terça-feira, 19 de agosto de 2008

Paz do Caos

Paz. Silêncio. Uma espécie de respeito à Deus. Excesso apenas de calma e mosquito. O verde contrastava com nosso cinzento organismo. Uma vida que prometia bastante fama e luxo foi quebrada por uma alheia traição.


- Foi o melhor presente que Deus me deu. Nunca vi tamanha traição dar certo.
E concluiu: - Não desejava coisa melhor.


O sorriso estampado e dividido com a companheira, igualmente doce e tenra. A vida simples, a moradia simples, os hábitos e costumes simples. Um comportamento totalmente diferente de alguém que já viajou mundo afora.


Uma única cena, uma indescritível viagem e uma paz inenarrável.


Confesso que pela primeira vez na minha vida senti vontade de largar tudo e todos de imediato. O caos, os cães, os homens, os irmãos, os filhos, o céu, o inferno, a pseudo-paz, o estresse, os exames, os protocolos, relatórios, memorandos, levantamentos, a desordem, os imprevistos, os atrasos, os sucessos, os fracassos, a lama, a cama e tudo que sempre vem acompanhado de um ser humano.


A certeza de tudo daria certo e de que teríamos enfim acertado a dose e merecido nosso cantinho naquele lugar abençoado.


Pediríamos licença à Deus e nos acomodaríamos bem ali, sem fazer muito alarde ou ocupar muito espaço.


Tanta paz.


Tanto caos.


Pela primeira vez quis nunca mais acordar.

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