordinarei policiais, não terei amantes, estacionarei em locais proibidos, usarei paletós e....
Nesse dia, só pra fuder com tudo, darei trégua nos indagos a teu Deus. Quem sabe, nesse dia, repousarei as mesas de boteco e copos do alívio, e me juntarei a todos vocês cantando com a mão no peito o “quão orgulhoso estarei”.
Aí, empunhem seus flashes, saboreiem mais uma entrega e degustem mais um dissabor amargo sem nem necessitar de aviso prévio. Saberão, pela vasta experiência, distinguir um tolo lutador – em vão – de um orgulhoso fracassado. Tocarão o hino de alguma coisa e clamarão o futuro das coisas, graças ao que insistem em afirmar a todo momento, poderosos sábios.
Mas saibam que farei questão de avacalhar o evento. Dançarei pelado presenteando todos com a visão do inferno, mijarei gargalhando sarcasmos em vossa bandeira e cuspirei desdém na fuça de geral. No retrovisor, verão centelhas e fagulhas explodindo e estalando audácias que soarão incógnitas, causando a porra de um sentimento com o qual vocês não sabem lidar, primo bastardo do receio: medo. Precaução será uma palavra boa e os olhos atentos pode ser uma boa saída. Mas relaxem, o suspense faz parte de qualquer passo falso dado dentro de uma sociedade. Não se assustem, nada fora da comum e superior a massa de bolo asquerosa e conjunta que representam.
De qualquer forma, façam suas apostas sem medo, sabendo que a porra do crupiê e as câmeras estão a favor de vocês. E aplaudam meu esforço. Será singelo, porra.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O tédio leva as drogas


Esse cotidiano insosso, cuspido e sem graça. No qual vamos nos habituando e onde as pessoas igualam-se por debaixo do nível menor, todas sem sal, sem tempero, sem gosto. Sem porra nenhuma a acrescentar. Chegam vazias de medo, coragem, covardia, picardia, erros, acertos. Elas não têm mais nada. Perderam tudo nas máquinas de bingo da vida e agora vivem a engordar marasmo, opacidade, falta de ritmo, se apegando apenas a gestos patéticos e recheados de boa educação – herança de família, talvez. Não ousam mais se perder por aí como os ancestrais. Viraram rotina um do outro. Viciaram na rotina, no andar preto e branco e sem a ginga de um gringo sem caipirinha.


E cantam “Diga, espelho meu..” com uma alegria asquerosa, manca e desprovida de qualquer motivo. Chegam ao cúmulo de comemorar o simples fato de estarem vivas. Quer coisa mais fim-de-mundo? Respirar, agora virou ideologia. Liguem logo pro belzebu e peçam pra arrumar a mesa e encher as bolas, porque do jeito que as coisas caminham, a festa será em breve.
“Sou caipira, pira, pira, pora...”, daqui a pouco vira hino e aí, neguinho vai saber o que, de fato, é estar fudido

Ainda bem que tenha ela, responsável por meus raros, mas precisos, sorrisos. Se não der certo desta vez, desisto dessa porra que insistem em chamar de amor e passo a me aventurar por aí, pagando chopps pras putas. As únicas que merecem.

e vendo nossa vida valendo nada.





Extra!! Extra!! Deus morreu.

Cansou. Se suicidou. Morreu de desgosto com o ser humano. Se viu vencido pelo capeta e cansou de tentar mostras as coisas àqueles em quais tanto confiava. Desistiu da vida e de tudo que ele criou. De forma covarde, e contra a vontade do “Pai”, decidiu abrir mão de tudo e todos e se entupiu de vodka barata e remédios anti-depressivos. Antes disso, escreveu uma carta confidenciando que a partir de agora, é tudo com a gente. Cada um de nós cuidará dos passos a serem tomados. Cada um de nós, reles mortais, será o próprio auto-guia das quedas e arrotos que chegarão. Cansou de ser acusado de tudo que acontece aqui embaixo. Ele disse que deixou as coisas bem encaminhadas e que lutou no Sindicato Divino com unhas e dentes para que tivéssemos o tal do livre arbítrio. Disse que queria deixar a liberdade e a confiança, que tinha em nós de cá, como legado. Decepcionado e sem forças, abdicou do cargo e após uma semana no boteco de Moisés, cabisbaixo, decidiu dar fim a tudo. Ainda morreu devendo. Dizem que Moisés tá bolado...

Parece que amanhã será ponto facultativo. Mais um dia pra ir à praia.

Em breve, mais notícias.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


Você não faz ideia mas hoje não terminaremos bem. Hoje, nossa noite, essa vadia, nos fuderá e alguma coisa alheia a gente, colocará tudo a perder. Um início de discussão levará nossa leveza peculiar, fazendo com que discutamos sem parar. Ofensas serão trocadas e nossos ímpetos, entupidos de álcool, gladiarão. Um cruzado de direita bem direto no teu olho, a esquerda chegando e decretando tua queda, sacramentando tua derrota. Tua rebeldia exposta em lágrimas será em vão. De nada servirá. Meu olhar esbarrando com teu corpo estatelado no chão. Aquele silêncio eterno de segundos em nossas mentes, sendo invadido pelos gritos de COVARDE, ANIMAL...
Meu risinho irônico e sonso causando diversas reações e rebeldias nos desconhecidos vizinhos. Um trago e um gole. Uma nota de 50 sob a mesa e o troco pro garçom. O passado passado a limpo, o gosto de nicotina se junta ao de catarro e aumenta a saliva. A concentração de sangue na língua mordida e a satisfação de te ver caída, exposta, humilhada, enquanto calmamente reúno minhas coisas e assobio um dramático blues, dá o tom do gran finale da noite que se inicia neste exato momento. Amanhã, princesa, nossa história não existirá mais e, pra minha alegria, você terá sido apenas um lapso de uma atitude bêbada e impensada, tomada naquela noite em que apaguei da memória.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Compreende?

Tô bolando um plano mirabolante. Vou foder todos eles. Você vai ver só.
Nesse plano, toda estratégia de combate face a face virá à tona, utilizarei de todas as prerrogativas ambíguas que tornarão – se não o máximo, ao menos, o mais próximo disso – meu cruzado de direita fatal como uma bola de canhão. Dentro de meu plano de treinamento – inclua-se: diálogos em convulsão, cenas assistidas de forma verborrágica, gritos desesperados por uma queda a mais e pequenas doses de hematomas internos – aprendi a todo tipo de queda e todo tipo de resistência. Treinei a parte burocrática das discussões, as razões sem-noção dos combates, assim como o desenfrear estático de mais um tempo perdido.
Quem sabe no fim de tudo, independente do vencedor, teremos a exata noção de que existem coisas que são puramente perda de tempo.
Esse aqui é uma delas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Somos quem podemos ser.


Você é aquele que fura sinais.
Você é aquele que reclama das filas.
Você é o mesmo que rouba no jogo de cartas.
O mesmo que deu calote quando criança e arruma atestados para faltar ao emprego.
O próprio que falsifica assinaturas em benefício próprio.
Aquele que já pensou em matar a tia rica pra ficar com a herança.
O mesmo que se alegra ao receber troco a mais no ônibus.
Você é aquele que leva vantagem. Quer sempre. E mais.
Você é aquele que engana a esposa.
Que mente pro filho e omite informações.
Você dá propina a policiais. Vende o ticket que ganha da firma pra pagar cerveja.
Você é aquele que canta a menina quando percebe que o namorado foi ao banheiro.
Você se acha uma porção de coisas e se orgulha de vender as cortesias que ganha.
Você fica furioso quando um monte de velhos caminha lentamente à sua frente.
Você se irrita com o trânsito e, por isso, faz bandalhas.
Você falta a reuniões. Camufla documentos.
Você se ausenta quando convocado.
Você é aquele que dá em cima da vizinha. Mesmo conhecendo o marido dela.
Você é aquele que, jamais, em hipótese alguma, aceita a condição de uma possível insatisfação de sua esposa.
Você é aquele que bolina a sobrinha. Que tira sarro de adolescentes no metrô.
Você é aquele que dispara cantadas patéticas e chantageia quem lhe for de alcance.
Você é aquele que trai a mulher no almoço. E com qualquer uma.
Porque você se acha esperto e malandro. Você acha que as oportunidades foram feitas para o proveito próprio, custe o que custar.
Você é egoísta.
Egocêntrico.
Falso.
Moralista.
Falta-lhe caráter e personalidade. E, lá no fundo, você sabe disso.
Você é aquele que foge da sua imagem no espelho.
Você inventa festinhas corporativas para ficar até mais tarde com os amigos.
Sinceridade é algo que lhe falta. Contrariando totalmente seus pais que, com tanto custo, deram a vida por você.
Você transa sem camisinha e põe em risco a saúde de sua família.
Você é aquele que comemora as coisas, qualquer delas, mesmo sabendo que não vai aproveitar nada, que a vitória não é sua, apenas pelo fato de poder beber mais e comemorar mais, gandaiar mais, saracutear mais...
Você malha e se perde diante de sua imagem.
Você toma bomba pra usar camisa pólo apertadinha no braço.
Você usa camisa pólo.
Você tem tatuagem de tribal e de letra japonesa escrito “Harmonia”.
Você vai a shoppings aos Domingos e almoça na praça de alimentação.
Você dorme no sofá e ronca depois de beber.
Você assina canal a cabo pirata.
Você tem um carro pelo qual cuida mais que a si próprio.
Você atrasa o seguro. Você não paga em dia o IPVA.
Você ri dos que lêem livros, caçoa dos que curtem ópera, zomba de quem aprecia exposições e se orgulha de possuir sons completamente horrendos e ridículos.
Você assiste a filmes da moda. Você idolatra Hollywood e copia descaradamente famosos vazios.
Você tem a capacidade de aplaudir o espancamento de seres humanos, mesmo que eles tenham infringido alguma lei e tenham sido pegos.
Você barganha cultura, mas paga flanelinha.
Você não segura a porta do elevador mesmo sabendo que está vindo uma pessoa.
Você finge hora extra e desconfia de qualquer atraso de sua companheira.
Você tem um puta medo de ser passado pra trás.
Você se borra todo ao imaginar um outro cara em cima da tua mulher, mordendo-a, lambendo-a, usando-a, dando-lhe prazer enquanto ela geme alucinadamente e diz o quão gostoso você não é.
Você enfurece quando descobre.
Aí você quer ser violento, espanca-la, agredi-la, mas, no final, covardemente chora, se debrulhando igual um maricas.
E aí você resolve reconstruir sua vida, pautando-se na pseudo-experiência de que: “Mulher não vale nada.”
Você é fraco.
Você não vale nada.
Você é incapaz.
Desqualificado.
Você perde pra si mesmo.
Você passa a ter vergonha de si mesmo.
Você não se olha mais no espelho.
Você resolve assinar o contrato de otário quando, lá no fundo, você já sabia disso.
Você se perde quando vê a vida passando.
Você não serve nem pra arrependimentos. O tempo se recusa a curar qualquer ferida sua.
Tua sorte é que tem gente mais otária que você.
Você tem tanta sorte.

Relaxa, eu também!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tardiamente denotado.

Porque alguém precisa te mostrar onde fica o espelho.