terça-feira, 13 de outubro de 2009

Somos quem podemos ser.


Você é aquele que fura sinais.
Você é aquele que reclama das filas.
Você é o mesmo que rouba no jogo de cartas.
O mesmo que deu calote quando criança e arruma atestados para faltar ao emprego.
O próprio que falsifica assinaturas em benefício próprio.
Aquele que já pensou em matar a tia rica pra ficar com a herança.
O mesmo que se alegra ao receber troco a mais no ônibus.
Você é aquele que leva vantagem. Quer sempre. E mais.
Você é aquele que engana a esposa.
Que mente pro filho e omite informações.
Você dá propina a policiais. Vende o ticket que ganha da firma pra pagar cerveja.
Você é aquele que canta a menina quando percebe que o namorado foi ao banheiro.
Você se acha uma porção de coisas e se orgulha de vender as cortesias que ganha.
Você fica furioso quando um monte de velhos caminha lentamente à sua frente.
Você se irrita com o trânsito e, por isso, faz bandalhas.
Você falta a reuniões. Camufla documentos.
Você se ausenta quando convocado.
Você é aquele que dá em cima da vizinha. Mesmo conhecendo o marido dela.
Você é aquele que, jamais, em hipótese alguma, aceita a condição de uma possível insatisfação de sua esposa.
Você é aquele que bolina a sobrinha. Que tira sarro de adolescentes no metrô.
Você é aquele que dispara cantadas patéticas e chantageia quem lhe for de alcance.
Você é aquele que trai a mulher no almoço. E com qualquer uma.
Porque você se acha esperto e malandro. Você acha que as oportunidades foram feitas para o proveito próprio, custe o que custar.
Você é egoísta.
Egocêntrico.
Falso.
Moralista.
Falta-lhe caráter e personalidade. E, lá no fundo, você sabe disso.
Você é aquele que foge da sua imagem no espelho.
Você inventa festinhas corporativas para ficar até mais tarde com os amigos.
Sinceridade é algo que lhe falta. Contrariando totalmente seus pais que, com tanto custo, deram a vida por você.
Você transa sem camisinha e põe em risco a saúde de sua família.
Você é aquele que comemora as coisas, qualquer delas, mesmo sabendo que não vai aproveitar nada, que a vitória não é sua, apenas pelo fato de poder beber mais e comemorar mais, gandaiar mais, saracutear mais...
Você malha e se perde diante de sua imagem.
Você toma bomba pra usar camisa pólo apertadinha no braço.
Você usa camisa pólo.
Você tem tatuagem de tribal e de letra japonesa escrito “Harmonia”.
Você vai a shoppings aos Domingos e almoça na praça de alimentação.
Você dorme no sofá e ronca depois de beber.
Você assina canal a cabo pirata.
Você tem um carro pelo qual cuida mais que a si próprio.
Você atrasa o seguro. Você não paga em dia o IPVA.
Você ri dos que lêem livros, caçoa dos que curtem ópera, zomba de quem aprecia exposições e se orgulha de possuir sons completamente horrendos e ridículos.
Você assiste a filmes da moda. Você idolatra Hollywood e copia descaradamente famosos vazios.
Você tem a capacidade de aplaudir o espancamento de seres humanos, mesmo que eles tenham infringido alguma lei e tenham sido pegos.
Você barganha cultura, mas paga flanelinha.
Você não segura a porta do elevador mesmo sabendo que está vindo uma pessoa.
Você finge hora extra e desconfia de qualquer atraso de sua companheira.
Você tem um puta medo de ser passado pra trás.
Você se borra todo ao imaginar um outro cara em cima da tua mulher, mordendo-a, lambendo-a, usando-a, dando-lhe prazer enquanto ela geme alucinadamente e diz o quão gostoso você não é.
Você enfurece quando descobre.
Aí você quer ser violento, espanca-la, agredi-la, mas, no final, covardemente chora, se debrulhando igual um maricas.
E aí você resolve reconstruir sua vida, pautando-se na pseudo-experiência de que: “Mulher não vale nada.”
Você é fraco.
Você não vale nada.
Você é incapaz.
Desqualificado.
Você perde pra si mesmo.
Você passa a ter vergonha de si mesmo.
Você não se olha mais no espelho.
Você resolve assinar o contrato de otário quando, lá no fundo, você já sabia disso.
Você se perde quando vê a vida passando.
Você não serve nem pra arrependimentos. O tempo se recusa a curar qualquer ferida sua.
Tua sorte é que tem gente mais otária que você.
Você tem tanta sorte.

Relaxa, eu também!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Grandes histórias são feitas assim.
Não esqueçamos que somos passíveis das imperfeições e que graças a elas, cada um compõe seu destino e sua história.