quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Notas de páginas viradas de um caderno encontrado na rua


As damas passam como num desfile
É época de natal e as pessoas precisam parecer felizes.
Carros vagueam e trombam com ônibus lotados enquanto um casal de velhos caminha lentamente e se orgulham de mais um virar de ano juntos.
Faz calor na cidade que se orgulha de ter tomado o Alemão, mas que não percebe que segue tomando diariamente...
Sinto uma espécie de amor. Sorrio.
Um cachorro vagabundeia cafungando sacos de lixo.
O garçom é chamado pra mais uma garrafa. 
Cigarros são acesos e um vestido acaba de passar escondendo pares de coxas e desejos outdoors.
Alguns silêncios continuam afrodisíacos.
Outros nos fazem desconfiar.
O vento passa e assobia Freddy King no meu ouvido.
Eu to aprendendo um pouco mais como exemplos devem ser testes acompanhados de uma espécie de assinatura de certezas
É dezembro e anoitece cada vez mais tarde. Estenderam por mais uma hora a tortura dos notívagos.
Minha barriga tá vazia fazem dois dias e meu organismo vem dando o jeito dele tentando sobreviver à álcool.
Vomito qualquer coisa em qualquer lugar e limpo com guardanapos brancos. A mesma cor que utilizarão em mais uma explosão de fogos no momento da olimpíadas da falsidade.
A calma interna é algo inebriante e disso jamais se pode duvidar.

Um comentário:

Camila Reis disse...

"Brindam diariamente os que fraquejam" - também me revolto com isso!