quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pausa para um relax sorumbático


É um martírio esta porra toda. Até pra tocar punheta você precisa de paz. E paz hoje em dia é mais difícil que atendimento em hospital público.
Até certos momentos da vida, acreditei que o único momento de paz era quando se cagava. Ali, sentado, no silêncio, lendo algo bom e refletindo sobre as letras que me invadiam e faziam ciranda cirandinha dentro do meu cérebro. Hoje em dia nem, nem mais isso consigo. Agora fica o cão sob minha vigilância. Me olhando. Com caras, bocas e aquele nariz adestrado e sempre molhado, peculiar a todo canino. Ele me olha, reverbera, sente o cheiro e fica ali, com aquele olhar acridoce, como se me implorasse pra sair daqui. Nanani rex, entrou, agora segura à onda. Aprende que o cheiro daqui é levíssimo comparado quando se sai às ruas. Lá fora o bicho pega, a merda cheira mal pacas e a tendência é piorar. Sempre. Aqui tu tá protegido. Mal nenhum vai acontecer a não ser ter nariz totalmente corroído pelo excesso de levedura de forma pastosa e lacrimejante que, eventualmente, acontece.

Prometo uma salada e soja da próxima vez, tá certo??

Fico imaginando como deve ser em casamento. Em relações que se iniciam sob um contrato, inicialmente, infinito ou até que a Dona Morte venha e os divorciem. Deve ser punk, não? Ainda mais se só existir um banheiro pro dito casal. Como será que eles devem agir? Pois sabemos que mulher adentra o recinto defeco-urinário, no mínimo, 35 vezes ao dia. Isso sem levar em conta que ela trabalha de 8 a 10 horas por dia, num é? Aliás, perdoe a contradição mas é que fiquei pensando que algum instituto, órgão de pesquisa ou qualquer destas merdas pagas pela sociedade, deveria pesquisar e estudar os casais que se dizem felizes. Não é possível. Alguém esconde algo, tenho quase certeza. Ainda mais em condições como estas. É moral a nossa decadência diante do trono da sociedade. É notório seus risinhos afoitos e frustrados camuflando decepções e ônibus da vida pegos errados. As estações passam e a gente sempre na dúvida se salta ou não. Tamo fodido mesmo, então pra que pensar muito? Pra que seguir com a manteiga no pão? O cheiro de merda vai ser sentido por todos nós. Desde o casal da casa até suas visitas.


A eternidade é chata, um porre, deprime. O instantanealismo é mais prosaico, por mais que não aceitem. A parada é ir vivendo e seguindo. O lance é ir sorrindo os momentos alegres que vamos tendo. Pode ser um livro, uma palavra ouvida, uma cena (outro dia vi um amigo dentro do carro cantarolando alto, sozinho, feliz, janelas abertas, cabelos ao vento e ele lá, cantando, batucando no volante e se refestelando na emoção que devia ali estar sentindo, em meio ao caos), um som, uma boa foda, uma paquera – aliás, é sempre bom a gente saber que existem pessoas legais por aí que também procuram pessoas legais. Mesmo que aquela impressão e pergunta que, invariavelmente, brota, surja: mas cadê estas pessoas? - As feministas e machistas que me desculpem mas tem certas coisas que são não-fisicamente excitantes - qualquer porra que faça de poucos momentos uma alegria incapaz de ser alcançada. Nada desse misere La fuderê que a gente vive e convive, não. Nada de adaptações a mortes e assassinatos. Nada de assistir rebeldias e extorsões de vida enquanto se saboreia um chá.

Admiremos o patético, apreciemos a decadência nossa. Assumamos porra. Não são todos homens?
Cadê? Só vitorioso? Ô!!

A sociedade e suas chagas de covardia. As autoridades e seus tesões por secretárias infláveis que de tão perfeitas, nem cagar e terem paz devem conseguir. Não adianta, vai sobrar merda pra todo mundo e quem não está acostumado ou reluta contra o cheiro, fodido estará. Fato. Flato.

Ah, cansei de estouros modernos. Sushis de defuntos expostos à beira-mar. Pra mim, viraram papos de aperitivo. Apenas pra dar um plus e ter algo à se comentar quando se convida aquela bunda prum choppinho.

Tudo é cinema. Nada é realidade. Como no “ Tanto Faz”, é rindo que se castiga os amores.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Classificados " Expresso "


Busco pessoas que me façam crescer, assim como as que passaram pela minha vida. Sim, dependo de terceiros para o crescimento mútuo. Bala trocada, pirulito dividido e arrotos como cúmplices. Caso preencha os requisitos, me encontre no buteco mais próximo. Sou o de cor mais clara - meio moreno manjar - comendo empada e tomando cerveja.

Ficaadica.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tapa bem dado, em cheio.


Porra, o que está acontecendo? As coisas pararam de funcionar de uma hora para outra?

Pedi uma Brahma gelada e me apareceram com uma Skol quente e até onde sei, empada de camarão não leva carne. Chamei o gerente mas quem veio foi o flanelinha me cobrar por um veículo que não tenho.

Porra, o que está acontecendo?

Encomendei um pernil e me trouxeram um ovo de páscoa. Marquei consulta as 14 e meu nome só constava no horário das 18. Fui fazer um canal e o dentista me extraiu o siso, que eu nem tenho mais. Mas que merda, tô ficando maluco nessa porra?

Acordei um belo dia e minha namorada tinha me trocado por borboletas monarcas. Porra, trocado por borboletas? E das Monarcas? Não faço a mínima idéia do que venham a ser borboletas monarcas mas melhor que um sujeito como eu, elas devem ser.

Porra, o que que está acontecendo?

Meu vizinho tem um cachorro que só late de madrugada e um gato que não pára de me vigiar pela janela. Ambos, o tempo todo. Minha empregada ouve o dia inteiro uma rádio evangélica (ou crente, gospel, kardecista, qualquer merda destas) onde o pastor ( ou bispo, padre, líder, MC, chefe) fica berrando a chegada de Jesus ( ou Deus, Alá, Maomé, Madonna...) o dia todo. Porra, deixa o Cara em paz. Aliás, minha empregada mal fala comigo e quando eu ligo o rádio, ele não toca nada.

Porra, mas o que está acontecendo?

Nem me lembro da última vez que tive um sonho e o técnico do meu time cisma em jogar só com um atacante. Aliás, meus sonhos estão se esgotando e meu time não vence faz um mês.
Mas eu tenho fé. É a única coisa que me resta e o que ainda me faz bater com a cabeça por aí. É o que me segura e, apesar dos deslizes, me mantém com a postura curvada e o olhar no chão, evitando assim, qualquer contato com essa massa retilínea e padrão que vive lá fora. Um dia ainda irei erguer um castelo enorme. Uma fortaleza inacessível, só tendo acesso quem eu permitir. Quem se permitir. Pessoas puras e, principalmente, verdadeiras. Daquelas que sabem viver e possuem personalidade. O tipo que não mudará em função de outras. Daquelas que vão te abraçar quando mais precisar. Destas sim, deixarei entrar. Destas que carreguem leveza, pureza, clareza e certeza no olhar e caminhar. Que me cobrem apenas felicidade e sejam das que entendam que a vida é louca, que a necessidade de enlouquecer às vezes é fundamental, criando sim, aquela sensação de que a vida até que vale à pena. Que viva e não sobreviva. Que chegue feliz apesar das dificuldades e não com aquele olhar cansado, vazio, carregado e morto, de quem sobrevive diariamente.

Porra, mas o que que está acontecendo?

É muito “te entendo”, pra pouco “ te respeito “. É muita cobrança por resultados em dias que nem jogo tem. É muita pressão interna pra pouco gozo, muito investimento pra pouco resultado. Cansei. Tô achando melhor pegar minha vidinha vazia e feliz do que dividi-la com essa massa podre e patética com seus cotidianos em selvas fedidas e fodidas que ela, a massa, fez questão de entrar. Com essa gente falida de sentimentos bons e energias positivas. Esse antro exalando traições afetivas, montando-se em amizades que custam um porre mal lembrado ou uma foda meia-bomba sem explosões de prazer. Prefiro contar meus amigos em uma mão só, talvez menos, e tratá-los – e amá-los, gostá-los - à minha maneira do que praguejar encontros em noites tediosas e vazias onde todos ficam se olhando em sorrisos armados, invejando os vizinhos e suas loucuras, torcendo pra noite acabar e mendigando companhia.

Porra.....

Prefiro me conter por aí a soltar foguinhos antiácidos na barriga. Prefiro encarar e até encarnar minha velhice do que suscitar pseudo-juventudes por detrás de frustrações. Me dá até mais prazer soltar peidos embaixo do cobertor à sair correndo por aí e se agarrar a primeira decepção de esquina.

Porra, o que está acontecendo?

Me perdi do que queria dizer. Mas, foda-se. Era apenas pra falar que já acordei. Não me cobrem mais nada porque tô virando uma página pesada e, completamente, encharcada.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Segunda-feira


Às vezes a música é nossa melhor amiga. Podemos estar rodeado de pessoas mas, naquele momento, a vida sem música nos torna vazio, na solidão. Nessas horas, tente um mp3, radinho de pilha, uma música baixada ou, simplesmente, cantarole pra você mesmo, baixinho, mentalmente, aquela velha música que te deixa bem tranqüilo e em paz.
Tem gente que não faz gol mas quer abraço. Mas, afinal de contas, quem é que quer essa gente suada, sorridente e confiante em qualquer coisa banal e caricata ao nosso lado, praguejando versos repetitivos, manjados, batidos e com as mesmas atitudes das três milhões e sabe-selá-quantas pessoas a qual juramos não conhecer????

quarta-feira, 15 de julho de 2009

vou fazer o que, diante de tantas dúvidas e angústias. pensamentos pencaminosos deixaram de me assaltar enquanto a madrugada tarda em vir. Vale lembrar que, quando ela chega, se despede de forma fajuta e faceira. e eu lá, entre a tecnologia excitante de um mini-prazer segundal e a vontade de me aperfeiçoar e dominar o que há anos, muito tempo mesmo, me aflige. pensamentos e palavras são maléficas. mal ficam boas quando aproximadas. imagina, íntimas? por essas e por outras que, talvez, em determinadas situações, adquiro a velha mania de me deixar levar e fugir por aí, pra bem perto das minhas atitudes, de meus gestos sempre recriminados. mas fazer o quê se os pseudo-donos-da-verdade-deles-alheias querem sempre me fazer crer que aquele caminho de mato curto e pisar aconchegante, é o melhor??
Como é dado o nome a quem, por vezes, olha mais de pertinho, se aproxima e se encanta com o não-pisado, destruído e intacto? Pan-algumacoisa? Será que Serguei sabe? Disso, entende. Os fatos históricos - e registrados, vale lembrar, antes que me acusem de ser um mero inventor de falácias - estão aí pra comprovar que lá atrás, décadas quarentanas, cinquentonas e ditadorianas, a mistura delas todas nos tornou assim, lépidos e selvagens nos dias de hoje. e querem pousar de assustados? Ah, nem me enganam mais, vai. Mudem a prosa, o cheiro da rosa e o nome pink. a tal liberdade pregada por pouco, odiada por muitos, fizeram com que os poucos sábios e formadores de quaisquer coisas respeitosas da época, enxergassem futuro em tais atitudes. nem foi revoluçao, foi uma maneira sutil, silenciosa e particular de se coagir inconscientemente. E quando viram, estavam ali, na fogueira que não era da vaidade, queimando batatas doces e dividindo com os tataranetos dos Goliárdos, me entende? E após esta descoberta dos tais "sábios", a massa errante, pecante, postulante, infante, mercadante e pré-paga-falantes, pra variar, acharam de mais bom tom atirar pedras nas bruxas pré-comunistas. É mais fácil né? É igual torcer pro framengo e comemorar mais um gol do mengão enquanto a laje, em polvorosa, graceja versos do Belo e a fila indiana dorme toda feliz. Talvez por isso, a diferença entre o Ganges e a Baía de Guanabara seja apenas o ritual sagrado imposto por lá.
Meu quintal tá sujinho e não tenho a menor menção de limpar. E, conforme relatado aqui, vou comer pois minha barriga ronca e, apesar de tudo, não é sono.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Fezes, multiplicai-vos

E as revistas continuam só falando merda

“Tentem então escrever como ele. Não conseguem. Alguns escritores enrolam, porque não têm nada a dizer. É só uma cortina de névoa na cara dos leitores. E alguns, que tentam escrever como ele porque acham que é fácil, acabam ficando chatos e superficiais.”
Pra quem curte, abaixo um pouco mais da obra do bom e velho safado.


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Alimente-os


Se comporte jovem. Contenha-se e segure o que tens em mente. Eles querem que você reaja. Eles querem teu fim. Você e sua turma não passam de ratos, na visão deles. Ratos de rua, assim digamos. Eles nunca lhe deram nada e sempre lhe viraram as costas. Mas, mesmo assim, querem que você não reaja e aceite sua imposta condição de “baixo” e frágil. Você é cria deles. Você é refém de todos nós. A culpa não é sua, contudo, não expresse reação ou pode ser pior. Ande calado, cabisbaixo e na sua. Agradeça por ainda (sobre)viver. Conte com miseráveis ajudas e conforte-se quando existirem. Agradeça quando acontecer. É a única hora em que você pode se expressar. O único momento em que podemos ouvir sua voz. São cruéis e impiedosos em cima de suas certezas sobrepujadas. São covardes, tolos, imbecis e corruptos. Tudo que a raça humana tem de melhor a oferecer.
Se comporte jovem. Não se exalte por pouco. Aprenda a usar a cabeça, o pensamento. Alimente-se de coragem e de uma ousada inteligência para não reagir. Faça-a em silêncio. Sob tetos de rua por onde os carros passam lhe provocando reações arriscadas. Sob cobertores velhos e fachadas urbanas tentadoras. Segure a onda. Não reaja. É uma provocação. Querem saber até onde você pode ir. Querem te cutucar no vazio da noite, te provocar antes da aurora aparecer. Contenha-se jovem. Cuide-se pra não cair nas mesmices erratas de teus ancestrais. Nas atitudes inequívocas em que tua geração perdida se fragilizou. Não reaja. Não esboce reação. Aceite tua imposta condição de vida. A culpa não foi sua, mas aceite. Nascestes apenas pra isso. Pra ser alvo dos ferrenhos de bolsas cutâneas dos testículos. Pra ser patinho do parque alheio, exposto à disparos em momentos de raivinhas mimadas pós apostas perdidas em hipódromos homo sapiens. Deixe o casal burguês passear na fauna mas, não reaja. Seja esperto. Aceite.

Leitura, escrita, cerveja, moças e ele. As ordens se alteram, obviamente.

Tem gente que ouve pagode. Alguns arriscam micaretas e invadem raves. Milhares devoram Paulo Coelho e acham o máximo. Carnaval em Araruama, Iguabinha e Cabo Frio são a perfeição na visão de outros. Exemplo é o que não falta. Portanto, permitam-me:


Eus

Desde que eu nasci tô no conflito
Aflito pra saber porque
Com tanta gente que eu podia ser
Eu nasci eu
Perdido entre sentimentos bons
Pequenos delitos e contradições
Entre a luz e o breu

Molho o pão no café e levo fé
Que Deus é preto e fuma cachimbo
Nasce menino, cresce mulher
Vira fumaça, não tem destino
Brinca de roda, roda nos ventos
Dança na chuva, pois é um índio
E cai no frevo, dança bale
No que imagino
Em tudo o que há, Ele é

Mas eu não sou um só
Não sou só um
Eu também sou milhões de eus
Não sou Deus mas sou Eus

Pois sou eu quem acredita em mim
Sou eu quem me explico
Quando me complico
Eu mesmo atendo as minhas preces
Eu mesmo quem ouço
Os meus próprios gritos

Oh, brother!
Buscando a minha própria conclusão
Oh, brother!
Foi Eus quem quis assim
Oh, brother!
Eus é Deus dentro de mim... Graças a Deus

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Funduposso, aívôeu!!

Eu não tenho nem de quem lembrar. Não ando com ninguém em mente, que domine meus pensamentos e dissabores. Não ando querendo passar cartão e torcendo pra compra ser “aprovada”, a fim de presentear alguém. Não ando tendo ninguém. Ando andando, mas sem ninguém. Não me recordo de ninguém. Não bebo mais por ninguém. A que ponto cheguei. Nem por brigas ou acertos ou, até simplesmente, a existência desse alguém. Não ando recebendo torpedos e nem ligações que piscam, pulsam, berram, deliram prosas com o codinome: “ELA”. Não ando com mal-humor por ninguém, que saco. Não me programo pra ninguém. Não acho entediante e um saco as programações de ninguém. Ninguénzinho da Silva. Não mesmo. Não sou inserido no programa de ninguém. Pior, não planejo programa algum com alguém em mente. Não sinto raiva ou asco de ninguém. Ando até com saudades de dar explicação e satisfação pra alguém, pode isso?? Não tenho CEP de ninguém, telefone de ninguém, endereço, sobrenome, fotos, lembranças, MSN, nada de ninguém nenhum. Minhas portas andam abertas mas ninguém por perto, ao menos pra bater errado, por engano. Ando pior que Bukowsky. Mais solitário que o Náufrago. Nem o rádio mais toca pra mim. A TV passa chuviscos e o cd é apenas instrumental. Não ouço vozes. Nem o silêncio se faz presente comigo. O fundo do poço se abriu quando fui de encontro a ele. Invisível, quase. Não tenho ninguém com quem dividir meu mau - humor. Meu sorriso é solitário, oco, parco, cheio mas vazio de alguém. Ninguém mais percebe meus defeitos e o quão sou insuportável quando bebo. Ninguém anda mais preocupado com o excesso de fumaça expelido. Ninguém mais me xinga, se irrita comigo e dorme de mal. Ninguém pra chupar meu pinto, pedir galanteios ou rosas dadas falsamente. Ninguém. Vazio. Zero.
Puta que pariu. A que nível eu cheguei?
Felicidade magoada ou Decadência invejável??
Mas, aí, acho que um sorrisinho brota no cantinho da boca. Meio Monalisa, aquela safada, sabe???
Vou ali...

E eu que vivo me escondendo


- Porque você, independente de vitorioso ou não, vive a vida à sua maneira. Vive a sua vida. O seu mundo. Não deixa o exterior te atingir.
- Hum...
- É sério. Pra você ver. Até quando te atingem, você demonstra ser mais humano que a grande massa. Você chora por coisas simples, bobas, mas verdadeiras. Isso te faz ser ao mesmo tempo irritante, mimado, mas capaz de suportar determinadas dores, tamanha frieza que você impulsiona e transmite a quem lhe conhece um bocado mais.
- Hum...
- Porra, é verdade. Ao menos, é a minha opinião.
- Sei...
- Teu mal é esse. Ser irônico, ácido, intempestivo, cabeça dura e coração mole e amargo ao mesmo tempo.
- Ai, porra. Tá me estudando??
- Tá na tua cara, caraleo. Até cego lê isso.
- Tá. Vou pedir mais uma...
- Você foge, vive se escondendo. Quer passar discreto. Mas com a SUA discrição. Com a sua maneira de enxergar o que vem a ser tal palavra. Você quer ser você e alguém que o aceite. Aliás, melhor: que o entenda.
- É por aí...
- Claro que é. Por isso tanto ódio, raiva, amor e doçura que sentem por você. É uma pena orgulhosa. Um desprezo preocupado. Você consegue deixar as pessoas sentirem os extremos por você. Mas nunca somente os extremos. Você é assim. Te odeio e segundos depois to te amando, acariciando, cuidado, pra depois te beliscar. Você confunde a gente, humanos.
-... (Fumaça ao ar...)
- Porra, você é muito teimoso.
- Já sei porra, você já me disse. As pessoas me dizem isso. Já sei, já sei, já sei...
- Você vai passar na vida de forma rápida. Voando. Mas da maneira como você quer. E mesmo que você dure muito, você durará sendo você o tempo todo. E não essas pessoas que parecem que já nasceram aposentadas na vida. Trabalham, procriam, criam e morrem. Mas a impressão que fica é que já nasceram cinza, paradas, inertes. Pessoas assim não inspiram confiança alguma.
- É. Ao menos o papo tá melhorando, admito.
- Mas é verdade. Você provoca, rebate, se acomoda e, mesmo calado, instiga reação.
- Como assim, cacete?
- Porra. Você vive. Você é vivo. E sem saber, você faz as pessoas viverem. Você reage, critica, condena, rebate, provoca, irrita. Isso sem querer ser polêmico. Você apenas se expressa. E as pessoas que não possuem teu alcance sentem-se inseguras e reagem. E aí, pode rolar porrada, brigas, discussões ou quaisquer retretas, mas o que importa é que você as fez reagir. Senão, passariam mais um dia da vida inertes, paradas, rindo dos desesperos, fakeando prosas, não se permitindo a nada.
- Tá bom.
- E vivem seus mundinhos escrotos e vazios, achando que são felizes. Passam a vida toda trabalhando robotizados. Mecanizados. Possuem manuais e, no fundo, sentem inveja desse “arrogantezinho bêbado e metido de merda” que você é.
- Sei que sou, porra. Mas não ligo pra rótulos. Quero paz apenas.
- Você sabe que você não é. Você é na visão deles mas a visão deles pra você não faz diferença. Indifere. Não tem peso. Aliás, poucas opiniões tem peso pra você. Sua maior preocupação – se é que tal palavra lhe existe – é fazer e deixar bem quem te quer bem. E você sabe quem são estas pessoas. Até as que te magoam, você quer o bem delas.
- Mas pra quê o mal, porra?
- Então, é isso que digo. Você dá na cara, toma na cara, faz sofrer, faz chorar, chora, sofre, dá na nossa bunda, goza na nossa cara, puxa nosso cabelo, tem prazer, dá prazer, fornece tesão, distribui ódio, divide rancor, faz com que sintam raiva de você, faz com que te admirem, faz com que o rotulemos de bêbado perdido, etc. Sentimos pena, angústia, dor, alegria, rimos, choramos...entende isso tudo não??? Você mostra pra todos – óbvio que raros percebem – que estamos vivos. E pra estarmos vivos, precisamos de tudo isso. Sentir tudo isso.
- ....( Fumaça....olhares pra bundas...)
- É. Sério. E olha pra mim, porra. ( risos ).
- To olhando. Entendi. Batista, manda mais um. Quer mais?
- Quero...
- Dois, Batista...
- Mas, voltando...
- Terminou não?
- Caraleo, tu é muito grosso. Meio ogro.
- Já ouvi tanto isso. Nunca me incomodou. Mas, prossiga...
- Ah, me perdi. Mas é que você é você. Doa a quem doer. Você é o que anda trêbado de madrugada na rua sozinho, cambaleando, chutando chapinhas, xingando o sistema, a sociedade, a fulana, a siclana e acariciando os bêbados. Mas você é o que oferece a mão pras pessoas desconhecidas que tropeçam na rua. Que cede lugar pras mulheres e senhores, independente da idade, que paga – mesmo sem ter – o que o próximo precisa. Ao mesmo tempo é aquele que nega a mão amiga quando irritado. Que se culpa por sofrerem por você. Porra, não percebe que isso é admirável?
- Hum...não. Acho que nunca parei pra pensar nisso. Mas prometo pensar....( Blurp).
- Porco escroto.
- Caraleo, não se pode arrotar? Já viu eu arrotando na tua frente? Já me viu peidando? Porra, se arrotei foi porque saiu do nada. Que merda. Reclamam de tudo. Mulher não peida, não caga, não mija, não arrota, não mente, não trai. Não faz porra nenhuma. Eu então devo ser um sortudo que testemunhei cenas como estas. Nas traições, eu tinha que ficar calado pra silenciar o ambiente. Nos peidos, eu tinha que fingir que não senti. Nas mentiras, eu passava por cima.... Porra, ninguém assume merda alguma. E eu que tenho que andar em linha reta e não ficar muito bêbado porque “pega” mal???? Ahhh, lambe meus bagos...
- Hahahahahahaha. Ô geniozinho do cão...
- É porra. (risos ). Batista, mais um... Só de sacanagem, vou ficar bêbado hoje.
- Oh!! Que grande novidade.
- E tu vai ter que me aturar.
- É o que mais faço.
- Ih alá...
- To brincando bobo.


"Projetamos pra preencher um buraco na alma que é impossível de ser preenchido por algo externo." FY

Se fodeu. Tomou no cu. Se estrepou e, se depender de mim, continuará assim, fodido. To falando dele, meu caos interno. Ele mesmo que, apesar de sempre ter existido e me feito existir, andou exagerando na dose há tempo atrás.
Tirou meu sono, minha paz, minha calma. Andei perseguido por delírios, sombras, pesadelos, visões e pensamentos que me calçavam a cada passo. Me colocando em risco em variadas situações.
Mas consegui reverter o quadro, o jogo. Dar a volta por cima e dominar. Me dominar.


“Que porra foi aquela Jack??”.

Agora não. Ando calmo. Em paz. Dominado e dominante. Os passos tranqüilos, a cabeça erguida e a minha, já conhecida, paz. Meu tédio voltou e não largo mais. Sozinho e avante.
Alguém vai bater à porta, desligar a TV, abaixar o som e, de forma suave e como deve ser, cantar algo leve, proseado - calmante sonoro para almas em fuga – e me pôr pra dormir.

Sou bonzinho, viu? Aquele outro lá se foi e espero nunca mais encontrá-lo. Que siga vagando acompanhado a outras zilhões de almas perambulentas e sem peso algum. Esse
aqui agora sou eu. Eu + Eu = EU. Simples assim.

E que venha o suor e os louros das louras. Mas, aí, ele se fodeu. Tomei conta.
Até o próximo gole....

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Medo do dia 15/07


Quinta-feira, 16/07, completo 10.957 dias de vida. Não espero muita coisa. Aliás, nem preciso. Talvez um tênis novo, uma calça e umas blusas bem básicas. Uma caixa de cerveja é bem vindo e sorrisos, muitos sorrisos sinceros.


Não desejo e nem preciso de muita coisa. Peço - exigo? - apenas uma coisa: que o dia 15/07 não seja, nem de longe, parecido com os dois anos anteriores e que passe o meu aniversário em algum local, no mínimo, recheado de sorrisos e alegrias. Sem tristezas e coincidências demais para repetecos. Dispenso. Creio que deva rolar um ciclo, logo, o meu está bem distante.


Que assim seja, afinal de contas, prefiro blues à jaz...z

Vida louca, vida...

Tem certos dias e certas ocasiões, que você define como baixa e de duvidoso tom, a tal paz. Aquela calmaria interna que lhe é proporcionada e pela qual poderíamos pagar simbólicos mangalotes para que permaneça.
Chove agora. É sexta. Acabei de sair da agência. De mais um dia onde mais enrolei do que trabalhei, fato. Enfim, não pretendo falar disso e me perder. Quero falar que, em plena sexta, sozinho, sob pingos d água, faz frio na Cidade Maravilhosa. Tomo uma cerveja em paz, leio Borto e fumo algo. Meus vizinhos de bar são seis garotas paulistas e histéricas, berrando aventuras vazias e sobre coisas que mulheres falam. Um cara entra no bar atendendo o celular berrando e, talvez pra intimidar, esbravejando que “..não está no morro...” – como se no Rio de Janeiro atual, dizeres urbanísticos e/ou coisas do tipo ainda inspirassem medo, receio. Na mesa atrás, três mulheres bebem, incrível e surpreendentemente caladas, enquanto a única criança presente pede chiclete a cada dez minutos. Um porre.

A vida em determinados momentos parece sem razão. Desprovida de sentidos. Não há nenhum, é a impressão que se fica. E no meio dela, nós, construindo, de forma patética e ilusória, significados para nossa existência vazia.

Em meio a falações, gritarias e similaridades, sigo eu – tentando ficar – em paz com o silêncio em dia. A mesma paz que há tempos não alcançava.
As igrejas falam e berram demais, segundo Borto. Mas no bar, os berros são mais releváveis, perdoados, embora os gestos demonstrem o total desespero em que as pessoas se encontram.
Ato falho. Nada de novo.

Pra quê?


Nada mais democrático que vagão de metrô. O velho ao lado fede a cachaça. Da pura mesmo. Nem dez da matina e o indivíduo exala álcool pelos poros enquanto devora a sessão de economia do “ O Globo”. Contraditório?? Talvez não. De repente mais um que resolveu largar tudo, mastigar fumo e viver o resto da vida da maneira que sempre quis. Não já disse que existem pessoas que conseguem exnergar a beleza da vida? Ela não é tão má.

Pra quê tanto esforço?

Na outra ponta do vagão, uma gostosa. Daquelas que chamam a atenção. Bem arrumada, comportada, estilo executiva. Tailleurd bem passado, sapato alto, postura ereta e um belo cheiro. Destas que, certamente, dobrarão pescoços estáticos e preocupados apenas com seus umbiguinhos de latrina. Em mãos, curiosamente focada, lê atentamente “Ti ti ti”, cópia fuleira e mais barata da “Contigo”. Contraditório? Talvez não. De repente mais uma destas que se acomodam pela beleza – beleza esta, considerado pela massa, ironicamente, target do Metrô – e acham o suficiente pra garantir o que nem elas sabem. De repente mais uma desprovida de algo dentro da caixola que se preocupa apenas com a próxima micareta, baile funk ou festinha do fulano de tal – que ela insistentemente liga cobrando os convites que ainda não recebeu e que " não pode ficar de fora de maneira alguma, ouviu?"

Pra que tanto esforço?

Sabes?

O que é pior?
A certeza de que se está fazendo tudo certo e a leve impressão de que não está surtindo efeito ou a dúvida se realmente isso tudo que está sendo feito, vale - valerá, um dia - à pena?
E no copo, álcool, perfeitamente.

Ao mar...


O filho dela passou na prova da Marinha. Ela estava lá, toda eufórica e orgulhosa do filho. Não o conheço, mas pela índole e caráter da mãe, de fato, deve ser alguém que mereça. Deve ter herdado a simplicidade e educação da mãe. O pai também não conheço – nem sei se é vivo – mas também deve ter forte influência na criação do jovem rapaz.
É. A vida não é tão ruim como a gente, às vezes, prega. É simples. O que pega é essa nossa mania tesuda de querer foder com ela. O resto, se soubermos levar, segue na boa.
Mas só sei que ela estava toda feliz e bradando a todos por perto. Compartilhando e distribuindo alegria aos presentes. A vida podia tornar as pessoas mais felizes como ela, naquele momento. Todos semeando alegria e devoção a algo que as deixem felizes, mesmo que por pequenos momentos. Aliás, a vida é feita disso. De pequenas alegrias, pequenos momentos de sorrisos, os quais devemos comemorar e agradecer a sabe se lá o quê, ou quem.
Fiquei feliz por ela. Deve ser orgulhoso ver um filho “vencer” na vida, fruto de todo o esforço que os pais fizeram - e fazem - por ele. Depois vem as orações por mais vitórias e conquistas. Os tapas nas costas e os parabéns por mais um prêmio de mais um vencedor. A luta contínua não parando e todos, sempre, torcendo pela oportunidade que não tiveram.
É. A vida recompensa às vezes, sem dúvida.
O filho dela passou na prova da Marinha. Ela estava lá, toda eufórica e orgulhosa. E naquela manhã, enquanto me arrumava velozmente de forma atrasada, uma lágrima ousou aparecer e correr pelo rosto, simplesmente pela alegria alheia. Essa tal que volta e meia me pega de surpresas quando cenas simples me saltam aos olhos, tornando-me cada dia mais certo de que somente os tolos não choram.

Um bom futuro é o que jamais me esperou. Mas vou até o fim.


" ... e decretou que eu tava predestinado a ser errado assim...


terça-feira, 7 de julho de 2009

Pra quem ousar sair de casa

Pra quem acha que sabe de tudo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Não me façam rir

Tá, tudo bem. Eu acredito e, por certas vezes, até me vejo triste, borocoxô e irrisível quando na fossa mas daí pro descamlabro total é outro papo. Reconheço que é na fossa que aprendemos a olhar pra dentro e observar certas falhas, defeitos e acertos que, quando fora dela, da fossa, não temos oportunidade de enxergar. Até me vejo suspirando sorrisos e dias de sol, às vezes, quando dentro dela. Até que lá no fundo eu curto. Acho um barato a gente, humanamente vivendo por detrás de imagens sólidas e certas, todo murchambido em função de determinada pessoa, saudade, olhar. É graça pura. Rola até um comédia própria em função da auto-dor. É sério. Acho foda quem consegue captar a dor e fazer dela um puta aprendizado.
Mas querer me convencer que é a pior coisa do mundo, digna de cenas mexicanas, quase um suicídio, é praticamente implorar para que meu sorriro irônico salte às veias.
Das duas, uma: Ou nunca apareceu alguém capaz de me mostrar o que é essa paradinha chamada amor ou, de fato, nunca amei de verdade.

Poxa. Humpf. Logo eu que tanto amo(ei)(arei)...e tenho essa paradinha entupindo meu peito o tempo todo. Aliás, quem precisar de amor, me fale. Tô trocando por três, quatro latinhas da loira...

Enquanto tentam me convencer de que esta cena toda, esse dramalhão todo é verdade, vou ali e volto já.

De resto, mafungos.

Mentira?

Destruindo lares, enchendo o pote, esvaziando a paciência, analisando contratos e sugestões, fugindo dali, correndo pra lá, sucumbindo, aprendendo, surpreendendo, atuando, manipulando, tentando, indo, voltando, sonhando com bicho-papão, acordando na madruga, caindo, quedando, decepcionando e alegrando. Mentindo às vezes mas nem sempre...
Resumindo: sem muito tempo pra pensar nas minhas merdas. Um dia volto, quem sabe...