Tem uma hora que tudo isso vai ter que acabar. E eu vou ter que voltar para aquilo que fui predestinado. Ontem assisti o documentário do velho Buk e hoje estou aqui deitado na rede lendo os ensaios que estão na edição original de "On the Road". Uma hora tudo isso vai ter que acabar. E não é assim, como os anos acabam, como uma festa acaba. Tipo não é assim com o táxi indo embora deixando alguém te acenando no retrovisor. É só assim, como o prenúncio de algo que está fadado a acontecer. Vi ontem nos extras do documentário o Velho Buk descendo as escadas, cumprimentando a esposa, afagando o gato e lendo alguns textos. Foram suas últimas imagens. É assim que tudo acaba. Então devo fazer o que tem de ser feito. Aquilo que sei que fui predestinado. Então não esperem de mim mais do que isso. As cartas que não enviei, os e-mails que não respondi, os textos que não li, e todos os convites que gentilmente recusei. Mesmo porque não sei fazer de outro jeito. Por isso ando até a janela, respiro e volto pra cá, pro meu lugar. É onde preciso estar. Quando tudo acabar.

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