Fulana foi convidada para dar vida a um projeto jamais pensado na ocasião. Estando diante de tal desafio, não hesitou em aceitar mesmo sem saber por onde começar. A idéia do novo a motivava e pensando bem, não tinha nada a perder caso o projeto não vingasse. Arregaçou as mangas, exibiu a face e se pôs a luta. Punhos erguidos e cara esguia. Apanhava ou surraria quem viesse pela frente.
Nos primeiros meses, nos primeiros anos, supreendeu não só a quem lhe convidara para o desafio do projeto como também a si mesma.
Empolgante e agora mais confiante, tirava de letra os percalços que vez ou outra cismava em prostar-se. Acostumou-se a destruir barreiras e com gestos e atitudes derrubava qualquer pessimismo.
Acontece que como qualquer criança nova que fica exposta a bactérias, Fulana deixou-se infiltrar por um pequeno vírus. Inicialmente algo pequeno e sem muito perigo, pensava, mas que com o passar do tempo teimava em crescer e tomar forma.
O tempo passou e o tal vírus já dominava grande parte do projeto. Crescia cada vez mais. Sem saber o que fazer, Fulana foi lutando como pôde para combater tal ser. Ser este que resistia e conquistava passo a passo. Fulana foi perdendo as forças à medida que tentava não se entregar. Lutava, fraquejava, caía, empatava, sorria e chorava. Nada de vitórias. Hora se via fraca e prestes a tudo abandonar. Outrora via-se forte como nunca e partia pra cima.
Cansada de medir forças com algo mesquinho e insignificante mas capaz de sugar tudo de alguém, via-se a cada momento menos disposta e mais sozinha. Ninguém a ajudava ou fazia menção de algum esforço em prol...
Certo dia o vírus venceu. Sem ânimo e principalmente sentindo-se desvalorizada pelo próprio projeto que criou, jogou a toalha. Chorou, se rebelou, pulou, caiu e sem forças, não lutou.
O projeto??? Soube que tempo depois deixou de existir e nem sequer sabia o motivo. Apenas previa e desconfiava.
Sumiu do mundo e de todos. Ninguém mais sabia de Fulana.
Anos depois foi vista andando pela rua. Dizem que escondia um orgulho dentro de si, uma energia prórpria e que sorria para quem quisesse ver o quão feliz estava. Parece que pouco tempo depois coordenava uma equipe de desenvolvimento de projetos.
Ah! E como ela chegou lá?? Soube-se que era a única conceituadamente com experiência e competência para lidar com certos tipos de vírus e prever tais chegadas.
Voltou a sorrir e principalmente, voltou a ser!!

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