quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mais um da série: " Queria ter escrito isso, porra!!!"

"Pois é, tão morrendo aos poucos. Eu não sei direito o que aconteceu com eles, não foi nenhuma gripe mutante ou doença sexualmente transmissível, não, é o tempo que ta tentando enganá-los de que eles valem alguma coisa. O problema é que os critérios do tempo são um bocado estúpidos. Não são os critérios de uma coroa bêbada que flerta, ingenuamente, com jovens poetas bobos. Nem os de um homem que escreve poemas no banheiro do trabalho. Não são os critérios daquela mulher que, com um bar lotado, escolhe o cara mais triste pra ajudá-la a ir na calçada vomitar. Os critérios do tempo não são cruéis. E eles tão acabando com meus amigos. Transformando eles numas bichinhas, sério, os caras tão se fodendo e eu já nem tento mais ajudar. Porque corro o risco de ouvir alguma coisa profundamente perturbadora. Espirros como estar dolorido porque, sem querer, adormeceu no sofá enquanto assistia uma boa comédia romântica. Ou que não vai sair porque já está tapado, com pantufa nos pés e uma lasanha no estômago. Sério, eles tão tudo morrendo. Então mãe, a senhora não precisa se preocupar comigo aí de onde tu ta, pensa nos teus problemas. Do jeito que as coisas vão eu já não terei companhia pra acordar num navio cargueiro de lixo rumo ao porto de Rio Grande e não se lembrar de nada. E nem pra dividir uma cartela de benflogim ou o caralho. Sério, meus amigos tão morrendo, virando viados, doloridos. Não se dão conta que é assim que eles se tornam o que não querem ser. Tão tomando chá verde pelas tabelas, transando com jogos de tabuleiros, jogando paintball nos domingos e sonhando com grandes pilotos da fórmula 1. Vocês conhecem algo mais cuzão do que paintball e grandes pilotos da fórmula 1? Eu não. Mas eles seguem, sem se dar conta, contrariando necessidades. Eles já não sabem que isso tudo, depois de um tempo, fica incurável. Que se alastra até atitudes “pau moles” pra caralho como foder de meia e empolgar-se com o último disco do Frejat. Eles não sabem que se divertir não é a prioridade dos caras que bebem sozinho."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Inestimada Dona Laurinda


A Dona Laurinda sempre reclama quando forneço um cigarro pro Luiz, parasita do 101. Diz que eu alimento o vício dele. Ué, o que ela tem a ver com isso? O cigarro é dela? O pulmão é dela? É filho dela? Então porque ficar tomando conta da vida dos outros?
Luiz é esquizofrênico e possui tiques nervosos, faz caretas inconscientemente e anda meio de lado, quase caindo. Tudo isso é reflexo da quantidade de drogas que ele usou na infância. Luiz ainda é “novo”, deve beirar seus 35, 36 anos e, óbvio, é desempregado. Fica andando por aí, miserando pequenos vícios aos transeuntes que circulam.
Devido à sua postura, em grande parte das vezes assusta as pessoas. Eu já me acostumei mas quem não o conhece, se amedronta. A meu ver, sem motivo algum.
As pessoas também assustam. Os considerados “normais”, também assustam. Soa hipocrisia sob minha visão. Também me assusto quando vejo a loira do 204 indo à praia. Ainda mais quando cisma em colocar somente aquele minúsculo biquíni de cor bonita, indo de encontro aos moldes de seu corpanzil. O mauricinho do 701 também me assusta quando coloca aquele som alto em seu carro. As letras são medonhas e a dançinha que ele faz com a cabeça, no mínimo, petulante. A filha da síndica é outra. Seu vestuário deixa pra trás qualquer abre-alas de escola de samba - que tenha em seu enredo o conceito: ridículo - no chão. O namorado dela caminha junto. Suas camisas de micaretas, com patrocínio da FM o dia, aliado àquelas tatuagens de dragão feroz, pitbull nervoso e tribais: “felicidade”, “ paz e amor” e “Jesus tá vindo”, fazem deles, juntos, um quadro vergonhoso e serial killer.
Mas voltando ao assunto, Dona Laurinda insiste em afirmar que enquanto prosseguir dando cigarros para o Luiz, eu não o estimularei a parar com tais atos mendigantes. Largo um suave e prozaico: Foda-se, orientando-a a perguntar a ele se o mesmo deseja cessar com tais gestos. Que mania mafuá, caraleo!! Aliás, Dona Laurinda mesmo me causa arrepios. Certa noite, vindo de uma festa mamadão de cachaça, entro cambaleante pela portaria que nem bolinha de pinball. Derrubei um quadro tosco e cafona da parede direita e, pra não cair, me equilibrei nas samambaias que se postam do lado esquerdo, desfolheando-as todinhas, quase praticando uma mini cirurgia gangrenar nas coitadas. Odeio plantas. São sem graça. Não se mexem, não falam, não andam, não chamam a atenção, não fumam. Não-nada. Nadaoriginalins Sem Graçis PraDedéu. São iguais a peixes e pássaros. Não fazem nada a não ser, nada. Se sumirem do planeta, pouca gente vai dar falta. Quer apostar?? Mas, continuando, q
uase chegando ao elevador, escuridão de dar medo a qualquer panteão, sinto um vulto prostrado no banco do corredor que dá no hall dos elevadores quando percebo aquele pedaço de Ângela Bismarchi atropelada com Elke Maravilha às avessas, vindo em minha direção. Ahhhhhhhh!!!! Porra, Dona Laurinda. Tá tarde, o que a senhora faz acordada a essa hora e aqui. Porque não está em casa deitado na barriga de seu marido? Deu-me um susto. Tentei me manter sóbrio mas foi em vão. Ela sente o odor etílico invadindo o ambiente e, como se fosse a coisa mais normal do mundo àquela hora, ela solta: Não entendo como você continua dando cigarros ao Luiz. Ele já sofreu muito com as drogas e, fazendo isso, você só alimenta o vício dele. Mas que merda, eu também não entendo como o marido dela a agüenta esse tempo todo ou passo a entender porque no lixo deles, reina sempre caixas de caninha 51 e conhaque. É o único jeito, concluo.O elevador chegou e me despedi de Dona Laurinda com um simpático: Boa Noite senhora. Durma bem e que a paz lhe acompanhe. Sou um gentleman nas horas bêbadas. Mesmo após o susto da septuagenária, consegui sustentar um pouco da educação infantil de subúrbio e me despedi de forma honrosa. Mas, enfim. Continuarei fornecendo cigarros e álcool pro Luiz quando o mesmo me encontrar. Acho que faço um bem pra humanidade. A cada cigarro doado, é um dia a menos dele na face desta obscura terra. De que adianta o lamuriado fazer hora extra por cá, infeliz, sem poder desfrutar do pouco de vício que lhe resta? Acho mais válido e digno, prestar-lhe o favor de diminuí-lo nesse martírio em que vivemos e ainda alegrá-lo. É tão sincero o sorriso de um drogado. É real, intenso, mágico e delirante. Me sinto bem quando cometo tal ato. Te juro. É mesma coisa quando saio do almoço tomando meu diário mate. Basta eu sair da galeria e me vejo com dezenas de muleques de rua implorando:
- Me dá um pouco aí, tio?
- Coe, Tio, na humildade e no proceder, será que você pode me dar um pouco desse mate?
- Aí, parceiro, tem condições de me pagar um mate “desse”?
- Senhor, com todo o respeito e sob a luz divina ( juro que já ouvi isso), teria condições de me dar o que o senhor não vai beber??
Ah, a humanidade e suas reles criaturas. Como ele sabe que não vou beber? Ou, porque desconfia disso? Se comprei o mate, no mínimo, é porque penso em bebê-lo. E ainda dizem que a educação não chega aos mais humildes. Como ousam? É muita educação pra pouca beleza. O Rio deve causar inveja no Primeiro Mundo. Duvido que por lá existam moradores de rua. E, se existirem, que chegam a esse patamar de educação. Pois bem, após tomar num só gole metade do copo, dôo de forma exemplar, civilizada e de conduta aplaudível, a segunda metade de meu mate a eles e começo a assistir as cenas de embate e vale-tudo. É tudo de bom. Eles se debatem como frangos à beira dos tonéis quentes. Trocam socos e galanteios impronunciáveis enquanto assisto a tudo parado, abismado e encantado com a imagem. Circo de Soleil que se cuide. Matéria prima nós temos, resta ensinarmos a arte e pra que ela serve. Mas voltando, ao dar cigarro ao Luiz, me sinto motivado e útil à sociedade. Um dia a menos pra ele. Pros camundongos de rua, digo, pros “dimenor”, tenho a sensação parecida. Dando-lhes de comer, sinto-me alimentando-os de esperança e fazendo com que continuem sobrevivendo. Só assim pra que eles continuem a me encher de cenas de um futuro melhor, tipo essa balela de criança esperança, sabe? e achar que isso tudo vale a pena. Cá pra nós, é bem melhor do que se vivêssemos em ruas arborizadas, sol cintilante, dondocas em pleno vapor destinando-se aos shoppings, os mauricinhos com seus músculos torneados em academias caras, as patricinhas em seus salões de elite, pintando as unhas, fazendo luzes, cílios, camuflando as rugas, mapeando as celulites, os restaurantes lotados de gente classe A, os senhores em seus charutos cubanos, em seus papos sobre a bolsa, as esposas comentando a última estadia em Londres, Parrí, Bruxelas, NY, Miami, Califórnia, as crianças, saudáveis que só, indo e vindo, comendo sorvete caramelizados com flocos crocantes e distraindo-se em seus portáteis de última geração...
Ah, que coisa chata e sem graça. Tons pastéis acinzentados dão mais glamour e valorizam mais nossas vidas. Que venham mais camundongos, ratos, ratazanas. Que portem seus fuzis e de forma sorrateira, invadam de forma contínua os palácios da cidade e seus indivíduos alheios a tudo. Que prossigam com seus teatros de terror, furtando, roubando, assaltando as Donas Laurindas da vida e seus filhos de plásticos. Que sacuda tudo isso e mostre a Ele que uma descarga lá de cima é mais que urgente. Põe todo mundo pra nadar. Salve-se quem puder. Só sei que me sinto bem alimentando os pueris sonhos desses pequeninos animais. Faz bem a flora, a fauna e a todos nós. Tons pastéis e branco acinzentado serão o must da próxima estação. Você vai ver.
Agora, deixa eu ir que o Luiz já me viu do outro lado da rua e tá chegando pra me pedir mais cigarro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

" Vá ler auto-ajuda, conselhos sobre pensar positivo enquanto o mundo desaba em misérias e aos 28 anos seu bem mais precioso é um ipod. A justiça é uma grande mentira, a subjetividade de algum filho da puta que quer se dar bem. A vida tá cheia de parasitas, respirando esse ar infecto e dando esbarrões no metrô para chegar mais rápido numa casa de bosta. Enche a cara, pensa na juventude que nunca foi. Tá fodido, cara. Você pensa em se matar e fulano acha a parada "barra pesada". Eu acho que o mundo vê muita sessão da tarde e revistas com fotos de gente bonita com vestidos da Versace, que na minha opinião são bregas pra caraleo. Ainda um otário que nunca olhou na sua cara quer entender o motivo e deduz que você quer vingança. Quando na verdade você já está tão magoado que não entende o que é amor e se ele pode realmente existir nesse mundo de merda. Aqui só existe vaidade, ambição, egoísmo.Te conto uma coisa maluca, parei o carro na banca de flores da Dr. Arnaldo e lá eu pedi gérberas amarelas que eu ganhei ainda decoradas. O cara fez do coração. Acho que ele viu lá dentro alguma coisa triste que ele também tem. E desse jeito ele me ajudou e não se sentiu tão só nessa confusão de mundo."

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Fight


“Meus heróis morreram de overdose...”

Teria Cazuza conhecido os betniks?
Lobão teve conhecimento de Ginsberg?
Raul leu algo de Kerouac?
Mendigos nos enganam esse tempo todo e, sem que saibamos, já devoraram e arrotaram Burroughs?? Reinaldo Moraes?? Corso?? Hemingway??
Peréio, de fato, engoliu Bukovski??

E eu??

Tentando rebolar e encontrar uma forma de me inserir nesse meio sem agredir aos inocentes cegos que não ficaram em casa. Ao mesmo tempo, lutando pra não perder – e tentando manter ( ou ambos os dois ) a essência.
Senão, desfunciono e os mafungos passam a tornar-se amiguinhos diários, cotidianos.

Vou descobrindo ídolos marginais à sociedade. Afeição para o “errado”??
Quem garante??
Baseado em quê??
Baseado de quê??
Quem disse??
Quem tá certo??
Ninguém.
Todos.
Aprecio a coragem e a ousadia em tentar fugir dessa merda toda.
Niilismo puro? Puto? A saber...
Pseudo-altruísmo??
Ou bagos ao molho??

Eu não sou besta pra tirar onda de herói...

Sem essa de pregar bom-caratismo. Pra quê?? Pra depois pousarmos de hipócritas – que na verdade é o que todos somos? – pra passarmos como falidos de atitudes?? A vida é hipócrita.
Me dê a corda. Acorda, irmão.
Já nascemos apanhando do médico. Tomando porrada de desconhecidos e, quando reagem, queremos bancar o herói??
Aprender a reconhecer a derrota, admitir o erro é que é a questão. Depois, realoca-se no lugar devido. Mas antes, não. Inexiste. Fato.

A vida de fato caminha nessa linha sutil entre boa e ruim. Entre o poder e o querer. Sem poder phoder.. .Céu às vezes, inferno outrora. Em momentos, êxtase e felicidade pura. Em outros, desespero nos tomando conta, assaltando e dominando. Que fazer? Sabe?
Sábio malandro é aquele que consegue caminhar se equilibrando nessa corda de incertezas sem cair, deixando boquiabertos os ademais. Pulsando nas veias, piscando na testa: “ Como ele consegue??”
Que a queda é inevitável, creio que sabemos. A manha é permanecer o maior tempo em cima dela.

E o sentimento escolhido para hoje é...

De volta à ativa.
Piegamente anseio em segredo. Desejo luzes díspares que me fazem com o tempo, esquecer-me. Deixo-me levar e vou-me indo. Pra variando, pondo em risco - sempre - meus relacionamentos com "ambições femininas".
Não se pode agir assim. Colocando teus sentimentos à mostra sempre que lhe convir. É necessário um tato, uma sensibilidade que cairia bem. Guarde pra gente - agora... - o que você sente.

Hi People.

Pessoas e pessoas. O simples fato de existirem já coloca em risco qualquer ato, gesto, coisa que venha a acontecer. Nenhuma ação - independente das consequências - pode ser descartada. Poucos metros já bastam, são necessários.
O que leva uma mulher - com o companheiro ao lado - a ficar, sob disfarçes, paquerando, facilitando e moleando o encontro da retina com outro sujeito???
Estas, apesar da tentação, não alimento.
Prefiro meu baixismo próprio.

Ensaio matinal




Manja esse clip do Pink Floyd, em que as pessoas aos poucos vão se transformando em carne moída? Pois é, entre 10 e 11 hrs é essa a cena que aparenta quem entra na estação Central do Brasil, no Rio. A prole é foda. Pra eles, deve ser pica das galáxias. Qualquer triturador de carne humana deve ser melhor que chegar ao trabalho.
ô ânimo.

Fé?


E na sala, meu pai e a empregada discutem religião. Um tentando convencer o outro de que estão certos. Perda de tempo. Somos e fomos criados pra isso.

Criatura discutindo criador. Quanta balela.

E lá em cima, Ele pede mais um amendoim.

Sabes?

Viver é um risco. A gente sabe disso.
É preciso ser forte.
Ter sorte.
Alguém que aporte. Aposte.
Pra somar.
Paz dar.
Incentivo sem pedir abrigo.Ser arisco sem pensar no risco que é viver.
Viver é isso.
Um lixo.
Um luxo.
Ser homem de não seguir o fluxo.
Sem olhar pra trás.
Sem ré. Seguir a maré.
Amar é,
Nos amar.
E amar nossos gestos e atitudes.
Sem grau de desespero nem referência de latitude.
É o vencer pessoal sem perder a juventude.
É ser refém do desdém, não da nota de cem.
É o diabo, caraleo.

Não, é não!!!

Não!! Eu não quero ouvir qual a próxima estação. Não quero ouvir qual a próxima melodia. Se está noite ou se está dia. Se toca Lilian ou Luzia. Se é de Noel ou Jobim.
Não.
Não quero saber se está perto do meio ou do fim. Tá bom pra mim assim. No meu cantinho de soslaio. De sopetão, a ponta da língua exibe: NÃO!!!
Não parei pra perceber em que merda tô metendo ou não. Não quero. Digamos que estou de férias e pensamentos não me caem bem. Principalmente pela manhã. Por enquanto a merda tá macia e o seu cheiro não insulta nojo.
Nojo tenho de vocês e seus julgamentos e facilidades com rótulos. Nojo eu tenho de mesquinhas atitudes de indivíduos que se acham capazes de coisas que, na cabeça deles, consideram fodas, merecedoras de aplausos.
Asco de inúteis pensamentos.
Simples assim.

Réstias vagas da memória de um bêbado

* O Conto chegou pra esposa e disse:
- Vamos fazer uma continha?
- Claro, amor. Deixa-me só pegar um lápis, papel e calculadora.

* Preocupada com o estado de saúde e com o estresse cotidiano, Dona Crônica, aflita, indaga ao Dr.:
- Me fala Dr., o que tenho? É para me preocupar?
E o médico com cara reticente completa:
- Seu problema é crônico.

* O marido desconfiado da empolgação e da vestimenta mínima da lépida esposa, emenda:
- Para onde a senhora vai assim, toda prosa???
- Ai, como você é ciumento, Proso.

* Sr. Corcel pita com amigos enquanto, todo faceiro e orgulhoso, mata uma pinga. De repente ouve:
- E teus filhos Sr. Corcel, como vão?
- Ah!!! Meus filhos são meus orgulhos. Amém.
E segue:
- O mais velho mora no Nordeste e vive de música regional. É famoso por lá. É o Cordel.
Nossa. Deve ser mesmo motivo de orgulho pro Sr.
- O mais velho se meteu com esse negócio de TECOLOGIA e foi morar nos EUA. É conhecido no mundo todo. É o Corel.

* É tarde da noite e a discussão rola solta em família. O primo VERBO desafia o primo VERSO:
- Sem mim, você não vive.
E o VERSO, ironicamente, reage:
- Claro que vivo. AMOR, CÉU, VIOLÃO. COR, PASTEL E CORAÇÃO.
Revoltado, o primeiro abandona o recinto berrando:
- COMO VOCÊ É FALSO!!!

* Um casal apaixonado vaga pela Lapa numa chuvosa e deserta madrugada de segunda-feira. No carro, um casal:
- Diz a lenda que nunca mais se desgrudaram desde a primeira vez que se viram. Diz o marido.
- Sério? Que bonito. Como se chamam?. Indaga a esposa.
- Boemia é o senhor. A mulher é a poesia.

* O rato e a rata estão saindo e se conhecendo. No final da noite, não muito empolgado com a rata, o rato sem vergonha alguma dispara:
- E aí, vamos ratear???

* No interior, um caipira cruza com outro que sai de casa.
- E aí, firme??
- Não. Ainda tá na novela.

terça-feira, 18 de agosto de 2009


Tem sempre alguém pra me mostrar a trilha certa

Onde comprar, o que comer, como vestir

Pode ser o meu caminho complicado

Mas não insista porque eu não vou por aí

Se pra ser alguém é requisito o seu bom gosto

Eu quero ir pro lado oposto

Só quero dar uma volta do outro lado

Pra ver como é que está

Quando Galileu provou que Deus estava errado

No capitulo I dos Gêneses, quase foi queimado

A História é escrita pelas grandes transgressões

De quem mudou o mundo com suas inquietações

Se na nossa lei a ordem deve se manter

Eu quero desobedecer

Só quero dar uma volta do outro lado

Pra ver como é que está

Passando desapercebido na multidão do dia-a-dia

Acredita cumprir a função que nem sabe se escolheu

Procura diversão fora pois sua cama já é fria

É fruta que amadurecera, caiu no chão e apodreceu

Se eu é que sou louco e é você quem tem razão

Como é que cria sua própria prisão?

Só quero dar uma volta do outro lado

Pra ver como é que está

Desconfio de qualquer autoridade

Política, religiosa, científica ou moral

Que elege os ignorantes e os detentores da verdade

Cria um muro que impede de ver o mundo se abrindo colossal

Se pra ser feliz devo manter algum padrão

Vou seguir na contra mão

Só quero dar uma volta do outro lado

Pra ver como é que está

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Porque a vida não pode ser somente essas duas linhas diárias. Não é possível... e se for, pra quê tanto espanto?? Pessimismo não é ver tudo cinza. Pessimismo é esquecer os ingredientes de boas e saudáveis gargalhadas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bicho-Mau

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ah, porra. Tô tentando.


Ah, mas que merda. Que porra de gente mais chata. Tá tudo errado e eu tenho que acertar? Logo eu? É tudo ficção, é tudo prisma, nada é real, não enxergam isso? O cão não para de latir. Que merda. Fica aporrinhando todo mundo com esse latido seco e sem nexo algum. Ninguém entende ou sabe de nada. Porque fingir que entenderam o recado? Deus inventou a ressaca porque ficou puto que outra pessoa inventou o álcool. Aí, só de sacanagem, ele inventou a ressaca pra que ninguém abuse. Invejoso. Mas nego tá pouco se fodendo. Nego vive se entupindo de tudo quanto é substância só pra ñão ter que viver essa farsa toda. O cão late de novo, insistivamente. Esta porra só pode ser maluca. Mas ele pode, geral é, porque ele não teria esse direito? Aliás, ele pode latir porque é só o que ele tem a fazer. Merda, comer e latir. Que coisa magnífica. Ele tem direito sim. Concedi. Você faz pior. Você anda, fala, caga, discute, come, faz merda, tenta limpar e continua fodido, sem saber pra onde olhar ou caminhar. O cão, ao menos, só late, caga e come. É tudo uma grande sacanagem. Um filme sem final. Sem merchan, pupilas dilatadas ou comercias e suas gostosas de biquini. Nada é real. Nem a porra da coca-cola.( acento maiúsculo é o caraleo, eu não gosto de coca-cola).É tudo uma confusão só e a gente perdido sem saber a quem pedir socorro, ajuda ou uma luz, um caminho. Descobri que 487 ml = 286 gramas. Que diferença faz? Pra mim? Pra você? Quem é que sabe de alguma coisa? Você sabe que eu escrevo com o braço apoiado no ar-condicionado? Voc?E sabe que eu fumo a todo momento? Eu não sei que você trai seu marido e nem que ele dá o rabo. Eu pouco faço questão de saber que teu filho é maconheiro e tua filha, uma grande de uma putinha. Você sabia? Eu sabia? Meu pai tá indo embora, eu não quero me indispor com ninguém. Eu só quero que ele entenda que eu tô tentando. Quero deixar bem claro pra ele que vou sair dessa. Ou, se não sair, o final é igual pra todos. Quero acalmá-lo e mostrar que posso ficar bem. O papel dele foi muito bem cumprido. A meta foi alcançada e que se existe um culpado, é moá. Nada presta. É tudo confuso e esguio. Como visto de cima de uma gigantesca torre. Ele tá lá, vigiando, ceifando ações e assistindo ao grande show de deslumbramento humano jamais visto na face da. De camarote, petiscando e brindando com os escolhidos. A gente aqui, se matando, se fodendo, se esgoelando em cada missa, em cada missão por ele escolhida: grande merda. E aí, quando ele quer ir ao banheiro, ele dá pause e a gente dorme. E no outro dia, se começa tuuuuudddooo de novo. Pessoas. Metrô. Jornal. Papelaria. Carro. Ponte. Estrada. Padaria. Pneu. Saudades dela. Culpa. Remorso. Zelo. Carinho. Amor. Amores. Ciúmes. Árvores. Pios. Cantos. Passarinhos. Mercados. Chuva. Sol. Contas. Banco. Promessas. Dívidas. Fodas. Transas. Beijos. Espirros. Vírus. Pau. Cú. Buceta. Desodorante. Detergente. É tudo a mesma porra igual. nada salva. Foda isso.

E eu aqui, tentando não enlouquecer pra ver se sou salvo. Mas salvo de quê, porra???

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Se isso não for poesia....





Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados
Dessas sementes mal plantadas
Que já nascem com caras de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo
Que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça.
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade