segunda-feira, 30 de novembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
decorando fugas

Tesão. Delícia. Sussurras em silêncio teus desejos. Fale ao espelho, te encare e se admita. Se vença, se ganhe, se orgulhe e te perdoe. A vida é muito mais que abraços vazios sob a cama morna. A ficha vem caindo e você se despedaçando em decisões arrependidas. Imploras o tempo perdido nas esquinas que antecedem tua chegada. Chora e sorri, confusa, lágrimas de felicidade e sorrisos inválidos. Vida cruel e cretina, mas prazerosa quando te rende às imaginações férteis que lhe povoam. As unhas roídas, dando fim a réstias daquele esmalte bege-morto, trocando confidências com a língua que, maliciosamente, umedece os lábios e alimenta a mente. Fugas intempestivas atropelando possíveis pensamentos de arrependimentos. A adrenalina se torna o sangue, o desafio se torna o ar, tudo em volta escurece e o caminho à frente é a única solução pra cura das pernas trêmulas, dos disfarces cada vez menos convincentes e da secura que esquenta teu corpo. Te libere, pague teu próprio resgate e venha...apenas venha.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
e neguinho continua fazendo merda...
Porra, se pararem de fumar ou diminuírem a quantidade de fumaça inalada, as pessoas vão viver mais. E vivendo mais, são mais pessoas no mundo. Já não tá dando assim, imagina se aumentarem a média de anos vividos por todas essas pragas que insistem em não ceder? E com mais anos de vida a todos, teremos mais guerra, mais egoísmo, mais confusões, estresses, discussões, aborrecimentos, roubos, assaltos, estupros, pecado, gula, luxúria e mais todas estas mazelas que nós, o câncer da natureza, somos capazes de “colaborar” com o mundo. Com mais semanas de vida, presentaaaaaaaaaaaço, hein, a nós dados, é mais bebida ingerida, mais alcoolismo, mais conta a se pagar, mais crédito, mais débito, mais perda, mais traições, mais enganos, mais pessoas sem caráter fazendo hora extra no planeta, mais multas, mais apitos, mais maconha, pó, crack, haxixe, skank e afins consumidos. Mais Zezé di Camargo, Belo, Xande, Ivete, Claudia Leite, mais mulher melancia, mais meninas da uniban, mais remédios consumidos, inventados, comprados, degustados, mais pílulas do dia seguinte, mais camisinha, mais gravidez, mais nenéns, mais adolescentes, mais adultos, mais velhos, mais gratuidade obrigatória, mais filas em hospitais, maracanas lotados, mais flamenguistas, mais fechadas em trânsito, mais ônibus cheios, pontos de ônibus cheios, mais senadores, advogados, engenheiros. E mais construções, mais desabamentos, mais tragédias, mais mortes, mais caixões, mais enterros, mais velórios, mais lágrimas, dor, sofrimento, revolta, mais revoluções, tiros, tumultos, mais boates, mais túneis, mais poluição, mais achismos, mais formadores de opiniões, mais sábios, mais fodões, mais búzios, mais salvador, mais ouro preto, mais floripa, mais argentinos, mais paulistas, mais mineiros, cariocas, mais brasileiros, mais sul-americanos, mais êxodo, mais imigrantes, mais balas perdidas, mais filhos perdidos, mais pais perdidos, mais descobertas, mais histórias, mais conflitos, mais igrejas, mais deuses, mais santos, mais decisões....Ufa, cansei. Tá vendo o que deu essa porra de lei do fumo. Deixem-me-nos morrer em paz. Ao menos isso, diante de tanto mais(es)....
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Impropérios injustos e o jorrar preciso do velho Buk...

Não é pessimismo, é realismo. Essa menina que trabalha aqui, passa por maus bocados, acorda às 4, pega buzum – precário, vale dizer – lotado, trabalha pra porra, sai às 17 horas e quando chega em casa, não pode tomar um banho pois tá sem água, não pode assistir uma TV em função da falta de luz e, ainda por cima, não pode nem cozinhar nada porque a bandidagem inflacionou o bujão de gás e proibiu a compra fora da comunidade. E ainda dizem que exageramos e querem que deixemos de ser pessimistas?
É foda. Mas enquanto brincarmos de faz-de-conta, acharmos que as coisas vão melhorar e de que é preciso ter fé e acreditar no tal deus, caminhamos descalços a passos largos rumo à ponte.
Mudando, mulher que lê Bukovski, eu não conheço. Sei que existe uma porrada, mas é que devo estar andando no lugar errado ou as tais andam acordando muito cedo e dormindo cedo, fazendo com que vague por aí sem chances de encontrá-las. Mas é foda, é maneiro. Mulher identificar poesia, literatura e talento nas letras do velho, vale até uma rodada inteiramente grátis. E se, ainda por cima, pousar nua com um livro do devasso entre as pernas, Santo Deus, é de causar paudurescência pra caralho. Foi o que fez a Fernanda Young no ensaio da playboy.
Maneiro saber que, apesar de todas essas desgraças acontecendo, de todas os golpes tomados diariamente, das porradas mal dadas, mal recebidas, mal digeridas, de tudo isso enlouquecedor que chamamos de cotidiano, mesmo assim, determinadas atitudes me fazem crer que, no fundo, fundo mesmo, ainda restam coisas maneiras e aplaudíveis.
Buk deve estar feliz, socando uma punheta, soltando gemidos e brindando com o companheiro capeta as glórias que ainda irá receber.
Uma garrafa de hipocrisia, por favor.

Saí de casa e levei uma “baforada” de monóxido de carbono de um carro na rua, onde o motorista bebia uma latinha de cerveja e esbanjava um adesivo “ Lei Seca. Eu apoio”, e ainda teve a ousadia de jogar papel de biscoito pela janela do carro.
Cheguei ao metrô e tive que gladiar com os demais semelhantes em busca de uma posição, no mínimo, digna de quem pagou o bilhete. A meu lado, um indivíduo deixava sair de seu ultra-super-celular, um funk de nível baixíssimo. No banco de idosos, várias ninfetas e suas periquitas saltitantes conversavam sobre TV, Msn e micaretas, enquanto os velhos contavam apenas com suas bengalas para não cair. Dentro do vagão, o ar não funcionava e se não fosse a falta de gel e o roupão branco, jurava que me encontrava dentro de uma sauna à espera da moçinha educada e gentil que me faria massagem e me mostraria que a vida até que vale. Ao chegar ao destino, com 12 minutos de atraso, vale ressaltar, quase fui atropelado por um carro que avançou o sinal vermelho. Procurei em volta um guarda, mas o mesmo estava dialogando animadamente com um camelô, que o aconselhava sobre filme X ou presente Y. Cheguei ao trabalho e a recepcionista me entregou um documento que me chegara, do Detran. Curioso, abri. Lá dentro, uma multa por excesso de velocidade de um carro que vendi a, exatos, nove anos atrás e que nunca esteve em meu nome.
Tentei relaxar. Tomei um café e abri o jornal. “Na capa, em fonte alta: “Bandido Paspalhão do Morro do Chocolate, liberado após falta de prova”, ” Governo estuda aumentar o imposto X”, “ Idoso morre na fila de hospital, enquanto esperava atendimento, após 12 horas em fila”, “ Paulo Coelho ganha o prêmio internacional XYZH”, “ Ninguém segura o Mengão: 2 X 0 no Bangu”, “ Jovem morre atropelada por motorista alcoolizado”, “ Família feita refém por marginal drogado”, “ Artista que lutava contra a desigualdade é assassinado”, “ Cantor de pagode leva 100 mil pessoas ao show”......
Desisti de viver e fui fumar, mas fui alertado por um colega de que é proibido e que eu corria o risco de ser preso.
Que sorte a minha ter um colega assim, pensei.
Procuro AP

Bolsa-celular, bolsa-escola, bolsa-família, bolsa-cachaça, bolsa-cigarro, bolsa-mau-humor, bolsa sorriso, bolsa boteco, bolsa-blues-rock-mpb, bolsa-dinheiro, bolsa-cartão-de-crédito, bolsa-cú, bolsa-boquete, bolsa-tapa-na-bunda, bolsa-puxão-de-cabelo, bolsa-toma-safada, bolsa-gozada-na-cara, bolsa-não-enche-o-saco, bolsa-metrô-vazio, bolsa-vasco, bolsa-pistola, bolsa-drogas, bolsa-não-apagão, bolsa-carteira, bolsa, bolsa e bolsa.
Exigo meus direitos. Como mero e reles contribuinte, quero deixar claro que meu direito de preferência também deve ser respeitado. Como cidadão – independente do nível social, econômico e político – desejo ostentar a medalha de carioca e brasileiro. Por fazer parte do mundo, quero ter o direito a todos os benefícios e facécias que aos outros são designados. Informo que procuro imóvel em favela onde não seja necessário o pgto de água, luz, gás e IPTU. E que o mesmo, seja próximo a uma birosca que aceite todos os tais programas citados acima. Aproveito pra também informar que, em função de inúmeras vantagens que nosso poderoso governo oferece a todos, não trabalharei pra não ter que acumular dívidas e assim, minimizar os custos do país. Ficarei em casa o dia inteiro usufruindo das artimanhas milagrosas que a nós são oferecidas, justificando assim o slogan: Brasil, o país do futuro. Ah, vou pagar com RioCard.
Porque é aquela coisa que volta e meia falam e que me deixa pensativo. Porque uma hora ou outra, não agüentam a “pressão” e desandam. Em paralelo, nem deixo de concordar. Levar a vida ao lado de um advogado, um engenheiro, um gerente de banco ou coisa que o valha, sem dúvida alguma, é bem melhor que por cá do lado. A vida é mais mediana, leve, sem muitas oscilações ou controvérsias e sinais de perigo e alarme tocando quando as contas chegam. E emoção – até porque é melhor não comprometer o coração com batidas descompassadas e nem exigir muito do cérebro que precisa estar a mil pro início da semana - só quando assistem aquele DVD água com açúcar no final da tarde de Domingo após voltar da visita da sogra, um abraço no sogro, uma leve discussão sobre o cunhado, um ciuminho da cunhada e, pronto, tá tudo certo. É óbvio que é muito mais fácil um passeio no shopping pra comprar um sapato, uma blusa social, aquele novo aparelho de celular e, pra fechar com a tal chave de ouro, um lanche do MC Donald´s na praça de alimentação. Diz pra mim: é ou não é uma vida de causar inveja???
Com o tempo, relaxa e fica geléia, de nada vai adiantar ser um puta companheiro, um excelente amigo, amante, homem, mulher, amigo, amiga ou qualquer coisa que também entre no quesito de valor, se a única satisfação e certeza é a insatisfação.
No fim, é tudo igual. Um bom livro, uma garrafa, um blues e você. Esse quarteto fantástico, capaz de causar inveja a quase ninguém que, por ousadia, tente vaticinar algo.
Mas, me diz, quem se importa??
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um guaravita, por favor.
Porque ao mesmo tempo que, sem reclamar, dou cigarros e moedas à esses moleques de rua, pensando que só assim, quem sabe, como ratos, se disseminam, aniquiliam, se contaminam (como eu) e vão-se embora mais cedo, deixando-nos livre dessas pestes, também tenho, às vezes, vontade de pegá-los pela camisa (quando os tem) e falar: “Porra, moleque. Tu não enxerga isso? Não enxerga que eles querem isso? Que vocês se matem? Que a gente se mate? Não possuem o mínimo de noção em ver que eles estão pouco se lixando pra vocês? Quanto menos, melhor?”Fico indignado e entendo que não tiveram suporte psicológico, familiar, ninguém que servisse de algum tipo de alicerce para que observassem a situação em geral. Entendo que são vítimas e reféns – assim como nós – dessa maquinaria toda que existe por trás de promessas de melhorias e sorrisos na face. Compreendo que cresceram assim, tendo como base “heróis” que remam na contramão, contraventores de esquinas que se vangloriam por qualquer moeda excedente, fazendo-os crer que somente cenas assim, ações do gênero e atitudes similares é que os fazem ser vistos. Precisam de uma luz de palco neles e somente assim, conseguem.
Mas, porra, custa tentar fazer um mero esforço e adivinhar que querem que ajam assim? Que o cara que cheira, que esfola a porra do organismo no crack, que entope de benzina a mente, que alimenta o vício enganando a fome, é, na verdade, a peça principal pra que as coisas continuem assim? É o pseudo-ator que, nas cenas em que gesticula, o fazem crer que a “onda” é essa, que a “glória” e a salvação estão nos passos que dão? Porra, atitude companheiro, atitude!!!!!
Tente fazer o inverso, tenta de alguma maneira caminhar em outra direção, quem sabe assim, fodendo os de lá de cima, reais donos de todas as mercadorias por ti – nós? – consumidas. Dá a cara pra bater, o bote, o “perdeu”, o “ não reage” e o “fica quieto” neles, não em nós – eu e você – todos vítimas e alvos deles, sem exceção.
É foda dar o primeiro passo na direção contrária quando a massa toda vem em sua direção. É punk remar contra, tendo apenas como escudo a porra do remo manual, enquanto a cidade pulsa cegueira corporativa e te engole, te atropela, te amassa e te cospe nos bueiros e canteiros da esquina. É triste a admissão dos pontos perdidos.
Mas, foda-se. Quem sabe um dia, quando pararmos de apontar nossos fuzis um ao outro, quando quebrarmos os espelhos e decifrarmos que por trás deles existe vida, quando ousarmos audácias em gestos abusados, re-mirando e re-buscando os verdadeiros alvos atrás de babacas engravatados dando segurança a imbecis egoístas que reinam sentados em frente ao ar-condicionado enquanto fumam charutos e arrotam espumantes, a gente não dê a demão final, deixe as porras das máscaras caírem e mostre que, apesar da cara de babaca e da bunda na janela, ainda temos parcos pensamentos em prol de um todo.
A decisão final será nossa, só nossa.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Literatura assassina sob sons e gemidos.
Bortolotto veio no estômago
Kurt Vonnegut me atingiu na cintura.
Caio Fernando, maliciosamente, triturou meus pés.
Reinaldo Moraes e Mutarelli praticamente acabaram com minhas canelas e batatas da perna.
Hunter Thompson veio direto no queixo, rindo de forma sarcástica, caçoando de minhas dores, alucinadamente chacoalhando meus últimos suspiros.
Apesar de tudo, eu ia agradecendo por, ao menos, estar enxergando toda a cena quando, pra finalizar a ação conjunta, Kerouac e sua trupe, de forma irônica e trôpega, decretaram o fim da diversão me fazendo apagar a retina e tudo que um dia guardei na cachola.





