Você talvez não saiba, mas eu escrevo letras tristes quando
eu bebo, mas isso não quer dizer que eu seja triste, garota. Pelo contrário,
sou feliz na maior parte do tempo. Vamos
dizer que quando eu bebo a realidade se mostra de uma forma que eu tente camuflar
quando sóbrio. É uma definição mediana, mas que serve como argumento. Não me
culpe, é meu jeito. E daí, quando bebo, as palavras saem assim, meio
melancólicas, porque eu nunca consigo acreditar na felicidade que insistem em
demonstrar por aí e eu acabo absorvendo essas coisas todas. Eu sei, eu sou um
idiota por pensar assim, e também tá tudo certo que você pense isso de mim, no
ruim de tudo eu bebo e tudo se “encaixa”, me entende? Eu vejo falsas alegrias
disfarçadas por pessoas que fogem de tudo. E aí saem palavras cabisbaixas tipo
uma música do the doors ou um bruce springsteen cantando numa varanda de um
sítio onde ele vive sozinho olhando a plantação cor de mostarda. Quer coisa
mais triste do que uma visão com cor de mostarda? Que eu posso fazer? É minha
forma de esvaziar. Às vezes, quando eu tô bem triste eu penso em voar. Em ter
esse poder de voar pela cidade como se fosse uma maneira de colocar pra fora
todo tipo de angústia que me pesa durante o passar dos dias. Mas eu lembro que
não posso voar e fico apenas assim: triste. Eu sei, deve ser horrível estar ao
lado de alguém como eu, e foi por isso que não lutei por você e pela gente.
Porque pessoas como você merecem ser felizes, mesmo que essa felicidade seja um
tanto quanto míope ou fajuta sob meu ponto de vista. Porque só quem sente
demais entende o que é vontade de voar e, aprenda, garota: só se consegue voar quem não tem chão pra pousar.


Um comentário:
Você fez um término triste parecer bonito. Triste e bonito.
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