quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pra bom entendedor...

"Me atrasei muito, passei pra pegá-la e fomos direto pra festa. Não daria tempo de passar na igreja, nem para os cumprimentos. Eu sabia que seria uma festa especial, era o estilo deles. O convite anunciava três atrações principais. House music, que é um inferno; o DJ Thunder Bill, que para mim soou como uma ameaça; e flair bartending, que eu não sabia o que era.Escolhemos um lugar bem longe das caixas de som. Do outro lado do salão se podia ver que o serviço de bar estava apenas começando. Busquei um duplo nas pedras pra mim e uma marguerita pra ela. Ficamos ali esperando as coisas acontecerem.As pessoas começaram a chegar, a música entrou forte e logo entendi o tal flair bartending. Rapazes adestrados, vestidos de negro, faziam malabarismos com gelo, frutas e garrafas: preparavam os drinques. Perguntei se ela queria dar uma chegada no bar. Ela apenas meneou a cabeça. Fui sozinho.Havia muita gente em frente ao bar. Não havia uma fila definida, pensei até em voltar. Mas, as garrafas subiam. Subiam também morangos, gelos e copos. Tudo em meio às luzes coloridas. Um ambiente encantado. Eu comecei a gostar de tudo aquilo.De repente, para minha surpresa, taparam meus olhos, pelas costas: adivinhe quem é? gritou a voz de mulher em meio à música infernal. Eu disse Diana Krall, imagine. Ela me soltou, me virei e, para minha grande surpresa, vi o lindo rosto da Cris, amicíssima de minha irmã caçula. Eu não a via há muitos anos.Foi pergunta pra todo lado. Sempre junto ao ouvido, o som estava muito alto. Divertida a Cris. Sempre foi. Eu matei o meu duplo e pedi outro. Ela renovou sua caipiroska de lima. As garrafas continuaram voando, gelos tilintando e as frutas colorindo. Uma beleza. E aí foi ainda mais pergunta e muita lembrança. Quando a Cris pediu mais uma de lima, me dei conta que precisava voltar. Olhei pro outro lado do salão: ela estava de pé me olhando fixamente, de braços cruzados.Bati em meu coração e fiz com a mão que a Cris era minha amiga desde pequena. Ela, lá de longe, fez um lento não. Eu, com as duas mãos à frente espalmadas para baixo, pedi calma. Ela, de lá , balançou a cabeça, fez um você não perde por esperar.Eu não podia deixar a Cris ali. Pedi calma com a mão e mais um uísque no balcão. Mas essas coisas demoram, me distraí e o tempo passou. De repente apagaram a luz e, à nossa frente, um dos rapazes fez um inesperado número de engolir fogo. A tremenda labareda assustou a Cris que se acolheu em meu peito.Quando acendeu a luz, ela estava ali encostada. Pressenti encrenca brava, olhei pro outro lado do salão e disse com o ombro o que eu posso fazer? Ela passou a mão horizontal na própria garganta, claramente sinalizando que iria cortar a minha. Livrei um braço e pedi calma, com a mão espalmada para baixo. Ela, decidida, sinalizou uma tesoura em altura genital.Assustei e pedi licença à Cris, que esperava uma outra de lima. Mas, ao começar meu movimento de volta, vi lá do outro lado do salão um movimento de punho cerrado à altura do queixo. Parei.Decidi não olhar mais pra lá. A conversa então foi longe, a Cris me divertia. Quando voltei a olhar pro outro lado do salão, ela não estava mais lá. Não vi quando saiu e nunca mais ouvi falar dela.Ameaça é mesmo coisa séria e não deixa muitas alternativas. Ou bem se aceita a ameaça, e aí não tem mais jeito. Ou se ignora a ameaça, que é o civilizado e foi o que fiz. Há também a possibilidade de se eliminar quem ameaça. Mas isso dá muito trabalho e, em geral, deixa rastro.A Cris concorda comigo, mas até hoje fica meio tensa com o assunto."

Romantismo Contemporâneo

Eu queria te escrever um poema. Mas acho poemas tão chatos e melosos demais para o que sinto. Pensei em lhe enviar flores mas achei piegas, clichê demais. Passou pela cabeça, uma declaração de amor, dessas que deixam as amigas com inveja e as mães, em geral, encantadas com o bom gosto deste jovem moço, contudo, a baixa qualificação das palavras e combinações delas aqui dentro é parca demais para atingir o nível que, acho eu, mereças. Em confusão, pensei em simplesmente lhe enviar um texto, falando sobre tudo que sinto por você. Sobre como minha vida mudou e minha maneira de pensar se transformou desde a primeira vez que cruzamos os olhares, sobre como as coisas passaram a funcionar, sabe? Comecei a acreditar nesses lances de que, quando estamos apaixonados, tudo ao nosso redor fica mais colorido, etc, etc e tal. Estas merdas que você sabe que pouco colocava fé. Mas daí, pensei que seria algo leve demais, copiado, manjado e batido. Pensei em organizar uma serenata e lhe presentear na madrugada sob tua janela. Enquanto adormecia o sono dos justos, assustadamente abriria e me veria lá, entregue, teu, só teu. As prováveis reclamações de vizinhos logo me fizeram desistir. Pensei em você, no seu rosto e sorriso e no quão és bela e me deixa feliz. Na cabeça, veio a idéia de pintar um quadro, uma imagem que defina e expresse a paz e a felicidade que me fazes.... Fiquei pensativo, em confusão, em curto, tentando encontrar uma bela maneira de lhe homenagear a altura. Sério mesmo...
Mas no meio de tanta dúvida, tanta indecisão, me resumi tocar a uma bela e gostosa punheta pensando em tua irmã...essa sim, gostoooosa!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Saco cheio.

Desconfiou, aponte. Na dúvida, julgue. Imaginou, acuse.
De saco cheio desse mundo virtual cheio de picuinhas. Incrível como as pessoas não mudam.
Patéticos que fazem peso na terra.

Enxerga isso?

Eu sou um o decadente. A nova geração dos moribundos vida afora. Os que calam diante da crítica, simplesmente cagando e andando para o que adentra o ouvido. Eu sou um anjo bêbado. Mais bêbado do que anjo. Menos anjo ainda quando bebo. Eu sou a esperança da garrafa de cerveja que quer ser devorada, degustada. Eu sou a alegria dos bêbados de rua, eu sou a atenção que eles tanto necessitam. Eu sou o alarde para namoradinhas e suas festinhas de empresas babacas onde as amigas vivem dando pro chefe. Eu sou o caos e a própria confusão quando cismam em teimar - com argumentos vazios e bestas – que estou errado. Eu sou a faca pronta para o lançamento. A bala cheiradona, doida pra sair do fuzil, aguardando apenas qualquer boçal levantar a voz ou esboçar reação. Eu sou o kamikase corporativo que nunca é chamado ou que, quando acha que será chamado e arma suas granadas e cinto do Batman, é simplesmente esquecido. Eu sou a confusão da confusão, entre um sim e um não. Eu me armo antes que me ataquem. Eu ataco mesmo quando armados mas, principalmente, quando peço para que se desarmem. Eu sou a própria contradição de tudo que falo e ouço. Eu mudo o tempo todo. De opinião, de mulher, de desejo, de frustração, de queda, de tudo. Minha salvação são os goles e talvez seja por isso que as vejo tentando chamar minha atenção. Eu sou a decadência financeira auto-destrutiva mas, ao mesmo tempo, a felicidade consigo mesmo quando determinado aqui dentro que é a hora. Eu sou a vergonha que os outros sentem de mim ao mesmo tempo que sou o orgulho que os amigos de verdade sentem quando passam a me entender. Eu sou o que todos desejam ser e não conseguem por covardia. Eu sou a ousadia que os mimados invejam. Eu sou o mimo que ou ousados criticam. Eu sou o que falam e o que ouvem. Sou o exemplo do que não deve ser seguido, contudo, sou o que seguem, quando absorvida a essência. Eu sou o que você vê, acha, desconfia e duvida. Eu sou o que você pensa errado de mim. Talvez não seja o que tens de certo sobre minhas atitudes. Talvez tanta coisa que sou o que sou. Eu sou o seu próprio engano. Eu sou a mentira que você conta pro seu namorado, a reunião que você informa pro marido. Eu sou o valor que você volta a dar para seu relacionamento. Eu sou a sua experimentação. Eu sou sua droga e sua cura. Eu sou seu baque e sua recuperação. Eu sou um fogos soltado, uma explosão em silêncio e um grito de alarme, me expulsando do portão, do condomínio de sua vida. Eu sou o seu cinto de segurança e a sua liberdade quando você não quer usá-lo. Eu sou a multa e a propina pra fugir dela. Eu sou o que sua mãe não espera mas seu pai adorou. Eu sou o maior perigo pra você mesmo. Mesmo que você afirme querer correr esse risco. Eu não aceito cobranças e justificações quando não apareci - ou fui procurado – com este propósito, com esta proposta. Eu sou o seu não-futuro mas também sou o que você vai encontrar lá na frente. Eu posso ser seu arrependimento. Eu sou o grosso, o estúpido, o carinhoso, o companheiro, o egoísta, o solidário. Eu sou o ogro e a princesa. O pântano e o palácio.Eu sou o palhaço do seu dia cinza e triste assim como você é a minha tristeza e rancor nos dias de sol e quando todos dançam. Eu sou a procura de alguém parecido e o mergulho trôpego e patético quando – já desconfiava – não encontrado.
Eu sou o tempo perdido que você teve. Eu sou o que você procurava enquanto perdia tempo com os outros e não me encontrava. Eu sou a ida e a volta. Eu sou o filme já assistido mas a recaída da sala lotada. Eu sou teu pesadelo que lhe faz acordar assustada, desesperada. Eu sou a quem você procura e pede proteção quando tem um pesadelo. Eu sou o “sai daqui”. Eu sou o “ volta logo”. Sou a inquietação da mente, a todo vapor, a todo momento. Cheiro a corja e falcatrua, esbanjo com orgulho todos meus defeitos enquanto você cisma em esconder os seus, deixando à tona apenas o que – na sua cabeça – é sinal de merecimento e orgulho. Eu sou a sujeira do seu quarto cheiroso. Eu sou a limpeza de sua vida nua, crua e descartável.
Eu sou o alcoólatra que você vê quando olha pro lado. Eu sou príncipe “ diferente de todos os que eu conheci” que você espera pra, logo depois, transformar-me no diabo chato e prepotente que se acha dono da verdade.
Eu sou o que sou. E você? É o que é? Tem certeza??

terça-feira, 28 de abril de 2009

Vontade de colocar pra fora determinadas coisas.
Mas o quê, se nem eu sei?
Sabe aqueles dias em que acordamos angustiados, inquietos e com a – provável - certeza de que é sem motivo? É como se algo dentro de mim apertasse o peito e sufocasse, sem que isso fosse algo ligado a sentimentos, sabe?
Tem dias que acordo assim, indisposto, mal humorado, ranzinza, velho, reclamão, mas com uma disposição rara para o horário do dia. E é estranho. Ao menos me sinto assim. Sei que no decorrer do dia as coisas se dissolverão e voltarei a minha merdinha de vida que adoro. Mas até lá, fico nesse vai-não-vem de sentimentos borbulhando, brotando, como se pulassem querendo chamar minha atenção. Em outras épocas, me acusaria de viadagem. Mas não. Desta vez não. Talvez coisas que precisam ser gritadas, esperneadas, batidas, rebatidas, bebidas e choradas.
Mas, porra, o que pode ser??
Mordo meus lábios às vezes, forte. A sensação de uma leve dor me faz bem, talvez me fazendo crer que podia ser pior. Às vezes olho as pessoas na rua e fico – talvez pelo estereótipo – tentando imaginar qual a vida que lhe caiu. Às vezes vejo pessoas simples, humildes, e penso porque determinada vida não caiu ali? Ou, porque, logo aquela foi se encaixar lá?
Porque tanta ausência de coisas tão naturais e cotidianas com os outros?
Punição de vida outrora?
Destino?
Pureza para o aprendizado sabe-se-lá-onde?

Sei lá, só acho que, ultimamente, tenho reclamado de barriga cheia, mesmo sem a minha estar.
Acho que desejo a tal mola que o taxista de hoje de manhã veio me enchendo o saco. Aliás, acho que todos deveriam ter uma.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Despojos e nojos

Me alimentando de Bortolotto enquanto ponho as merdas pra fora. É engraçado. A gente passa a vida toda sendo adestrado pra vencer e seguir tudo que nossos pais não tiveram condições de fazer. E assim, eles sentem-se na obrigação de nos proporcionar coisas melhores que faltaram à eles. E aí, a vida corre pela nossa veia enquanto tentamos decifrá-la e, ao menos, entender o motivo que Ele nos pôs aqui. Pra que viemos? Com que intuito? É foda. Uma porrada de perguntas que cada um responde uma coisa que nos faz parar pra pensar. E aí, a vida passa e estamos ali, paralisadamente como um verme vendo o sol voltar todos os dias deixando esse dúvida se alastrar sobre todos nossos poros. Isso é uma merda. Falta praticidade e humanidade nos dias de hoje. Falta um pouco mais de sensibilidade nessa merda toda que cisma em nos colocar duelando com uma porrada de vermes como a gente todos os dias. E só existe lugar pra um vencedor, enquanto os outros "segundos" não passam de patéticos e imbecis perderores que se deixam afetar. Neguinho não quer nem empatar. Derrota então, inadmissível, senão, absorva todos os palavrões e olhares assimetricamente maldosos para sua pessoa enquanto, assim como alguém que toma um direto na cara, tenta se recompor.
As palavras possuem um peso do caraleo e a entonação à elas dadas podem soar como uma dor lacinante dentro de nós, tolos e pobres de experiência. Cabe a nós saber digerir e ligar aquele botãozinho que existe em cada um de nós ou interpretar isso estupidamente como um auto-desafio pra " mostrar pra eles que posso ser, e serei, o melhor, vão ver só cambada de filhos da puta".
E aí a vida passa e surra a gente a cada mannhã de janelinha aberta como se esfregasse em nossa cara as diversas caras que todos que nos cercam possuem. Aí sim, a gente passa a entender que não conhecemos ninguém, nem as que, realmente, achávamos que conhecia.
E aí é outro papo, quem sabe, pra outro dia.
Bando...

E depois, a culpa é de Deus


As pessoas não mudam. Não adianta caírem e se levantarem. Não adianta o dom ou a leve desconfiança da queda. Elas insistem em continuar como são, contudo, afirmando que mudaram. São tolas, afoitas, desesperadas, ansiosas e se cobram a todo o momento. Não adianta conselhos, papos descompromissados ou exemplos do que pode ou não ser feito. Caído uma vez, parece que passam a sentir o tesão em experimentar o solo novamente. E Bum!!! E aí, voltam a queixar-se de tudo e todos e de como a vida não foi justa com elas. E dá-lhe terapia, banho de reza, macumba, seitas, bateção de tambor e a pseudo ( e estúpida ) felicidade temporária ( daquelas que duram algumas horinhas com “amigos” ).
O mais foda é saber que a pessoa até tem talento mas que não consegue se desvencilhar do que a torna assim. O foda é rever todas as cenas novamente. Das mesmas maneiras que foram reclamadas, proteladas e estressadas. O foda é quando a pessoa não percebe que está simplesmente com as mesmas atitudes de antes, embora, jure que tais passos foram dados depois de looongas sessões no escuro consigo mesma.
Só pode ser burrice. E cegueira, óbvio.
Depois a culpa é de Deus.

sábado, 18 de abril de 2009

Arriba!!!

saudades, saudades, saudades. megas, monstras e suuuurrreais. saudades sem sentido, saudades sem motivos, saudades só sentidas. saudades do pé, da mão, do cheiro, do calor, da temperatura. saudades das brigas, das implicações, das picuinhas e dos impropérios que, quando vemos, são sem motivos. saudades dos mimos, dos olhares e das trocas deles. saudades, saudades, saudades. do fumo, da água, do mate e da distância. das inseguranças, das inconstâncias e das solturas. das brigas não. nem dos ciúminhos bobos e promessas desfeitas no próximo gole. saudades da sala, local de tantas brigas mas que, pra mim, é fundamental. saudades da cozinha e do quadro, do banheiro e do quarto, este sim, local de situações e situações. saudades, saudades, saudades. só isso tudo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

As pessoas tentam te fuder o tempo todo. Quando elas sentem a rola se aproximando do cú delas, elas peidam, tremem e, como defesa, armam internamente um escudo onde o alvo principal é o próximo. O famoso “ tirar da reta”.
Não existe, inicialmente, um pensamento de agir em grupo, equipe, e chegar a uma conclusão e resolução onde ninguém saia ferido.( ou fudido, comido). A primeira ação, o primeiro gesto é o de fechar o cú , encostar na parede e apontar pro próximo. Que se foda este... não existe o pensamento de zelar pela amizade – mesmo que esta palavra seja forte demais nos tempos de hoje – não rola uma ética em “proteger” a equipe, os colegas de trabalho ou qualquer segmento que seja, antes de se dar por vencido e reconhecer o erro, falha, inabilidade ou displicência. Isso sem mencionar que mesmo que tal falha tenha existido, isso não desmerece ninguém, por mais desqualificado que qualquer ser humano possa ser.
Digo isso com propriedade, pois nunca recebi convite pra um culto, teatro ou um chopp. Nem uma mamadinha????

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quanto vale a vida de cada um de nós?







quanto vale a vida de qualquer um de nós?
?quanto vale a vida em qualquer situação?
?quanto valia a vida perdida sem razão?
?num beco sem saída, quando vale a vida?
são segredos que a gente não conta
contas que a gente não faz
quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
?quantas vidas vale o tesouro nacional?
?quantas vidas cabem na foto do jornal?
?às sete da manhã, quanto vale a vida
depois da meia-noite, antes de abrir o sinal?
são segredos que a gente não conta
(faz de conta que não quer nem saber)
quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
?quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
?quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
?quanto vale a vida perto do fim do mês?
?quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?
são segredos que a gente não conta
contas que a gente não faz
coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida?
nas garras da águia
nas asas da pomba
em poucas palavras
no silêncio total
no olho do furacão
na ilha da fantasia
?quanto vale a vida?
?quanto vale a vida na última cena
quando todo mundo pode ser herói?
?quanto vale a vida quando vale a pena?
?quanto vale quando dói?
são coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida?

terça-feira, 14 de abril de 2009


Acabei de escovar os dentes. No espelho, percebi que babei. Não babei baba não, babei água. Se bem que a palavra babar vem de baba, líquido oriundo do excesso de saliva. Portanto, “ babei água” não existe. Mas enfim, este não é o foco. Voltando ao assunto, babei na camisa e ao passar pelo corredor, uma coleguinha da agência me olho de cima abaixo. Talvez tenha pensado: “ O Daniel é doente, porco, imundo. Ele baba.” E aí fiquei pensando no quanto as pessoas teimam em invadir o espaço alheio, em não reconhecer onde começa e acaba o espaço deles. Se sentem no direito de opinar e dar pitaco na vida dos outros, mal sabendo que o umbigo anda sujo, encardido de monotonia e traições pra lá de constrangedoras.
Eu gosto de rock, algumas pessoas também e outras não. Algumas curtem pagodão, outras não são fãs mas ouvem e eu não gosto. Pra mim é música de corno e pra eles, rock é música de maluco. Clap, clap, clap. Aplausos pro respeito alheio. Viu como é simples? Cada um convive no espaço que melhor lhe convém. Mas não. Querem porque querem te fazer pensar como eles, te fazer crer que o que eles vivem, gostam, ouvem, é o melhor. Sem nem se dar ao trabalho de tentar entender que assim como eles gostam disso ou daquilo, eu gosto daquilo ou disso. Eu curto Kerouac, Buk, Zeca Fonseca, Mirisola, Marcelino Freire, Aquino, a putaquepariu e o último lançamento do caraleo a quatro... Eles curtem Paulo Coelho, Dan Brown e não sei mais o que, já que eu não curto e foda-se. E então?
Eu interfiro, paro na frente deles e falo: “ Hei cara, não leia isso. É uma merda. Leia Young que você vai gostar. Ouça Smiths ao invés de U2, seja Vasco ao invés de Flamengo e sua vida será melhor???” Se estão felizes com o Flamengo, U2, Swing e Simpatia, com o amarelo, com “ As Patricinhas de Beverly Hills” e com “ VickyCristinaBarcelona”, paciência. Que sejam felizes.
Mas não. Estas porras cismam e possuem a audácia de achar que tudo que eles vivem são melhor do que os nossos. Santa misericórdia. As vzs me irrita tamanha imbecilidade e arrogância humana, não sabendo respeitar o que o outro demanda. Se curtem Iguabinha ou Ubatuba, vá com Ele. Se não curtem ficar em casa, foda-se, eu curto. Se preferem praia, good luck mon cherrie, eu prefiro a noite, os bares, as bebidas e os devaneios que me proporcionam quedas e levantamentos . Se gozam por cima, paciência, prefiro uns bons tapas no bumbum delas enquanto puxo o cabelo e, ordenadamente, solicito um remelexo. Se curtem gozar na boca, eu prefiro na cara. Se curtem vodka com energético, morram a sós, eu prefiro morrer com cerveja, no máximo uma caipirinha. E assim é.

Pronto. As coisas são simples. Mas depois eu sou irritado e estressado quando fico puto ao não querer ouvir o que tem a me dizer....
Aliás, nem sei porque perdi tempo falando de merda.


Eu me disse pra não acreditar em mim!

Seria inveja eu assumir que gostaria de ter o dom, talento - qualquer porra que diagnostique e pressuponha algo a ser admirado – de determinados blogueiros e/ou escritores, mesmo levando em conta que estes últimos já são, enquanto os primeiros ainda não????

Digo isso porque nem pra insights e com caderninhos estrategicamente separados, eu presto. Na rua, na chuva e na fazenda, cagando, masturbando ou de vigília, vou sempre tendo visões e trechos na mente que me fazem continuar, e continuar, e continuar a pensar, entrelaçando os fatos, unindo os pensamentos de antes com os do momento, fazendo crer – e tendo certeza – de que aquilo sim, daria algo legal.
Mas pra que? Basta eu encarar como uma “responsabilidade” e ir correndo pro caderno que, como peido perdido ou mais forte do que o trincamento do cu, as coisas se vão, são esquecidas e a vergonha comigo mesma acaba imperando.

Será?

quem quer trocar de signo?

E venho me pegando de assalto, cada vez mais, desde a última até a próxima, to me vendo perdido em pensamentos perdidos, meio sem saber por onde e PRA onde caminhar. Descubro o que já desconfiava e cada vez mais tenho a noção de que estou certo – dentro de mim, falando – e procuro uma saída, fuga, escapada, para que não me veja embrenhado ( tá, inventei ), entregue e refém de tudo, da maneira como vem funcionando. Quero procurar um pote de ouro pra poder caminhar pra lá. Esse ouro pode ser falso, fajuto, comercial ou desvalorizado em função da crise. Pode ter sido roubado pelos yankes ou estar penhorado pra pagar possíveis dívidas, foda-se. Mas que eu tenha a impressão – falsa, vã, piegas – de que aquele caminho possa sim, ser seguido. Ao menos pra minha felicidade, óbvio. Que até então é a mais importante do momento, que fique claro. Vejo que estão se virando, se remoendo, correndo atrás e, como se não bastasse, ainda me querem no calcanhar deles? Pra que? Pra mostrar como se monta um derrotado? (na visão deles, ressalto) Não preciso. Eu nunca me considerei um vencedor e até vejo com um certo glamour pessoas que saibam reconhecer a derrota, reconhecer a dor e assumir que optam por dias cinzas ao invés de tentar colorir todos os dias cinzentos.
Não ganhei na promoção dos chocolates Surpresa, pôsteres em P e B para colorir. Dispenso. Aliás, odeio chocolates e quaisquer tipos de doces – excetuando quindins, pavês e mousse de maracujá.
Ninguém me falou que tinha manual e se, por acaso, o tempo todo tentaram me mostrar como tudo se encaminha, desde a minha infância até a adolescência, digamos que estava ocupado demais pensando no nada para que pudesse enxergar isso.
E aí, pago tudo isso - que não tive a capacidade de enxergar - agora? Pra que? Com que objetivo? Ainda tenho tempo de poder observar mas não me apetece, ao menos por enquanto.
Minha terapeuta ainda engatinha tentando me fazer entender determinadas coisas, tendo em base as informações que a ela passo e quando não falto às sessões simplesmente por puro esquecimento. Fora quando tropeça e cai quando cisma em tentar desvendar qualquer coisa que saia daqui de dentro.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Goiaba prende ou solta?

Estou preocupado, pois acabei de dar uma cagada e vi minha merda em partículas.
O que será caraleo?
A porra da merda era graúda, cheia, concentrada. Daquelas que, pra quem vê, desconfiam de sabotagem ou alguma engenhoca moderna, destas inventadas pelos japoneses ou americanos.
O coco era grande, comprido e tenro. Em volta, milhões de mini-cocos como se protegessem a merda-mãe. Há um tempo atrás em frente ao meu trabalho, aportou durante algumas semanas o barco daquele carinha da Microsoft ( ou seria do Eike Batista?). A embarcação era imensa. Enorme. Linda pra cacete. E, em volta, várias embarcações pequenas, de diversos tamanhos e formatos, fornecendo segurança.
Senti meu coco de hoje assim, ele lá, majestoso, grande, condensado e, em volta, vários cocozinhos protegendo e oferecendo companhia na hora de ir embora.
E esta hora chegou. Todos foram embora em círculos, ordenados, como se eu os tivessem adestrados durante semanas para tal apresentação.
Ao menos na minha merda, mando eu. Sem querer saber à qual embarcação poderosa pertencia, dei-lhes adeus, good bye e bye bye.
A esta hora devem estar chegando na Baía de Guanabara, lá pertinho de onde o tal barco do Eike Batista ( ou seria daquele carinha da Microsoft?) ficou um dia.
Deve ser culpa das goiabas que ando ingerindo..
Asta baibie!
Quem eu acho que sou pra me sentir no direito de ter uma crise?
O mundo é maior que eu e ele, o mundo, já enfrenta uma crise braba, daquelas de arrebentar qualquer boca.
E aí vem eu, como quem não quer nada, achar que posso me sentir no oposto do dever, de ter uma crise? E, ainda por cima, existencial?
Pro caraleo eu e minha crise.
Vou me fuder

a verdade é que eu preciso parar de ficar levando as coisas tão a sério. mesmo sob olhares de reprovação, meu pensamento e a maneira como enxergo e observo as coisas precisa ser seguido e respeitado por mim mesmo. sem desvios ou achismos e dúvidas sobre se, isso, da maneira como é e foi, será válido ou não.

a vida é uma festa e a bebida não está quente, não esqueça. não participastes de jogo algum, disputa alguma e o tapa que levastes do médico ao nascer, não foi punição por falta de alguma assinatura.

sem contrato, só contato.

mafungos. irc

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Olha a vergonha aí gente!!


Crise e cizânia fechando o final de semana. Porrancas chutadas e bunda expelida do assento alheio. " Pra fora, agora! Sai. Xô, rala, mete o pé". Absorvido a queda, flashes arriscando a própria vida em troca de sabe-se lá o quê. Devorações patéticas e queda em solo seguro. O sol acorda e, antes da saída, um papo reto, na cara, direto como um cruzado de direita. A força foi dosada, obviamente, mas o teor não tinha como. Trocas de mensagens denunciando mais uma ausência e a certeza de que tudo re-começou da maneira como se encerrou.

Dúvidas? Muitas.

Certezas? Não creio...

Esperanças e esperas.

É. Hoje caminho olhando pro chão. Não tenho coragem de trocar olhares com ninguém. A vergonha não me permite...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sinceridade