Eu sempre a olhava. Sempre a seguia com o olhar. É interessante, bonita, charmosa, e ainda tem aquele ar de superior, aquele jeito de andar cativante, instigante, tentador. Ela passa o almoço na academia e eu no sebo. É o que posso falar. Desconhecia qualquer outra atitude dela.
De forma platônica sempre a admirava. Era totalmente o oposto do que espero, almejo, ou vejo como boa partida de buraco nas tardes de domingo dividindo uma gelada e com um rockzinho de fundo. Ela tem cara de búzios, floripa, nova Iorque, ipanema, leblon, lagoa, fasano, londra. Eu nem cara tenho. Sou visto, no máximo, pelos arredores do flamengo, laranjeiras, botafogo. Ipanema é apenas pra eventos convidatórios, com lista amiga na porta e saidera no empório. Ela tem cara de Franz Ferdinand enquanto eu vou de Air, Raul, Tim, a falida dos irmãos de barba, e, dependendo do estado de espírito, vou até de Reginaldo Rossi. Não tínhamos e não temos nada em comum. Ela tem cara de drinks exóticos e eu sigo na boa e velha lentidão da loira gelada.
Mas aí rolou um convite pruma festa daquelas que não gosto. Imaginei saltos em abundância, bundas inclinadas pra cima, pinturas demais, perfumes demais, opacidade, vazios em demasia, músicas chatas, dançinhas insuportáveis, malas de grife sem alça, o verdadeiro pandemônio. Aquelas festivas regadas a pó, champagne, espumantes, onde a dificuldade pra se conseguir uma mísera cerveja é recompensada com olhares fulminantes, que denotam minha pobreza total e a dissonância com o local. Aqueles eventos em que geralmente termino amigo do garçom, segurança, porteiro, ou sozinho na mesa, dormindo e babando, com as pessoas se perguntando: “Quem convidou aquilo?”.
De forma platônica sempre a admirava. Era totalmente o oposto do que espero, almejo, ou vejo como boa partida de buraco nas tardes de domingo dividindo uma gelada e com um rockzinho de fundo. Ela tem cara de búzios, floripa, nova Iorque, ipanema, leblon, lagoa, fasano, londra. Eu nem cara tenho. Sou visto, no máximo, pelos arredores do flamengo, laranjeiras, botafogo. Ipanema é apenas pra eventos convidatórios, com lista amiga na porta e saidera no empório. Ela tem cara de Franz Ferdinand enquanto eu vou de Air, Raul, Tim, a falida dos irmãos de barba, e, dependendo do estado de espírito, vou até de Reginaldo Rossi. Não tínhamos e não temos nada em comum. Ela tem cara de drinks exóticos e eu sigo na boa e velha lentidão da loira gelada.
Mas aí rolou um convite pruma festa daquelas que não gosto. Imaginei saltos em abundância, bundas inclinadas pra cima, pinturas demais, perfumes demais, opacidade, vazios em demasia, músicas chatas, dançinhas insuportáveis, malas de grife sem alça, o verdadeiro pandemônio. Aquelas festivas regadas a pó, champagne, espumantes, onde a dificuldade pra se conseguir uma mísera cerveja é recompensada com olhares fulminantes, que denotam minha pobreza total e a dissonância com o local. Aqueles eventos em que geralmente termino amigo do garçom, segurança, porteiro, ou sozinho na mesa, dormindo e babando, com as pessoas se perguntando: “Quem convidou aquilo?”.
E daí, com a conta negativa, tive que pensar que a 0800centisse da parada iria garantir uns porres gratuitos, compensando a ruindade toda que cercava o episódio. Botei uma calça, camisa básica e, como não suporto sapato, tênis.
Cheguei ao evento. Luzes pra tudo quanto é lado, formalidades em excesso, ladies aos montes, homens de gel em seus paletós, “poc, poc, poc” pra tudo quanto é lado, traduzindo os andares dos saltos altos das incautas. Incrédulo, ainda titubeei: “Por Deus, que faço aqui?”. Graças a minha carona, que viu meu olhar de espanto com muito frufru por tudo quanto é lado, acabei ganhando de imediato uma taça. Relaxei e bebi. Por São Benedito das Historinhas Mal contadas, que troço ruim. Era uma espécie de vinho que rasgava quando descia. E, pra variar, nem gelado estava. Tossi, me engasguei e joguei aquela porra fora num vaso de flores roxas que ficava ao lado da entrada da varanda.
Dois salgadinhos, três cigarros e alvo de, pelo menos, sete olhadas mal dadas por pessoas que, creio, com quase certeza, não me queriam ali, encontrei um copão de chopp. Quase gozei....
A música, uma espécie de tun ti tun melodiosa, era péssima. Tirando a bebida e o fato de poder fumar, tudo estava uma grande e verdadeira merda. Um vaso cheio de cocô, dentro de um buteco, com bêbadas moscas vagando em volta, era de mais valia. A comida era horrível, gordurosa, pingava nos guardanapos. Senti falta de uma linguiçinha, um biscoito torcida de queijo ou uma paçoca. Eu já tinha desistido da noite e as toalhas de mesa já tinham virado guardanapo pra limpar a mão quando, Jesus, me chicoteia, Misericórdia para meu hipotálamo, ressucita minha libido e dá de mão fechada pra ver se eu acordo, aquela coisa cintilante e convidativa me cruza o olhar. NÃO É POSSÍVEL!!! Era ela. Ela mesmo. A mesma. A própria. A deusa merecedora de convites imaginários vindo daqui de dentro. A elegância torta em pessoa. O troféu de qualquer campeonato. A mega sena de qualquer apostador, o sonho de consumo de sei lá quem, mas, foda-se, ao menos meu.
Óbvio que não tive essa empolgação toda. Apenas ilustrei. Nada dela me empolgava a não ser ela. Ela me encanta, apenas isso. Ela sempre me encantou, sempre foi paquerada em silêncio quando cruzava com ela no elevador do prédio onde recebo salário. Ela nunca soube disso. Nem sabia. E aí, num evento totalmente fora de meus padrões – acostumado à podrões – eis que aquelas pernas interessantíssimas surgem sob aquele vestido de alça cintilantemente azul, com aquele sorriso fronte à face, os óculos dando o charme final e me fazendo uivar dentro de minhas calças sujas. Eu num guento, catatau. Não mesmo. Aquilo ali é demais. Fitei-a, fintei-a, desejei fincá-la. Ela andava com aquele arzinho superior de quem sabe que está chamando atenção. Não, ela nem é assim, gostoooosa, alucinante, exuberante, mas, digamos que, pra mim, possui um charme indescritível. Aquela coisa do: bateu, olhei, gamei.
Como me abrir pra maldita? Como, dentro do charme, vociferá-la: DANADA!!! Como convencê-la de uma tórrida noite de conversa ou pouco papo e uma transa selvagem no banheiro feminino? Logo eu? Como tentar deixá-la avisada que será em vão qualquer possibilidade de esperança da parte de lá, caso exista? Eu só queria a atenção dela, o olhar dela, em silêncio, pra que eu ficasse o resto da noite toda observando-a, paquerando, desejando, imaginando os mais desalinhados versos em cenas pra lá de impróprias...
Óbvio que não tive essa empolgação toda. Apenas ilustrei. Nada dela me empolgava a não ser ela. Ela me encanta, apenas isso. Ela sempre me encantou, sempre foi paquerada em silêncio quando cruzava com ela no elevador do prédio onde recebo salário. Ela nunca soube disso. Nem sabia. E aí, num evento totalmente fora de meus padrões – acostumado à podrões – eis que aquelas pernas interessantíssimas surgem sob aquele vestido de alça cintilantemente azul, com aquele sorriso fronte à face, os óculos dando o charme final e me fazendo uivar dentro de minhas calças sujas. Eu num guento, catatau. Não mesmo. Aquilo ali é demais. Fitei-a, fintei-a, desejei fincá-la. Ela andava com aquele arzinho superior de quem sabe que está chamando atenção. Não, ela nem é assim, gostoooosa, alucinante, exuberante, mas, digamos que, pra mim, possui um charme indescritível. Aquela coisa do: bateu, olhei, gamei.
Como me abrir pra maldita? Como, dentro do charme, vociferá-la: DANADA!!! Como convencê-la de uma tórrida noite de conversa ou pouco papo e uma transa selvagem no banheiro feminino? Logo eu? Como tentar deixá-la avisada que será em vão qualquer possibilidade de esperança da parte de lá, caso exista? Eu só queria a atenção dela, o olhar dela, em silêncio, pra que eu ficasse o resto da noite toda observando-a, paquerando, desejando, imaginando os mais desalinhados versos em cenas pra lá de impróprias...
Porra, ela é demais.
Passado o susto, dá-lhe gorjeta pro garçom e garantias de chopps rápidos. Todos tem um preço, todos. Alguns cobram caro, outros fazem charminho e entram em leilão, algumas são denominadas putas, e eu, fico na minha, só desejando meus choppinhos e a paz mundial aqui dentro. O brilho já reluzia o olhar. O olho ia se apequenando, a mente em polvorosa conflitante, a sensação inebriante de relax tomava conta do esqueleto. Até que tá tudo bem: choppinho gelado, petiscos descíveis, uma música ruim, pessoas sem sal, mas tudo bem, de graça a gente não pode reclamar muito das coisas. É igual show da Claudia Leite na praia de Copacabana. Já sei sai de casa com a sensação de que coisa boa não será. Imaginar que teremos pessoas com a nobreza londrina, policiamento adequado, um clima agradável e cerveja barata e gelada é balela. Pitaco perde pros gestos dos foliões. Os cariocas de Neanderthal e o Abominável homem das neves em muito se assemelham. Mas isso é outro papo.
A mente relaxava fazendo uma fumacinha, quando ouvi: “ Oi, me empresta seu isqueiro?”. Eu não estava acreditando. Tinha acabado de dar um arroto e mal crera no que via. Era ela, pedindo um isqueiro. Óbvio que eu tinha. E se não tivesse, eu desceria e me aventurava pela madrugada da Cidade Maravilhosa e do Caos, tudo pra agradá-la. Com aquele olhar insano e doente, meti a mão no bolso e ofereci a chama que bem que poderia ser do amor. As fagulhas procriando, o fogo não fixando e toda hora aquele gesto de acender o isqueiro já a inquietava. Maldita Bic e seus materiais imprestáveis. “ Bic, acende mais de 3.000 vezes.” dizia o slogan. Pro caraleo. Meu cigarro aceso não foi a trincentésima, sei lá qual o nome que se dá a quem usa algo 3.000 vezes, vez que era utilizado. Eu nem sei se já acendi 3.000 vezes alguma coisa, mas porra, aquela hora o isqueiro não podia falhar. Não mesmo. Após a décima quarta tentativa, ouvi: “deixa pra lá, deve ter acabado.” Foda-se, pensei. Deu azar, sua azarada, agora vou ficar a noite pedindo fogo emprestado, porra. Num ato meio sem pensar, peguei o cigarro da mão dela e acendi direto no meu. Ela ficou olhando, ainda sem acreditar, se perdendo no meio daquela frescura toda. Porra, foda-se, tinha ido ao banheiro, meti a mão no pau, não lavei, mas que mal tem? Ela chupa de guardanapo? Aliás, ela chupa? Não sei não...
A mente relaxava fazendo uma fumacinha, quando ouvi: “ Oi, me empresta seu isqueiro?”. Eu não estava acreditando. Tinha acabado de dar um arroto e mal crera no que via. Era ela, pedindo um isqueiro. Óbvio que eu tinha. E se não tivesse, eu desceria e me aventurava pela madrugada da Cidade Maravilhosa e do Caos, tudo pra agradá-la. Com aquele olhar insano e doente, meti a mão no bolso e ofereci a chama que bem que poderia ser do amor. As fagulhas procriando, o fogo não fixando e toda hora aquele gesto de acender o isqueiro já a inquietava. Maldita Bic e seus materiais imprestáveis. “ Bic, acende mais de 3.000 vezes.” dizia o slogan. Pro caraleo. Meu cigarro aceso não foi a trincentésima, sei lá qual o nome que se dá a quem usa algo 3.000 vezes, vez que era utilizado. Eu nem sei se já acendi 3.000 vezes alguma coisa, mas porra, aquela hora o isqueiro não podia falhar. Não mesmo. Após a décima quarta tentativa, ouvi: “deixa pra lá, deve ter acabado.” Foda-se, pensei. Deu azar, sua azarada, agora vou ficar a noite pedindo fogo emprestado, porra. Num ato meio sem pensar, peguei o cigarro da mão dela e acendi direto no meu. Ela ficou olhando, ainda sem acreditar, se perdendo no meio daquela frescura toda. Porra, foda-se, tinha ido ao banheiro, meti a mão no pau, não lavei, mas que mal tem? Ela chupa de guardanapo? Aliás, ela chupa? Não sei não...
Bom, devolvi o cigarro aceso pra ela e me calei. A varanda estava vazia e a lua iluminava a gente. Testemunhava um bêbado inútil ao lado da princesinha de não sei que lugar. Deu até vontade de ser romântico. Virei pra rua e fiquei vendo os carros passarem.
- Você conhece a família Licerne? ela perguntou. Eu sei lá de que porra de família ela se referia.
- Ahn, desculpe. O que você perguntou?
- Seu Ramiro e Dona Almerinda Licerne, os aniversariantes da festa.
Ah!! O nome dos velhos enferrujados eram Ramiro e Almerinda. Pensei em mandar a real, em falar que não conheço ninguém dali, a não ser o meu amigo que tinha sumido do salão. Mas, talvez na vã esperança de uma noite que poderia render, arrisquei meu dom artístico e atuei de forma, no mínimo, patética.
- Sim, claro. Seu Ramirão é amigo de infância do meu pai. Dona Almerinda é assim com minha mãe, ó. Tentei despistar.
Ela agradeceu o fogo e saiu da varanda. Por qualquer divindade, que pernas, que cintura, que cheiro, que marra, putaquepariu, adorei. Já ganhei a noite só em dividir o mesmo local que ela, respirar o mesmo ar. Ah...eu tava um viadinho platonicamente apaixonado. Que lindo. Até abracei o garçom quando me entregou mais um chopp. Procurei meu amigo no salão, observei algumas velhas com cabelo de poodle, brilhantes que me garantiriam uma renda considerável durante meses, homens e suas discussões babacas sobre carros, viagens e planos de fortuna, esposas saidinhas, pessoas bêbadas, comemorando sabe-se lá o quê, aglomerações dançando passinhos ridículos, um DJ cafona se achando, vários celulares fodas nas mesas, seguranças com cara de buldogue. A verdadeira nata da fauna e da flora se concentrava ali dentro - eu, sem fugir à regra, também. Procurei-a no salão, em meio a casais ridículos dançando de mãos dadas como se estivessem em alguma discoteca dos anos 70, e a vi de mãos dadas com um velho com cara de rico, que indiscretamente passeava aquelas mãos enrugadas e sem uso nas coxas graúdas de meu quero-quero embalsamado. Meu sonho de consumo nas mãos de quem a usará apenas como troféu.
Nada muda mesmo. Não tinha mais o que fazer. A noite raramente termina da maneira que esperamos. Peguei mais duas tulipas de chopp e acendi mais um cigarro enquanto torcia pra meu amigo me encontrar e me levar de volta pra casa onde eu tocaria uma punheta antes de dormir.


5 comentários:
Alguém tem que pagar tantas viagens para ela ter essa cara, baby.
E para vc ela seria algo mais que um trofeu tb?
carinhos cínicos
A sua CARA!
Sensacional!
"tórrida noite de conversa" ah se me fazem uma proposta destas...
Pois é, cara,
Um dia tu escrevestes que não gosta de textos longos. Tua verborragia hemorrágica traiu-te como um bode abatido no pasto. rsrsrsrs....(Foco na baba escorrendo no canto da boca).
Tá bonito, menino.
No mais, segue a indicação de uma amiga louca:
http://mariadescompassada.blogspot.com/
hey...
que bichice foi essa porra?!
as vezes é difícil acreditar num mamífero como tu, doido pra mamar e pra doar leitinho com essa idéia fajuta de "perfeita"
perfeita sou eu porra. perfeição é tudo que idealmente não se pode ter.
essa gostosa deve ter um preço lembra?
"Todos tem um preço, todos. Alguns cobram caro, outros fazem charminho e entram em leilão, algumas são denominadas putas, e eu, fico na minha, só desejando meus choppinhos e a paz mundial aqui dentro."
a parte a paz mundial é a melhor.
juro que todo o resto do texto se tornou insignificante.
mentira.
bom mas, antes de sair pela a porra da cidade atrás de fogo pra vadia, procure a conzinha da casa.
há sempre um fósforo amigo em algum canto.
saudades de vc.
fiquei enciumada com essa vadia de cintura fina.
merda.
abracinho beiber, abracinho.
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