
É que a cabeça segue turbinada, mesmo querendo paz. Quem vê assim, até acha que realmente devo estar cercado de problemas. Na verdade, estou. Ou, creio que sim. A merda é que, talvez, não sou como a grande maioria, ou pense como ela (isso não me torna melhor, ok?) quando me acho no direito de me achar fodido, simplesmente por estar recheado de furúnculos internos me coçando e inquietando o tempo todo, saca? Cheio de pensamentos, com a cabeça a mil, todos querendo saltitar e, como se com inveja um do outro, serem evidenciados ao mesmo tempo. E eu querendo paz. A porra da paz que cismo em achar e, réu confesso, até curto quando ela me escapa entre os dedos, quando, pra variar, faço alguma merda, cutuco alguma onça, dou de pau em alguma colméia e depois me abocanho em lacrimejos mimados, mimadinhos. E quando digo que não penso como a maioria é por isso: eu ando cheio de dívidas vadias que parecem freqüentar surubas, orgias e bacanais dignas de fazerem inveja a monsieur Calígula, visto a facilidade que encontram pra prosperar, proliferar e multiplicar a todo o momento – dispa de seus argumentos – ando parecendo uma empada do belmonte: grande, gorda, branca e cara, meu cabelo ta sem corte algum, feio pra dedéu, meu quarto anda uma zona, todo cheio de cinza de cigarro, de livros, revistas e matérias espalhadas, maços para onde se olha, tem meia até no teto. Enfim, quero dizer que, talvez, se não tivese com alguns hellraisers entre o grosso e o delgado, e uns gasparzinhos entre os rins, de repente, na minha leviana concepção trôpega de enxergar la dolce vita, as coisas poderiam estar melhores sob a retina.
Dormi as 5 e, mesmo sob efeito de remédios, já to de pé agora, quase 8. Vá entender. Acho que foi o acúmulo de horas deitadas nos últimos dias. To ficando expert em inércia. Mas é que tive um sonho meio sinistro há pouco. Uns candangos do baixo clero, daqueles que nos fornecem substâncias que nos entopem de paz, invadiam super armados uma instituição da alta burguesia pra, digamos, tocar o terror. E aí, no sonho, meio que sem entender o porquê, eu estava dentro desta casa de ensino. E pensa bem: O que eu estaria fazendo dentro de uma faculdade? E ainda por cima, da alta classe de lord e senhoras burguesas? Nem os “Caçadores de Mitos”, da Discovery, seriam capazes de desvendar. Mas, voltando ao estado onírico, na hora que os meliantes começaram a música, onde a pick-up e os instrumentos usados eram fuzis, comecei a descer correndo umas escadas onde não fazia a mínima idéia de onde dariam. Só que eu não enxergava nada. Ou estava muito escuro, ou era noite, ou estava cego. Mas me recordo que fui tomado por um misto de adrenalina, raiva e medo. E diante disto, pensava: “ Porra, estes merdas vão querer me matar quando descobrirem que não sou rico, não tenho nada a ser roubado”. Pobre podia vir com cor diferente, né? Assim, seria poupado. Mas eu tava dentro de um sonho, e nessas horas é foda correr ou se movimentar. E eu tava, de fato, me cagando de medo sim. Eu ainda matutava: “Puta que pariu, alguém pode avisar à estes flameguistas que isso aqui é um sonho?”, mas o sonho era meu, e somente eu seria capaz de dar fim àquele perrengue. Enfim, eu só sei que continuava descendo como um insano aquelas escadas. E não enxergando porra alguma à frente. E nesse tempo, ficava oscilando entre o medo das balas pipocando, o receio de um possível estabaco, e, justamente por não estar visualizando nada, a porra de um pânico de dar, literalmente, com a fuça em algum muro e pôr fim a este belo rostinho. Só sei que cansei de descer as escadas sem destino e BUM, acordei no susto, socando a prede e chutando a prateleira de livros que fica sobre a cama (a mesma onde há tempos atrás foi bicada e fez João Antônio vir na jugular e Miller na mandíbula).
Saldo final: A mão, que jà não andava boa, dolorida e a unha do pé, uns 4 graus à oeste mais encravada.
Ando paradaço nas leituras, relapso total. Preciso parar de sair todos os dias e ficar mais em casa, lendo tudo que anda pendente. Talvez amadurecer o caraleo daquela idéia que há tempos me assola. Alguma maneira de fazer minha máquina girar, ir sobrevivendo sem auto-chibatadas ao fim do dia. Sei lá, andei alimentando de alpiste os gárgulas que me freqüentam. E agora, com a chegada da fútil e vazia festa da carne, não sei se terei um refugo ou uma caverna bem arejada pra tentar sobreviver a mais um período destes.
Mas isso não importa muito. Agora vou colocar meu coturno, amarrara a faixa na cabeça, encaixar o facão no coldre, encher o cantil de cachaça e subir de volta as escadas de meu sonho. Porque quem me conhece, sabe que uma das poucas coisas que valorizo é o sono. Então, alguém terá que pagar pelo meu sono perdido. Nem que seja em sonho.
Dormi as 5 e, mesmo sob efeito de remédios, já to de pé agora, quase 8. Vá entender. Acho que foi o acúmulo de horas deitadas nos últimos dias. To ficando expert em inércia. Mas é que tive um sonho meio sinistro há pouco. Uns candangos do baixo clero, daqueles que nos fornecem substâncias que nos entopem de paz, invadiam super armados uma instituição da alta burguesia pra, digamos, tocar o terror. E aí, no sonho, meio que sem entender o porquê, eu estava dentro desta casa de ensino. E pensa bem: O que eu estaria fazendo dentro de uma faculdade? E ainda por cima, da alta classe de lord e senhoras burguesas? Nem os “Caçadores de Mitos”, da Discovery, seriam capazes de desvendar. Mas, voltando ao estado onírico, na hora que os meliantes começaram a música, onde a pick-up e os instrumentos usados eram fuzis, comecei a descer correndo umas escadas onde não fazia a mínima idéia de onde dariam. Só que eu não enxergava nada. Ou estava muito escuro, ou era noite, ou estava cego. Mas me recordo que fui tomado por um misto de adrenalina, raiva e medo. E diante disto, pensava: “ Porra, estes merdas vão querer me matar quando descobrirem que não sou rico, não tenho nada a ser roubado”. Pobre podia vir com cor diferente, né? Assim, seria poupado. Mas eu tava dentro de um sonho, e nessas horas é foda correr ou se movimentar. E eu tava, de fato, me cagando de medo sim. Eu ainda matutava: “Puta que pariu, alguém pode avisar à estes flameguistas que isso aqui é um sonho?”, mas o sonho era meu, e somente eu seria capaz de dar fim àquele perrengue. Enfim, eu só sei que continuava descendo como um insano aquelas escadas. E não enxergando porra alguma à frente. E nesse tempo, ficava oscilando entre o medo das balas pipocando, o receio de um possível estabaco, e, justamente por não estar visualizando nada, a porra de um pânico de dar, literalmente, com a fuça em algum muro e pôr fim a este belo rostinho. Só sei que cansei de descer as escadas sem destino e BUM, acordei no susto, socando a prede e chutando a prateleira de livros que fica sobre a cama (a mesma onde há tempos atrás foi bicada e fez João Antônio vir na jugular e Miller na mandíbula).
Saldo final: A mão, que jà não andava boa, dolorida e a unha do pé, uns 4 graus à oeste mais encravada.
Ando paradaço nas leituras, relapso total. Preciso parar de sair todos os dias e ficar mais em casa, lendo tudo que anda pendente. Talvez amadurecer o caraleo daquela idéia que há tempos me assola. Alguma maneira de fazer minha máquina girar, ir sobrevivendo sem auto-chibatadas ao fim do dia. Sei lá, andei alimentando de alpiste os gárgulas que me freqüentam. E agora, com a chegada da fútil e vazia festa da carne, não sei se terei um refugo ou uma caverna bem arejada pra tentar sobreviver a mais um período destes.
Mas isso não importa muito. Agora vou colocar meu coturno, amarrara a faixa na cabeça, encaixar o facão no coldre, encher o cantil de cachaça e subir de volta as escadas de meu sonho. Porque quem me conhece, sabe que uma das poucas coisas que valorizo é o sono. Então, alguém terá que pagar pelo meu sono perdido. Nem que seja em sonho.
Torçam por mim.

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