sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Você talvez não saiba, mas eu escrevo letras tristes quando eu bebo, mas isso não quer dizer que eu seja triste, garota. Pelo contrário, sou feliz na maior parte do tempo.  Vamos dizer que quando eu bebo a realidade se mostra de uma forma que eu tente camuflar quando sóbrio. É uma definição mediana, mas que serve como argumento. Não me culpe, é meu jeito. E daí, quando bebo, as palavras saem assim, meio melancólicas, porque eu nunca consigo acreditar na felicidade que insistem em demonstrar por aí e eu acabo absorvendo essas coisas todas. Eu sei, eu sou um idiota por pensar assim, e também tá tudo certo que você pense isso de mim, no ruim de tudo eu bebo e tudo se “encaixa”, me entende? Eu vejo falsas alegrias disfarçadas por pessoas que fogem de tudo. E aí saem palavras cabisbaixas tipo uma música do the doors ou um bruce springsteen cantando numa varanda de um sítio onde ele vive sozinho olhando a plantação cor de mostarda. Quer coisa mais triste do que uma visão com cor de mostarda? Que eu posso fazer? É minha forma de esvaziar. Às vezes, quando eu tô bem triste eu penso em voar. Em ter esse poder de voar pela cidade como se fosse uma maneira de colocar pra fora todo tipo de angústia que me pesa durante o passar dos dias. Mas eu lembro que não posso voar e fico apenas assim: triste. Eu sei, deve ser horrível estar ao lado de alguém como eu, e foi por isso que não lutei por você e pela gente. Porque pessoas como você merecem ser felizes, mesmo que essa felicidade seja um tanto quanto míope ou fajuta sob meu ponto de vista. Porque só quem sente demais entende o que é vontade de voar e, aprenda, garota: só se  consegue voar quem não tem chão pra pousar. 

Um comentário:

Bruna disse...

Você fez um término triste parecer bonito. Triste e bonito.