
Nada mais democrático que vagão de metrô. O velho ao lado fede a cachaça. Da pura mesmo. Nem dez da matina e o indivíduo exala álcool pelos poros enquanto devora a sessão de economia do “ O Globo”. Contraditório?? Talvez não. De repente mais um que resolveu largar tudo, mastigar fumo e viver o resto da vida da maneira que sempre quis. Não já disse que existem pessoas que conseguem exnergar a beleza da vida? Ela não é tão má.
Pra quê tanto esforço?
Na outra ponta do vagão, uma gostosa. Daquelas que chamam a atenção. Bem arrumada, comportada, estilo executiva. Tailleurd bem passado, sapato alto, postura ereta e um belo cheiro. Destas que, certamente, dobrarão pescoços estáticos e preocupados apenas com seus umbiguinhos de latrina. Em mãos, curiosamente focada, lê atentamente “Ti ti ti”, cópia fuleira e mais barata da “Contigo”. Contraditório? Talvez não. De repente mais uma destas que se acomodam pela beleza – beleza esta, considerado pela massa, ironicamente, target do Metrô – e acham o suficiente pra garantir o que nem elas sabem. De repente mais uma desprovida de algo dentro da caixola que se preocupa apenas com a próxima micareta, baile funk ou festinha do fulano de tal – que ela insistentemente liga cobrando os convites que ainda não recebeu e que " não pode ficar de fora de maneira alguma, ouviu?"
Pra que tanto esforço?

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