quarta-feira, 10 de junho de 2009

Póstumas

Exigo indenizações. E quero cobrar meus direitos. A quem devo recorrer?? E com que direito?? E as noites em claro, a sós, onde perdi o sono ou assassinei todas as minhas economias com o álcool, este sim, capaz de me fazer esquecer de tudo, não lembrar de nada e, por fim, amém, Deus te abençoe, conseguir dormir? Sim, necessariamente nesta ordem.
Quem vai me devolver a paz e o sono perdido??
A culpa é de vocês. Eu não assinei porra de contrato algum com ninguém. Não prometi nada a ninguém. E assim, não mais que de repente, me aparecem cobrando e perguntando onde estão os louros da vitória?? A faixa de campeão?? O certificado de competidor?? Onde escondi os troféus e medalhas que me parabenizavam por essas porras todas e quaisquer criadas por vocês? Que jogo é este porra? Que disputa é essa? Eu não entrei em porra de combate algum. Volto a afirmar, eu não assinei contrato algum.
Eu procuro sim, a porra de encontrar um jeito, uma maneira com que (sobre )viva dignamente fazendo o que mais gosto. Isso sim, vem tirado meu sono. Isso sim, vem sendo responsável pelos litros de álcool e horas a mais nas ruas.
E foda-se seu carro zero do ano. Foda-se sua cobertura do Leblon. Você me convida pra sua festinha onde esbanja todo seu luxo. Em troca, eu me faço de embasbacado com tamanha beleza, tomo cerveja de graça e, se bobear, ainda dou uns pegas na tua filha ou esposa. É justo, não?
Você ostenta, eu sustento. Você desperdiça, eu aproveito. Você fala de sua viagem para todos os presentes. Eu a faço viajar com segredos ao pé do ouvido. Bate no peito e perde horas falando baboseiras sobre tua pulseira e relógio. Eu aproveito o tempo, falando sacanagens enquanto bato no bumbum dela. É justo. Nem vem que não tem. Você vive à sua maneira e me deixa aqui, na minha. Eu não lhe peço trocados e você não me pertuba.
Viu como é fácil sermos amigos??

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