
É um martírio esta porra toda. Até pra tocar punheta você precisa de paz. E paz hoje em dia é mais difícil que atendimento em hospital público.
Até certos momentos da vida, acreditei que o único momento de paz era quando se cagava. Ali, sentado, no silêncio, lendo algo bom e refletindo sobre as letras que me invadiam e faziam ciranda cirandinha dentro do meu cérebro. Hoje em dia nem, nem mais isso consigo. Agora fica o cão sob minha vigilância. Me olhando. Com caras, bocas e aquele nariz adestrado e sempre molhado, peculiar a todo canino. Ele me olha, reverbera, sente o cheiro e fica ali, com aquele olhar acridoce, como se me implorasse pra sair daqui. Nanani rex, entrou, agora segura à onda. Aprende que o cheiro daqui é levíssimo comparado quando se sai às ruas. Lá fora o bicho pega, a merda cheira mal pacas e a tendência é piorar. Sempre. Aqui tu tá protegido. Mal nenhum vai acontecer a não ser ter nariz totalmente corroído pelo excesso de levedura de forma pastosa e lacrimejante que, eventualmente, acontece.
Prometo uma salada e soja da próxima vez, tá certo??
Fico imaginando como deve ser em casamento. Em relações que se iniciam sob um contrato, inicialmente, infinito ou até que a Dona Morte venha e os divorciem. Deve ser punk, não? Ainda mais se só existir um banheiro pro dito casal. Como será que eles devem agir? Pois sabemos que mulher adentra o recinto defeco-urinário, no mínimo, 35 vezes ao dia. Isso sem levar em conta que ela trabalha de 8 a 10 horas por dia, num é? Aliás, perdoe a contradição mas é que fiquei pensando que algum instituto, órgão de pesquisa ou qualquer destas merdas pagas pela sociedade, deveria pesquisar e estudar os casais que se dizem felizes. Não é possível. Alguém esconde algo, tenho quase certeza. Ainda mais em condições como estas. É moral a nossa decadência diante do trono da sociedade. É notório seus risinhos afoitos e frustrados camuflando decepções e ônibus da vida pegos errados. As estações passam e a gente sempre na dúvida se salta ou não. Tamo fodido mesmo, então pra que pensar muito? Pra que seguir com a manteiga no pão? O cheiro de merda vai ser sentido por todos nós. Desde o casal da casa até suas visitas.
A eternidade é chata, um porre, deprime. O instantanealismo é mais prosaico, por mais que não aceitem. A parada é ir vivendo e seguindo. O lance é ir sorrindo os momentos alegres que vamos tendo. Pode ser um livro, uma palavra ouvida, uma cena (outro dia vi um amigo dentro do carro cantarolando alto, sozinho, feliz, janelas abertas, cabelos ao vento e ele lá, cantando, batucando no volante e se refestelando na emoção que devia ali estar sentindo, em meio ao caos), um som, uma boa foda, uma paquera – aliás, é sempre bom a gente saber que existem pessoas legais por aí que também procuram pessoas legais. Mesmo que aquela impressão e pergunta que, invariavelmente, brota, surja: mas cadê estas pessoas? - As feministas e machistas que me desculpem mas tem certas coisas que são não-fisicamente excitantes - qualquer porra que faça de poucos momentos uma alegria incapaz de ser alcançada. Nada desse misere La fuderê que a gente vive e convive, não. Nada de adaptações a mortes e assassinatos. Nada de assistir rebeldias e extorsões de vida enquanto se saboreia um chá.
Admiremos o patético, apreciemos a decadência nossa. Assumamos porra. Não são todos homens? Cadê? Só vitorioso? Ô!!
A sociedade e suas chagas de covardia. As autoridades e seus tesões por secretárias infláveis que de tão perfeitas, nem cagar e terem paz devem conseguir. Não adianta, vai sobrar merda pra todo mundo e quem não está acostumado ou reluta contra o cheiro, fodido estará. Fato. Flato.
Ah, cansei de estouros modernos. Sushis de defuntos expostos à beira-mar. Pra mim, viraram papos de aperitivo. Apenas pra dar um plus e ter algo à se comentar quando se convida aquela bunda prum choppinho.
Tudo é cinema. Nada é realidade. Como no “ Tanto Faz”, é rindo que se castiga os amores.
















