terça-feira, 21 de julho de 2009

Tapa bem dado, em cheio.


Porra, o que está acontecendo? As coisas pararam de funcionar de uma hora para outra?

Pedi uma Brahma gelada e me apareceram com uma Skol quente e até onde sei, empada de camarão não leva carne. Chamei o gerente mas quem veio foi o flanelinha me cobrar por um veículo que não tenho.

Porra, o que está acontecendo?

Encomendei um pernil e me trouxeram um ovo de páscoa. Marquei consulta as 14 e meu nome só constava no horário das 18. Fui fazer um canal e o dentista me extraiu o siso, que eu nem tenho mais. Mas que merda, tô ficando maluco nessa porra?

Acordei um belo dia e minha namorada tinha me trocado por borboletas monarcas. Porra, trocado por borboletas? E das Monarcas? Não faço a mínima idéia do que venham a ser borboletas monarcas mas melhor que um sujeito como eu, elas devem ser.

Porra, o que que está acontecendo?

Meu vizinho tem um cachorro que só late de madrugada e um gato que não pára de me vigiar pela janela. Ambos, o tempo todo. Minha empregada ouve o dia inteiro uma rádio evangélica (ou crente, gospel, kardecista, qualquer merda destas) onde o pastor ( ou bispo, padre, líder, MC, chefe) fica berrando a chegada de Jesus ( ou Deus, Alá, Maomé, Madonna...) o dia todo. Porra, deixa o Cara em paz. Aliás, minha empregada mal fala comigo e quando eu ligo o rádio, ele não toca nada.

Porra, mas o que está acontecendo?

Nem me lembro da última vez que tive um sonho e o técnico do meu time cisma em jogar só com um atacante. Aliás, meus sonhos estão se esgotando e meu time não vence faz um mês.
Mas eu tenho fé. É a única coisa que me resta e o que ainda me faz bater com a cabeça por aí. É o que me segura e, apesar dos deslizes, me mantém com a postura curvada e o olhar no chão, evitando assim, qualquer contato com essa massa retilínea e padrão que vive lá fora. Um dia ainda irei erguer um castelo enorme. Uma fortaleza inacessível, só tendo acesso quem eu permitir. Quem se permitir. Pessoas puras e, principalmente, verdadeiras. Daquelas que sabem viver e possuem personalidade. O tipo que não mudará em função de outras. Daquelas que vão te abraçar quando mais precisar. Destas sim, deixarei entrar. Destas que carreguem leveza, pureza, clareza e certeza no olhar e caminhar. Que me cobrem apenas felicidade e sejam das que entendam que a vida é louca, que a necessidade de enlouquecer às vezes é fundamental, criando sim, aquela sensação de que a vida até que vale à pena. Que viva e não sobreviva. Que chegue feliz apesar das dificuldades e não com aquele olhar cansado, vazio, carregado e morto, de quem sobrevive diariamente.

Porra, mas o que que está acontecendo?

É muito “te entendo”, pra pouco “ te respeito “. É muita cobrança por resultados em dias que nem jogo tem. É muita pressão interna pra pouco gozo, muito investimento pra pouco resultado. Cansei. Tô achando melhor pegar minha vidinha vazia e feliz do que dividi-la com essa massa podre e patética com seus cotidianos em selvas fedidas e fodidas que ela, a massa, fez questão de entrar. Com essa gente falida de sentimentos bons e energias positivas. Esse antro exalando traições afetivas, montando-se em amizades que custam um porre mal lembrado ou uma foda meia-bomba sem explosões de prazer. Prefiro contar meus amigos em uma mão só, talvez menos, e tratá-los – e amá-los, gostá-los - à minha maneira do que praguejar encontros em noites tediosas e vazias onde todos ficam se olhando em sorrisos armados, invejando os vizinhos e suas loucuras, torcendo pra noite acabar e mendigando companhia.

Porra.....

Prefiro me conter por aí a soltar foguinhos antiácidos na barriga. Prefiro encarar e até encarnar minha velhice do que suscitar pseudo-juventudes por detrás de frustrações. Me dá até mais prazer soltar peidos embaixo do cobertor à sair correndo por aí e se agarrar a primeira decepção de esquina.

Porra, o que está acontecendo?

Me perdi do que queria dizer. Mas, foda-se. Era apenas pra falar que já acordei. Não me cobrem mais nada porque tô virando uma página pesada e, completamente, encharcada.

Um comentário:

Unknown disse...

Oi Daniel, gostei muito deste post. Um beijo, da Mel e não da Melissa. E a ditatura acabou em 82 ;)