quarta-feira, 2 de junho de 2010

reprise do vale a pena ver dinovo

Eu sou um decadente. A nova geração dos moribundos vida afora. Os que calam diante da crítica simplesmente cagando e andando pro que adentra o ouvido. Eu sou um anjo bêbado. Mais bêbado do que anjo. Menos anjo ainda quando bebo. Eu sou a esperança da garrafa de cerveja que quer ser devorada, degustada. Eu sou a alegria dos bêbados de rua. A atenção que eles tanto necessitam. Eu sou o alarde pras namoradinhas e suas festinhas de empresas babacas onde as amigas vivem dando pro chefe. Eu sou o caos e a própria confusão quando cismam em teimar - com argumentos vazios e bestas – que estou errado. Eu sou a faca pronta para o lançamento. A bala cheiradona doida pra sair do fuzil aguardando apenas qualquer boçal levantar a voz ou esboçar reação. Eu sou o kamikase corporativo que nunca é chamado ou que, quando acha que será chamado e arma suas granadas e cinto do Batman, é simplesmente esquecido. Eu sou a confusão da confusão, entre um sim e um não. Eu me armo antes que me ataquem. Eu ataco mesmo quando armados mas, principalmente, quando peço para que se desarmem. Eu sou a própria contradição de tudo que falo e ouço. Eu mudo o tempo todo. De opinião, de mulher, de desejo, de frustração, de queda, de tudo. Minha salvação são os goles e talvez seja por isso que as vejo tentando chamar minha atenção. Eu sou a decadência financeira auto-destrutiva mas, ao mesmo tempo, a felicidade consigo mesmo quando determinado aqui dentro que é a hora. Eu sou a vergonha que os outros sentem de mim ao mesmo tempo que sou o orgulho que os amigos de verdade sentem quando passam a me entender. Eu sou o que todos desejam ser e não conseguem por covardia. Eu sou a ousadia que os mimados invejam. Eu sou o mimo que ou ousados criticam. Eu sou o que falam e o que ouvem. Sou o exemplo do que não deve ser seguido, contudo, sou o que seguem, quando absorvida a essência. Eu sou o que você vê, acha, desconfia e duvida. Eu sou o que você pensa errado de mim. Talvez não seja o que tens de certo sobre minhas atitudes. Talvez tanta coisa que sou o que sou. Eu sou o seu próprio engano. Eu sou a mentira que você conta pro seu namorado, a reunião que você informa pro marido. Eu sou o valor que você volta a dar para seu relacionamento. Eu sou a sua experimentação. Eu sou sua droga e sua cura. Eu sou seu baque e sua recuperação. Eu sou um fogos soltado, uma explosão em silêncio e um grito de alarme me expulsando do portão, do condomínio de sua vida. Eu sou o seu cinto de segurança e a sua liberdade quando você não quer usá-lo. Eu sou a multa e a propina pra fugir dela. Eu sou o que sua mãe não espera mas seu pai adorou. Eu sou o maior perigo pra você mesmo. Mesmo que você afirme querer correr esse risco. Eu não aceito cobranças e justificações quando não apareci - ou fui procurado – com este propósito, com esta proposta. Eu sou o seu não-futuro mas também sou o que você vai encontrar lá na frente. Eu posso ser seu arrependimento. Eu sou o grosso, o estúpido, o carinhoso, o companheiro, o egoísta, o solidário. Eu sou o ogro e a princesa. O pântano e o palácio.Eu sou o palhaço do seu dia cinza e triste assim como você é a minha tristeza e rancor nos dias de sol e quando todos dançam. Eu sou a procura de alguém parecido e o mergulho trôpego e patético quando – já desconfiava – que não iria encontrar.

Eu sou o tempo perdido que você teve. Eu sou o que você procurava enquanto perdia tempo com os outros e não me encontrava. Eu sou a ida e a volta. Eu sou o filme já assistido e a recaída da sala lotada. Eu sou teu pesadelo que lhe faz acordar assustada, desesperada. Eu sou a quem você procura e pede proteção quando tem um pesadelo. Eu sou o “sai daqui”. Eu sou o “ volta logo”. Sou a inquietação da mente, a todo vapor, a todo momento. Cheiro a corja e falcatrua, esbanjo com orgulho todos meus defeitos enquanto você cisma em esconder os seus, deixando à tona apenas o que – na sua cabeça – é sinal de merecimento e orgulho. Eu sou a sujeira do seu quarto cheiroso. Eu sou a limpeza de sua vida nua, crua e descartável.

Eu sou o alcoólatra que você vê quando olha pro lado. Eu sou príncipe “ diferente de todos os que eu conheci” que você espera pra, logo depois, transformar-me no diabo chato e prepotente que se acha dono da verdade.

Eu sou o que sou. E você? É o que é? Tem certeza??

2 comentários:

Camila Reis disse...

você é quase o raul e eu sou sua. sim, tenho certeza.

Brrrruna disse...

Esse texto eu já conhecia... Certo?
Blog continua excelente.
Beijo!