quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Diário de um cotidiano de merda ou um merecimento pós-guerra que traumas causam

Vale a pena ver de novo. Ou um jeito de entrar num transe. Alguma maneira de resistir a tudo, ou entrar na massa e seguir a prosa. Será que essas merdas todas por aí encontraram um jeito e desvendaram a trilha?

Eu abro o olho e cão pula no meu peito.  É sempre assim. Depois vem as lambidas e ele deita entre minhas pernas pra que eu não levante. Olho pro relógio:  dez e meia. Meu horário de entrada no trabalho é as nove. Tô na média. Peço pro cão sair. Sutilmente ele me ignora. É uma bela resposta prum sujeito que ignora o mundo – ou faz de tudo pra que um dia isso aconteça. Peço novamente. Ele me olha calmamente, se espreguiça daquele jeito sereno que os cães fazem e deita de vez. Cuma calmaa majestosa e insolente jogo ele pro alto e o ventilador de teto quase o decepa.  Desculpa, cara, algumas coisas precisam acontecer, penso em dizê-lo, mas desisto ao imaginar o desprezo que me será mirado. Banho rápido, rádio coas suas notícias irrelevantes tipo batida na avenida brasil, engarrafamento no aterro, assalto na zona sul, perseguição e tiros em jacarépagua e gente que morre na porta de hospitais. Dou benção pro coroa e rua. Caminho até o ponto, compro um maço, acendo um e espero a minha linha. As mesmas coisas de sempre: NADA. Trabalho, enter, e-mails, almoço, blá, blá, blá. A cabeça o tempo todo matutando alguma maneira de sobreviver a essa chacina diária. Arroto pós almoço e uns confere nos jornais. Um imposto a mais, acidentes, um satélite vai cair no cú de alguém, um garoto de dez anos reconta realengo, a mulher melão...foda-se a mulher melão. Nada de novo. Trabalho, e-mails, enter, fim. Leio algumas coisas salvadoras em alguns blogs e chuto algumas bundas de demônios através de um blues.  Trajeto de volta, carros e seus motoristas com caras cinza. Nada mudou, nada de novo. De novo. Todo dia eu chego em casa e o cão me recebe: AU!!

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