Um amigo enlouquecendo. As chagas de um sujeito que insiste em morrer, visto que o pai não estava aberto para negociações. Minha filha partindo. Minha mulher chorando. Outro amigo em crise terminal. Outro vai ficar internado até Junho. Outro é retirado todas as noites das ruas pelo resgate público detonado de crack. Minha vizinha pentelha que não para de reclamar do barulho da minha cadeira enquanto escrevo. Dos nervos, como diria Ricardo Lísias. Não há nenhum triunfo na dor. A exaltação de quem ainda acredita no sofrimento como forma de redenção. Ando cansado dessa baboseira. Embora esteja condenado à infelicidade. Como é que era mesmo, Maria Lúcia? Mas não vou pular do sétimo andar. Não vou dar tiro na cabeça e sequer beber até morrer. Meu ceticismo atingiu um grau tal que sequer acredito em suicídio. Vou só deitar na rede enquanto Noble Watts sopra o acorde inesperado, inusitado. E os fogos lá fora enlouquecem os pobres cachorros. A mim eles não enlouquecem, só aporrinham. E eu ainda consigo sorrir sozinho em minha kit. I Dont´t make promises. Eu aprendi que é de lei cumprir. Yeah man, Yeah. Fico prosaicamente com os meus blues e algum poema do velho Dylan. Ah, há dor demais no mundo.
Existe algo que pode ser desgaste da própria imagem. Quando você se olha no espelho e tem vergonha do que se transformou. Pratico o esporte do não escutar. Do fazer que não é comigo.
E isso elimina minhas vantagens?
Que tortura é essa a que nos submetemos diariamente?
Em nome do que, esse privilégio de continuar fazendo de conta?
Percorro o mesmo trajeto que sei em que merda de destino ele vai dar. As entranhas magoadas e banhadas por old eight e pizza de calabresa. Carrego o melhor e o pior dos mundos que convergem em minha direção via satélite, via informação manipulada à larga escala industrial me bombardeando e ao cachorro doente que quer escapar sempre que arroto porcamente visando pequenos luminosos da Antártica.
Pobre fudido, no fim da estrada tem um prêmio e um osso pra você, meu velho. A alegria abissal que é a de se sentir um recém-nascido.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Yellows Submarines Blues
Pra variar, do cara.

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