segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Re-descoberta

Sabem o que eu descobri? Que, quando a gente se apaixona, a gente não se apaixona por aquilo que a pessoa é. A gente se apaixona por aquilo que a gente imagina que ela pode ser. A gente imagina que ela é aquilo que a gente gostaria que ela fosse. Por isso que acaba. Porque com o tempo e a convivência a gente vê a pessoa se distanciando cada vez mais daquele modelo que a gente tinha em mente. E aí o príncipe vira um egoísta, escroto, filho da puta. E a gente termina e chora. Chora porque, mais uma vez, não foi dessa vez. E toma pavor daquele cabra sem serventia. E isso se repete duzentas e tantas vezes, que uma hora a gente dá a sorte (ou o azar) de encontrar alguém que ache que a gente é aquilo que a gente não é. E essa historinha só acaba, quando dá preguiça e a gente casa.
Nada novo, tudo devidamente sabido mas perfeitamente adequado pro momento.
Tirado daqui, dessa moça que descobri por acaso.

Um comentário:

Bruna disse...

Conhece? combina perfeitamente com o texto

Você e o seu retrato

Por que tenho saudades de você, no retrato, ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?
Talvez por que o retrato, já sem o enfeite das palavras, tenha um ar de lembrança.
Talvez por que o retrato (exato, embora malicioso) revele algo de criança (como no fundo da água, um coral e repouso).
Talvez pela idéia de ausêcia que o seu retrato faz surgir colocado entre nós dois (como um ramo de hortência).
Talvez porque o seu retrato, embora eu me torne oblíquo, me olha sempre de frente (amorosamente).
Talvez porque o seu retrato mais se parece com você do que você mesma (ingrato).
Talvez porque, no seu retrato, você está imóvel (sem respiração...)
Talvez porque todo retrato é uma retratação...

Cassiano Ricardo