Um afeminado e um velho hétero e carente à frente da mesa que eu tô. O bar é novo. Novo pra mim, nunca vim, não novo de novo, sabe? É que eu tenho meus botecos preferidos. E eles nem são assim parecido com esse que eu tô. Eles não “bombam”, sabe como é? Eu tô acostumado com outro tipo de bar bem diferente deste daqui. Os que são habitados por bêbados inúteis como eu, os que ficam às moscas, os que servem salgados assassinos do dia anterior e que você come com uma volúpia invejável, com uma fome enlouquecedora que causa repulsa até ao mendigo que passa. E hoje eu ía lá num desses bares que eu gosto, mas a minha garota marcou coas amigas aqui perto do trabalho e pediu preu mudar minha programação nada atraente e ficar por perto.
E eu acabei sentando aqui nesse bar estranho. Com pessoas estranhas que me deixam coessa sensação de não me sentir à vontade. Eu nem sei o nome do garçom. Pedi uma cerveja e ele foi estupidamente frio e grosso. Seco, sabe? Ele deve gostar de servir mesas lotadas como as de lá de dentro, e deve ter percebido que eu vou ficar apenas na cerveja barata. Eu tô acostumado cum boteco mais “pacífico”, com poucas pessoas, com TV pequena e que até possa ter na mesa à frente uma bicha histérica e um hetero carente, mas eles jamais seriam escandalosos desse jeito. O fato de você dar o cú não lhe dá o direito de ser inconveniente.
Mas é que minha garota marcou com as amigas por aqui e resolvi tentar ser uma pessoa melhor e ficar por perto caso ela necessite de alguma ajuda. Ela tá grávida e eu tô me esforçando pra não desapontá-la. E eu nem comentei, mas meu moleque – ou minha princesa – tá vindo aí e eu tenho que estar pela área. Tem muita gente estranha por aí.


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