quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Mais um da série: " Queria ter escrito isso, porra!!!"
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Inestimada Dona Laurinda

Luiz é esquizofrênico e possui tiques nervosos, faz caretas inconscientemente e anda meio de lado, quase caindo. Tudo isso é reflexo da quantidade de drogas que ele usou na infância. Luiz ainda é “novo”, deve beirar seus 35, 36 anos e, óbvio, é desempregado. Fica andando por aí, miserando pequenos vícios aos transeuntes que circulam.
Devido à sua postura, em grande parte das vezes assusta as pessoas. Eu já me acostumei mas quem não o conhece, se amedronta. A meu ver, sem motivo algum.
As pessoas também assustam. Os considerados “normais”, também assustam. Soa hipocrisia sob minha visão. Também me assusto quando vejo a loira do 204 indo à praia. Ainda mais quando cisma em colocar somente aquele minúsculo biquíni de cor bonita, indo de encontro aos moldes de seu corpanzil. O mauricinho do 701 também me assusta quando coloca aquele som alto em seu carro. As letras são medonhas e a dançinha que ele faz com a cabeça, no mínimo, petulante. A filha da síndica é outra. Seu vestuário deixa pra trás qualquer abre-alas de escola de samba - que tenha em seu enredo o conceito: ridículo - no chão. O namorado dela caminha junto. Suas camisas de micaretas, com patrocínio da FM o dia, aliado àquelas tatuagens de dragão feroz, pitbull nervoso e tribais: “felicidade”, “ paz e amor” e “Jesus tá vindo”, fazem deles, juntos, um quadro vergonhoso e serial killer.
Mas voltando ao assunto, Dona Laurinda insiste em afirmar que enquanto prosseguir dando cigarros para o Luiz, eu não o estimularei a parar com tais atos mendigantes. Largo um suave e prozaico: Foda-se, orientando-a a perguntar a ele se o mesmo deseja cessar com tais gestos. Que mania mafuá, caraleo!! Aliás, Dona Laurinda mesmo me causa arrepios. Certa noite, vindo de uma festa mamadão de cachaça, entro cambaleante pela portaria que nem bolinha de pinball. Derrubei um quadro tosco e cafona da parede direita e, pra não cair, me equilibrei nas samambaias que se postam do lado esquerdo, desfolheando-as todinhas, quase praticando uma mini cirurgia gangrenar nas coitadas. Odeio plantas. São sem graça. Não se mexem, não falam, não andam, não chamam a atenção, não fumam. Não-nada. Nadaoriginalins Sem Graçis PraDedéu. São iguais a peixes e pássaros. Não fazem nada a não ser, nada. Se sumirem do planeta, pouca gente vai dar falta. Quer apostar?? Mas, continuando, quase chegando ao elevador, escuridão de dar medo a qualquer panteão, sinto um vulto prostrado no banco do corredor que dá no hall dos elevadores quando percebo aquele pedaço de Ângela Bismarchi atropelada com Elke Maravilha às avessas, vindo em minha direção. Ahhhhhhhh!!!! Porra, Dona Laurinda. Tá tarde, o que a senhora faz acordada a essa hora e aqui. Porque não está em casa deitado na barriga de seu marido? Deu-me um susto. Tentei me manter sóbrio mas foi em vão. Ela sente o odor etílico invadindo o ambiente e, como se fosse a coisa mais normal do mundo àquela hora, ela solta: Não entendo como você continua dando cigarros ao Luiz. Ele já sofreu muito com as drogas e, fazendo isso, você só alimenta o vício dele. Mas que merda, eu também não entendo como o marido dela a agüenta esse tempo todo ou passo a entender porque no lixo deles, reina sempre caixas de caninha 51 e conhaque. É o único jeito, concluo.O elevador chegou e me despedi de Dona Laurinda com um simpático: Boa Noite senhora. Durma bem e que a paz lhe acompanhe. Sou um gentleman nas horas bêbadas. Mesmo após o susto da septuagenária, consegui sustentar um pouco da educação infantil de subúrbio e me despedi de forma honrosa. Mas, enfim. Continuarei fornecendo cigarros e álcool pro Luiz quando o mesmo me encontrar. Acho que faço um bem pra humanidade. A cada cigarro doado, é um dia a menos dele na face desta obscura terra. De que adianta o lamuriado fazer hora extra por cá, infeliz, sem poder desfrutar do pouco de vício que lhe resta? Acho mais válido e digno, prestar-lhe o favor de diminuí-lo nesse martírio em que vivemos e ainda alegrá-lo. É tão sincero o sorriso de um drogado. É real, intenso, mágico e delirante. Me sinto bem quando cometo tal ato. Te juro. É mesma coisa quando saio do almoço tomando meu diário mate. Basta eu sair da galeria e me vejo com dezenas de muleques de rua implorando:
Ah, que coisa chata e sem graça. Tons pastéis acinzentados dão mais glamour e valorizam mais nossas vidas. Que venham mais camundongos, ratos, ratazanas. Que portem seus fuzis e de forma sorrateira, invadam de forma contínua os palácios da cidade e seus indivíduos alheios a tudo. Que prossigam com seus teatros de terror, furtando, roubando, assaltando as Donas Laurindas da vida e seus filhos de plásticos. Que sacuda tudo isso e mostre a Ele que uma descarga lá de cima é mais que urgente. Põe todo mundo pra nadar. Salve-se quem puder. Só sei que me sinto bem alimentando os pueris sonhos desses pequeninos animais. Faz bem a flora, a fauna e a todos nós. Tons pastéis e branco acinzentado serão o must da próxima estação. Você vai ver.
Agora, deixa eu ir que o Luiz já me viu do outro lado da rua e tá chegando pra me pedir mais cigarro.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Fight

“Meus heróis morreram de overdose...”
Teria Cazuza conhecido os betniks?
Lobão teve conhecimento de Ginsberg?
Raul leu algo de Kerouac?
Mendigos nos enganam esse tempo todo e, sem que saibamos, já devoraram e arrotaram Burroughs?? Reinaldo Moraes?? Corso?? Hemingway??
Peréio, de fato, engoliu Bukovski??
E eu??
Tentando rebolar e encontrar uma forma de me inserir nesse meio sem agredir aos inocentes cegos que não ficaram em casa. Ao mesmo tempo, lutando pra não perder – e tentando manter ( ou ambos os dois ) a essência.
Senão, desfunciono e os mafungos passam a tornar-se amiguinhos diários, cotidianos.
Vou descobrindo ídolos marginais à sociedade. Afeição para o “errado”??
Quem garante??
Baseado em quê??
Baseado de quê??
Quem disse??
Quem tá certo??
Ninguém. Todos.
Aprecio a coragem e a ousadia em tentar fugir dessa merda toda.
Niilismo puro? Puto? A saber...
Pseudo-altruísmo??
Ou bagos ao molho??
Eu não sou besta pra tirar onda de herói...
Me dê a corda. Acorda, irmão.
Já nascemos apanhando do médico. Tomando porrada de desconhecidos e, quando reagem, queremos bancar o herói??
Aprender a reconhecer a derrota, admitir o erro é que é a questão. Depois, realoca-se no lugar devido. Mas antes, não. Inexiste. Fato.
Sábio malandro é aquele que consegue caminhar se equilibrando nessa corda de incertezas sem cair, deixando boquiabertos os ademais. Pulsando nas veias, piscando na testa: “ Como ele consegue??”
Que a queda é inevitável, creio que sabemos. A manha é permanecer o maior tempo em cima dela.
E o sentimento escolhido para hoje é...
Hi People.
Ensaio matinal
Manja esse clip do Pink Floyd, em que as pessoas aos poucos vão se transformando em carne moída? Pois é, entre 10 e 11 hrs é essa a cena que aparenta quem entra na estação Central do Brasil, no Rio. A prole é foda. Pra eles, deve ser pica das galáxias. Qualquer triturador de carne humana deve ser melhor que chegar ao trabalho.
ô ânimo.
Fé?

Sabes?
É preciso ser forte.
Ter sorte.
Alguém que aporte. Aposte.
Pra somar.
Paz dar.
Incentivo sem pedir abrigo.Ser arisco sem pensar no risco que é viver.
Viver é isso.
Um lixo.
Um luxo.
Ser homem de não seguir o fluxo.
Sem olhar pra trás.
Sem ré. Seguir a maré.
Amar é,
Nos amar.
E amar nossos gestos e atitudes.
Sem grau de desespero nem referência de latitude.
É o vencer pessoal sem perder a juventude.
É ser refém do desdém, não da nota de cem.
É o diabo, caraleo.
Não, é não!!!
Não.
Não quero saber se está perto do meio ou do fim. Tá bom pra mim assim. No meu cantinho de soslaio. De sopetão, a ponta da língua exibe: NÃO!!!
Não parei pra perceber em que merda tô metendo ou não. Não quero. Digamos que estou de férias e pensamentos não me caem bem. Principalmente pela manhã. Por enquanto a merda tá macia e o seu cheiro não insulta nojo.
Nojo tenho de vocês e seus julgamentos e facilidades com rótulos. Nojo eu tenho de mesquinhas atitudes de indivíduos que se acham capazes de coisas que, na cabeça deles, consideram fodas, merecedoras de aplausos.
Asco de inúteis pensamentos.
Simples assim.
Réstias vagas da memória de um bêbado
- Vamos fazer uma continha?
- Claro, amor. Deixa-me só pegar um lápis, papel e calculadora.
* Preocupada com o estado de saúde e com o estresse cotidiano, Dona Crônica, aflita, indaga ao Dr.:
- Me fala Dr., o que tenho? É para me preocupar?
E o médico com cara reticente completa:
- Seu problema é crônico.
* O marido desconfiado da empolgação e da vestimenta mínima da lépida esposa, emenda:
- Para onde a senhora vai assim, toda prosa???
- Ai, como você é ciumento, Proso.
* Sr. Corcel pita com amigos enquanto, todo faceiro e orgulhoso, mata uma pinga. De repente ouve:
- E teus filhos Sr. Corcel, como vão?
- Ah!!! Meus filhos são meus orgulhos. Amém.
E segue:
- O mais velho mora no Nordeste e vive de música regional. É famoso por lá. É o Cordel.
Nossa. Deve ser mesmo motivo de orgulho pro Sr.
- O mais velho se meteu com esse negócio de TECOLOGIA e foi morar nos EUA. É conhecido no mundo todo. É o Corel.
* É tarde da noite e a discussão rola solta em família. O primo VERBO desafia o primo VERSO:
- Sem mim, você não vive.
E o VERSO, ironicamente, reage:
- Claro que vivo. AMOR, CÉU, VIOLÃO. COR, PASTEL E CORAÇÃO.
Revoltado, o primeiro abandona o recinto berrando:
- COMO VOCÊ É FALSO!!!
* Um casal apaixonado vaga pela Lapa numa chuvosa e deserta madrugada de segunda-feira. No carro, um casal:
- Diz a lenda que nunca mais se desgrudaram desde a primeira vez que se viram. Diz o marido.
- Sério? Que bonito. Como se chamam?. Indaga a esposa.
- Boemia é o senhor. A mulher é a poesia.
* O rato e a rata estão saindo e se conhecendo. No final da noite, não muito empolgado com a rata, o rato sem vergonha alguma dispara:
- E aí, vamos ratear???
* No interior, um caipira cruza com outro que sai de casa.
- E aí, firme??
- Não. Ainda tá na novela.
terça-feira, 18 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Ah, porra. Tô tentando.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Se isso não for poesia....
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados
Dessas sementes mal plantadas
Que já nascem com caras de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo
Que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça.
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade






