Eu devo estar errado, não é possível. Vou fazer que nem médico e alegar virose quando não souber diagnosticar merda alguma. Eu tava sumido e acho que continuarei, mas enquanto respirar e possuir essa alma imatura, dócil, agressiva e infantil, vou continuar destilando venenos e arrotando indecências, “ que por si só, já é algo louvável “.
Acho que é inferno astral, ou qualquer merda que neguinho fala por aí. Ando em crise com determinadas coisas. Faço 31 semana que vem e acho que até lá vou andar na corda bamba, com uma aidética sifilenta numa ponta e um pirocudo e uma baioneta na outra. Espero que mude algo, que as pessoas possam entender determinadas coisas, ou que eu veja que sempre tive certo quando afirmei que não espero muitas novidades das pessoas.
Na Tv, vagabundo insiste em assistir o tal do Quevedo falar que “ devemos amar o próximo assim como Deus nos amou “, que grande merda. No corredor, as pessoas pelas quais nutria alguma esperança de uma pequena inteligência, comentam sobre a nova promoção do mc donald´s, e que ganhou um Shrek. E que da próxima vão escolher uma Fiona. Eu devo estar errado, não é possível. Esse meu desejo due querer que tudo se foda só pode ser comodismo. Caso seja alguma indignação, é porque tõ errado e sou mimadinho de merda. Como pode? Eu quero mesmó é que tudo se foda, já nascemos derrotados há bastante tempo. Eu quero que a Espanha se foda, que o Bruno se foda - o cara é casado, tem filho, come uma puta, vacila, deixa a mulher engravidar, e no final de tudo ainda se acha no direito de matar?? O cara fala que o Andrade nunca ganhou "porra nenhuma". Porra, o Andrade é pentacampeão brasileiro, e ainda ouve isso de um merda? - e olha que sou vascaíno, hein. Mas enfim, voltando ao assunto, devem ser todos inteligentes e eu, que seja, o imbecil prejudicial a mim mesmo.
Não tenho outra alternativa.
Não tenho outra alternativa.
E eu não sei se vivo reclamando de barriga cheia. Eu acho que sim, mas tenho certeza que não. Eu tinha é que ir pra porra de um escritório de advocacia ou contabilidade pra aprender a valorizar as coisas ou, definitivamente, enlouquecer de vez, por mais mimado que isso possa parecer pros outros. Eu to começando a me conhecer mais ainda, e isso vai me tornando danoso, grosso, estúpido e egoísta. E é isso o que eu acho que no fundo as pessoas acham. E eu me importo sim, não com a nomenclatura, mas com a falta de respeito que as pessoas não tem com as demais. É o preço que se paga por querer “desafiar” os demais irmãos. E eu tava falando que, por me conhecer mais, vou cada vez conhecendo meu limite. E é difícil a gente ouvir de pessoas que a gente ama – e que nos amam – que isso é algo perigoso e doentio. Que o simples fato de uma boate, um pagode, uma festinha alternativa, uma exposição, um passeio na Lagoa ou uma ida ao Pão de Açúcar não me agrada, não me compra, e que acho isso tudo a porra de um saco, e que, na verdade, prefiro sim, ficar num bar tomando algo, lendo tudo e miserando atenção com nômades bêbados sarjeteiros, mas com conhecimento de alguma possível causa, e que, por não achar graça em nada disso, ou por preferir os mesmos buracos de sempre, lhe dão o direito de acharem certo me diagnosticar de depressivo, doente ou qualquer merda parecida.
Eu bem que queria estar assim mesmo. De repente, me aposentava por invalidez e neguinho parava de me perturbar. Assim ficava ausente de tudo e todos por uma época e perceberia se a doença sou eu ou se ela vive lá fora, nas esquinas e dentro das garrafas de espumante que andam se gabando por aí. E voltando ao assunto do escritório, eu devia mesmo é terminar na merda de um escritório de contabilidade, onde meu chefe seria um Osvaldo da vida, esposo de qualquer Ruth da vida, botafoguense, dono de um Del Rey 86, com um adesivo escrito: “ Eu amo Maricá “, e com um casal de filhos - o menino drogado e viado e a filhinha uma puta que sonha em sair de casa e procura bucetantemente um homem rico em cada porta de boate da Zona Sul. Eu devia parar de reclamar de tudo, afinal de contas, trabalho em uma agência de publicidade. Um espaço liberal onde as pessoas antenadinhas e alternativas despejam aventuras relatando as idas à Europa, Miami ou qualquer porra dessas que acham digno de status. Eu devia mesmo é calar minha boca. A porra da minha boca.
Eu bem que queria estar assim mesmo. De repente, me aposentava por invalidez e neguinho parava de me perturbar. Assim ficava ausente de tudo e todos por uma época e perceberia se a doença sou eu ou se ela vive lá fora, nas esquinas e dentro das garrafas de espumante que andam se gabando por aí. E voltando ao assunto do escritório, eu devia mesmo é terminar na merda de um escritório de contabilidade, onde meu chefe seria um Osvaldo da vida, esposo de qualquer Ruth da vida, botafoguense, dono de um Del Rey 86, com um adesivo escrito: “ Eu amo Maricá “, e com um casal de filhos - o menino drogado e viado e a filhinha uma puta que sonha em sair de casa e procura bucetantemente um homem rico em cada porta de boate da Zona Sul. Eu devia parar de reclamar de tudo, afinal de contas, trabalho em uma agência de publicidade. Um espaço liberal onde as pessoas antenadinhas e alternativas despejam aventuras relatando as idas à Europa, Miami ou qualquer porra dessas que acham digno de status. Eu devia mesmo é calar minha boca. A porra da minha boca.
Mas não, eu sou um revoltadinho de merda que não sabe o que é a vida e que pra isso precisa começar a acordar às 8hrs, pegar vagão lotado calado, almoçar no PF da esquina, bater ponto, e chegar em casa feliz da vida, sorridente, gargalhando e contando que a amiguinha do escritório vai ser mamãe.
Grande putaria isso tudo.
Grande putaria isso tudo.
E acabo assim, convocado como um inútil por me achar esgotado, esgotando, no limite entre a loucura e a possível venda da minha alma a qualquer igreja que recolherá minha verba, me convencerá a deixar de beber, e que me fará ser mais um chato andando por aí tentando ser corretor da alma mais próxima recém saída da boca de fumo e com a narina entupida de pó.
Minha mãe reclama minha ausência. Meu pai tolera meus vacilos. Minha namorada quer me tentar convencer a agir como ela, me tentando fazer entender que a falta de dopamina dentro dela significa que ela está certa. E isso faz com que eu me irrite, e que as retretas aconteçam porque temos pontos de vistas diferentes e que isso é algo completamente impossível dela entender. E pra isso só me restam alguns poucos amigos, que também ando até faltando com eles.... “ Porque que a gente é assim??”
Tomara que meu inferno astral termine logo. Preu poder parar de reclamar dessa merda toda. Preu poder aceitar tudo numa boa e sorrir em sábados de sol. Por ter disposição pro mundo lá fora, pra poder querer acordar numa manhã de sábado e querer passear. Não pra me acharem um doente por querer sair somente à noite, e por não me importar de perder todo um dia de sábado na cama, e por não utilizar o Domingo pra visitar a sogra, a mãe, a tia, qualquer porra dessas que colam na gente tipo post-it quando a gente nasce. Meu meio de campo tá que nem o do Dunga, com 4 volantes e na defensiva. Preciso liberar meus laterais...
Eu devo ter assinado algo, num é possível...
BURROUGHS E A FAMÍLIA
Você já declarou que a família é um dos maiores obstáculos para o real progresso humano. Por quê?
Em primeiro lugar, família significa que as crianças são criadas pelas mulheres. Em segundo, significa que qualquer tipo de problema que os pais sofram – qualquer tipo de neurose ou confusão – é imediatamente passado para uma criança indefesa. Todo mundo considera que os pais possuam o direito de infringir nas crianças qualquer tipo de problemas perniciosos que sofram, e que por sua vez foram passados a eles pelos seus próprios pais. Então a humanidade é estropiada já na infância, e isso é feito pela família. Mais do que isso, as nações, os países, são meras extensões das famílias, e se existe algo que impede o progresso do mundo são as nações. Não iremos chegar em nenhum lugar enquanto essa unidade ridícula não seja desfeita. Existe uma série de meios para nos libertarmos da família. É claro, existe o mais óbvio que é separar as crianças dos seus pais biológicos ao nascimento e criá-las em creches públicas. Isso já foi proposto várias vezes, mas temos que considerar que tipo de treinamento e ambiente encontraremos nas creches públicas. Outra sugestão feita pelo senhor Brion Gysin, é que as crianças devam ser remuneradas por irem à escola. Em outras palavras, o quanto mais elas avançarem na educação, mais dinheiro acumularão. Isso, se feito desde a mais tenra idade, quebraria a dependência econômica das crianças por seus pais. O que realmente mantém as crianças presas aos seus pais é a dependência econômica e isso precisa acabar.
O que substituiria a família?
Nada. Não há nenhuma necessidade de possuirmos algo como a família.
(Trecho da entrevista de Willian Burroughs a Daniel Odier em 1.966)


2 comentários:
"Eu acho que sim, mas tenho certeza que não"..rs. Pois é, acho que vc está mesmo confuso, também passei a acreditar nesse tal de "inferno astral" há alguns anos!
Acho que o Sr. Osvaldo te demitiria na primeira semana, porque você não cumpre regras, você não chegaria às 8 no escritório de contabilidade, nem comeria um PF no almoço.
Acho que você tá certo, é mesmo um saco ter uma vida de merda num escritório de advocacia, no caso de nós mulheres, ter que usar saltos, roupas sociais e ainda ter que encarar comentários idiotas dos coleguinhas com sorriso falso no rosto.
Eu acho um monte de coisas, como vc diz, sou cheia de "achismos", em alguns deles, eu concordo com vc e em outros não, mas se a gente concordasse em tudo, qual seria a graça? Eu não te acrescentaria nada e nem vc à mim, sacou?
Que chegue logo a sua data para comemorarmos e quem sabe, vc se sinta melhor, pq é apenas isso q importa. Sentir-se bem ;-)
Lov U
Legal pra caralho os textos, Daniel. abraço. Kleber Felix
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