Tá tudo uma merda, tá tudo pecaminoso, perdido, trôpego, tá geral que nem adolescente na lapa, vagueando, ziguezagueando por aí, demonstrando a falta de rumo. Tá tudo uma bosta. As pessoas ficam colocando a culpa nos outros pela decepção de não conseguirem atingir o que um dia almejaram, traçaram, colocaram como meta. As pessoas não entendem que o sistema mudou. Que nossos planos e nossa vida guiada e domada por nossos pais não cabe mais. Tudo mudou. Antigamente, em um local, existiam 10 funcionários que custavam um valor X pra empresa ao fim do mês. Hoje em dia o custo empresarial é o mesmo, só que trabalham 120, fazendo as mesmas coisas. E existem mais 340 querendo entrar... O valor foi dividido por 10, as cobranças multiplicadas por 20 e isso sem contar que, quanto mais pessoas, mais diferenças, mais personalidades, mais tipos de criaturas criadas e crescidas sob determinadas formas, mais perrengues, discussões, estresses.... soma isso tudo e põe dentro de uma pila pra fumar. É o jeito.
É assim em todo lugar. Entendeu porque não dá mais pra gente ser o quadro alegre e feliz que pintaram da gente um dia? Entendeu porque determinadas pessoas se frustram a ponto de odiar o dia que a cegonha os trouxe à vida ou o momento em que o quadrinho com o nome foi posto à porta da maternidade? Entendeu porque tem gente fraca de espírito e pobre de honra que, ao ver que não conseguirá ser o que foi domado, é capaz de passar por cima dos demais? De matar, roubar, mentir, atuar ou qualquer porra que coloque a ética e o caráter de um rato acima da dele?
Quem dera fôssemos os mesmos e vivêssemos como nossos pais. Eles ainda não entenderam que estamos em uma época, em um momento da vida e do mundo, de transgressão. Não tô falando da crise atual não. É algo muito maior que isso. Eles não possuem culpa alguma. Querem apenas o nosso bem, porém, nos criaram de uma forma que foram criados, achando – sem culpa, claro – que estavam fazendo o bem. E até acho que estavam mas inocentemente não perceberam que o mundo estava em mudança, se transformando em outro. É o mesmo quando os grandes e poderosos computadores apareceram. Nossos avós, pais, tios e tias, de início, fizeram cara feia, achando que era tecnologia demais para um mundo que já estavam acostumados e, de certa forma, funcionando. E hoje em dia? Demoraram mas aprenderam. Hoje vemos véios e véias tirando onda e tendo até blogs.
Se demoraram um certo tempo com algo teoricamente “fácil” - como é com um computador - imagina a dificuldade de enxergar algo muito mais complexo e maior, como é essa mudança que estamos passando, de todas as configurações do que foi considerado “viver” na época deles???? Me entende?
Excetuando os que nasceram de cu pra lua, os que possuem herança ou são herdeiros de uma trupe familiar que os garantem por gerações e gerações, estamos todos fudidos. Tendo que rebolar, mamar, tocar, sussurrar e engolir o choro ao mesmo tempo. Isso tudo pra termos, no mínimo, o mínimo, capta?
Perdemos a essência, perdemos o principal do ser humano que é a capacidade de valorizar coisas pequenas, saber observar coisas simples e dar-lhes os devidos valores, sabendo colocá-los no patamar que fomos criados.
Me emputece quando vejo pessas de certa idade, velhos mesmo, trabalhando sob os aspectos mais humilhantes ( Sou leve até nessa cobrança pessoal, nesse olhar pra cima e cobrar Dele: Porra, é assim mesmo??? Vai tomar providências não? Tu criaste essa bagunça toda pra isso? Então nada do que Você proferiu tem sentido, é isso? ). Vejo senhoras vendendo suas roupas em barracas de feiras, cozinhando milho, pipoca, vejo senhoras costurando arcaicamente para sobreviver. Velhos trabalhando pra lá e pra cá com suas barracas de doces, trabalhando de office-boy, levando e trazendo documentos, velhos estes que após uma vida inteira, tinham como merecimento a praça e o bom e velho carteado. Porra, eles já passaram o que tinham que passar, então porque porra, ainda precisam continuar a bater as pernas e trabalhar como eternos condenados?? Só porque temos incapazes desprovidos de qualquer tipo de caráter como representantes do governo?
Vejo minha mãe já velhinha. A coroa tá foda. Cheia de saúde embora uma das pernas esteja - tentando - fazendo fraquejá-la. Mas a vejo trabalhando todos os dias e noites em pé, indo, vindo, se limpando do suor e, tudo isso, apenas pra dar o mínimo mas digno a meus irmãos. E isso tudo sempre sorrindo, nunca reclamando de merda alguma.
Porra, isso é um tapa na minha cara mas, foda-se. Eu tenho o direito de achar isso um absurdo, tenho o direito de achar que ela merecia passar o resto da vida dela passeando, viajando ou fazendo o que bem entendesse. Isso vale pra minha, pra sua, pra todas nossas mães e pais. Mas não, somos obrigados a disputar espaço com eles nas lotações da vida, nas idas e vindas ao bar, vendo-os lentamente sobrevivendo, buscando ajuda seja com Deus ou qualquer destas religiões que os enganam. É por isso que está essa merda toda. Nego precisa de alguma coisa fora do real pra se apoiar. Nego precisa se prender à alguma coisa, à alguma crença, senão estávamos fudidos. Tudo valeria, tudo era certo. Trepar seria propina(?), mamadinhas virariam trocos...
A população estourou. Tem gente metendo por qualquer coisa. Talvez pouca gente tenha ciência mas isso pode resultar em gravidez, caso não role uma certa prudência. E aí já era, tás buchuda, prenha, morbidamente tendo a obrigação de se preparar pra colocar mais uma mente no mundo. Mais uma cabeçinha pra disputar espaço com os urubus e cachorros da xepa. Quanto mais gente, mais população, isso tudo se transforma em mais caos e desgraça pra onde se olhe.
Por outro lado, continuamos tendo apenas um campeão, saca?? Muita gente pra pouco espaço. E aí, neguinho tem que dançar a rumba e tocar tambor pra ganhar algumas moedas, certo? Muito mais gente, porém, apenas um continua sendo o vencedor. Inverta tudo e passaremos a ter mais “segundos lugares”, ou seja, mais perdedores. Transforme isso em conforto?? Impossível. Não tem como. Ainda mais se pegarmos como exemplo, as tais pessoas lá de cima que foram domesticados e criados para, sempre, serem vencedores. Como explicar a mentes “fechadas e quadradas” que segundo lugar é quase primeiro? Tente convencê-las de que o último é distante do segundo....
Nossos filhos e netos é que estarão mais fudidos ainda, caso não role algo diferente em resposta a tudo isso. Eles sim, serão massacrados, postos à prova a todo momento, sendo testados, cobrados e ludibriados caso algo não muda. Ou você, também tentará ensiná-lo a somente vencer, custe o que custar???
Uma coisa é desejar o bem e querer que sejam pessoas dignas e vitoriosas. Outra coisa é deixar claro que existe sim, lugar para os não vencedores e que estes, não significam perdedores, nem os transformam em pessoas sem dignidade ou similar. Cavalo não desce escada ou vai me dizer que serias alguém feliz caso a vitória fosse regada a falcatruas, jogadas sem ética, dribles sem caráter e gols comprados???
Ensines alguém a ser digno, independente do status e do patamar em que se encontre. Aproveite que ainda não se compra a essência das pessoas.
Falei pra caraleo e não falei nada, num tá certo? Eu continuo tendo o direito de pensar tudo que pus pra fora. Você tem o direito de concordar ou não. Isso define bem nossas diferenças e o quão discrepantes são as pessoas, dependendo da maneira como foram criadas e domadas.
Eu tenho o direito de curar minha pirraça interna tomando cerveja num boteco e na solidão de um bom livro, uma boa leitura, ou da forma como bem entendesse, tá certo? Cada um no seu...
Pensando bem, quem sabe se eu não pensasse tanto, não estaria assim como você, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo após mais uma vitória do mengo ou mais um show do exaltasamba...