terça-feira, 31 de março de 2009

Suburbano tem mais é que morrer...

Sim, minha família por parte mãe é do subúrbio. Subúrbio do qual tanto adoro e me orgulho. Passei parte de minha infância por lá, quando ia visitar meus avós finaldesemanalmente . Anos depois, pós-pré-adolescência e logo depois de ganhar meu irmão por parte materna, fui morar lá, já que minha mãe ficaria mais próxima dos pais e irmãos dela, avós e tios meus.
Aprendi muita coisa, perdi muita coisa e ganhei inúmeras outras. O saldo final foi, sem dúvidas, positivo. Troquei o ventilador e a varanda do décimo andar do Grajaú, pela liberdade por becos e vielas entre idas e vindas do calor infernal suburbano. Troquei o judô da escola da época, na Tijuca, pelas brigas de rua e o aprendizado de se virar sozinho caindo na porrada, levando e dando, sempre que preciso. Troquei os lazeres no play pelo pé no chão – com direito a topadas e unhas extraídas sem anestesia pelo asfalto quente – e pipa no alto. Troquei a preferência de ganhar aquele vídeo-game da época por poder voltar depois da meia-noite daquela festinha do “Catatau” – um dos inúmeros apelidos que só encontramos em locais do gênero – sozinho e com o resto da galera.

Troquei piscinas por mangueiras. Troquei porteiros por portões. Troquei os “pique - escondes” nas escadas e atrás das pilastras do play pelos sarrinhos nas meninas atrás das bananeiras, árvores ou qualquer coisa que poderíamos nos esconder. Troquei a mordomia de ter empregada que levava groselha e trakinas enquanto eu mal me movia pelo aprendizado e respeito do “sujou-lavou” após os biscoitos fofuras e os ki-sucos de morango.
Aprendi a respeitar os mais velhos, mesmo os que fossem poucos anos acima de mim. Aprendi a valorizar as amizades e mantê-las.
Aprendi e entendi que posso ter um tênis novo e branco, de marca e da moda, mas que isso não me torna melhor que o vizinho que vai a mesma festa de kichute e bermuda rasgada.
Aprendi a entender a alegria da vizinha ao receber uma boneca simples, imóvel e dura enquanto eu vivia reclamando que meu carrinho de controle-remoto estava sem pilha.
Aprendi e tive a oportunidade de absorver isso que, Graças a Deus, será levado para sempre em minha vida, seja com sobrinhos, primos ou filhos.

Aprendi a identificar sorrisos sinceros, verdadeiros e diferenciá-los dos forçados e falsos.
Aprendi a dividir antes mesmo de querer “ter” ou “ser”. Aprendi a olhar pro lado e ver a vida dos que me cercam, antes de reclamar da falta de algo. Esqueci até do Guaraná Tai quando passei a tomar gosto pelo Tobi. Esqueci do Fandangos e do Zambitos quando passei a curtir as Pipocas Frank. Os controles de vídeo-game foram completamente esquecidos quando fui apresentado ao charme e simplicidade de um iô-iô ou uma bolinha de gude.

Aprendi a dar calote, a correr da polícia. Aprendi a fazer merda, a identificá-la, aprendi a linguagem da rua e até onde posso ir sem que minha integridade seja posta em risco.
Aprendi a ir à praia com o dinheiro contado de ida e volta apenas, assim como passei a entender que um calote meu e de todos os amigos somados – geralmente na ida – significava um refri de dois litros e alguns pães com mortadela fatiada.




Aprendi que existem meios-de-transporte, diferentes de carro, bicicleta ou avião.
Aprendi que meus pais são humanos comuns e que não podia me garantir somente neles. Aprendi a ter jogo de cintura e me “encaixar” entre a escada e a roleta dos ônibus quando estes, indo à Cidade, passavam completamente lotados. Aprendi a “manha” de dormir nos bancos dos mesmos sem que me “entortasse” ao levantar. Aprendi a andar de trem, Kombi e até a pé, acredite.

Aprendi a reconhecer maldade nas atitudes alheias. Aprendi a “maldar” gestos e ações das pessoas nas ruas. Aprendi tanta coisa que faculdade alguma me ensinaria....




Putz, este texto ultrapassou a verdadeira mensagem que gostaria de passar que, na verdade, até esqueci qual era. Se fosse ficar falando aqui do subúrbio, meu trabalho acumularia...Pensando bem, muita coisa mudou e a tal globalização serviu pra alavancar muita coisa por lá. Ajudou a “igualar” muitos segmentos, outrora inexistentes. Deu espaço pra todos e diminuiu consideravelmente a “distância” existente entre as sociedades de “lá” e “cá”. Muita coisa mudou pra melhor, enterrando de vez o subúrbio dos anos 80...

Tem dez anos que voltei a “Zona Sul”, como os de lá dizem, e confesso que preciso corrigir determinadas coisas que o cotidiano do lado de cá fez questão de me “contaminar”. Tem dez anos que “voltei” mas, nunca, sem deixar de passar um final de semana por mês por lá. Preciso re-consertar muita coisa mesmo mas certeza tenho de que o essencial, a índole, o comportamento e o respeito – este, raro hoje em dia – ficará pra sempre tatuado aqui dentro. Isso ninguém tira. O compromisso do que é saber ser humano e o papel dele dentro de uma, dita, sociedade.
E, pra finalizar com chave de ouro, segue um bom e velho Chico.



" Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança funk, o rock, forró, pagode,reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa
Lá não tem moças douradas
Expostas, adam nuas
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha tua voz
Nos arredores
Carrega tua cruz
E os teus tambores
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança funk, o rock, forró, pagode
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia
Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdi em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim da linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência..."

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ass


Eu hoje esqueci o cinto. E minha calça tá caindo. Eu sempre esqueço algo. Seja em algum lugar ou no meu próprio lugar. Sempre foi assim mas ninguém entende. E vivem a me cobrar para que não seja assim. Como se minhas falhas afetassem diretamente a vida delas, das pessoas. Minha terapeuta vive dizendo que as cobranças das pessoas nada mais são do que as coisas que elas mesmo queriam que acontecessem com elas. Não existe cobrança sem a identificação de quem cobra, isso é um fato, ela afirmou. E assim eu sigo: com minha calça caindo, sentindo o apertar do cinto.
E assim, sigo. Com as pessoas tendo que ver o excesso do meu cofrinho (ou a escassez da roupa?) gratuitamente. E ainda fazem cara feia. Eu não, eu acho justo. Elas são obrigadas a ver o excesso da minha bunda quando sento. Em troca, vejo o excesso dos corpos delas, das pessoas, ou a escassez das roupas delas, das pessoas.
E assim o mundo anda. Um cobrando ao outro que a bunda do próximo não fique exposta. É como uma fila: o primeiro, com a bunda de fora, ouve reclamações do segundo, pois este, o segundo, é obrigado a ver a bunda do primeiro. O terceiro reclama que é obrigado a ver a bunda do segundo, que reclama do dever de ver a bunda do primeiro, sem saber que o terceiro também vê a sua bunda, o do segundo. E assim, abundantemente, ou seja, sucessivamente.
E assim vamos seguindo, uns olhando as bundas dos outros, cheirando as merdas dos outros, mas todos – com raríssimas exceções – tendo/sendo cobrando-os uns aos outros, mas esquecendo de sua própria bunda, de seu próprio excesso e escassez.
A bunda nesse caso pode ser trocado por qualquer outra parte interior da pessoa em si.
Pensa bem: estaremos sempre cobrando a perfeição do próximo sem que nós, consertemos, nossos próprios excessos e escassez(es??).
Haja cu.


Empadece!


Bebemos. E, obviamente, após alguns goles, se deu início a mais uma discussão. Não lembro ao certo o motivo mas “explodi” em função do excesso de reclamações sobre minha pessoa.
- Porra!! Que desperdício de tempo comigo. Se possuo ou sou isso tudo, porque continuar???
- Porque você isso, aquilo, aquilo lá, acolá...
E continuava: - E mais acolá-lá, issoeaquilojuntos, tralalá...
Em meu habitual silêncio, comecei a catar minhas coisas e jogar dentro da mochila.
E non-stop: - porquerporquerporq.........
Após reunir a última peça fui calçar o tênis.
- Onde você vai??? Pestanejou...
De forma resoluta, respondi: Vou embora.
- VOCÊ VAI EMBORA MESMO??? Se aproximou em tom ameaçador.
- Sim. Respondi seco. – Tô de saco cheio de ouvir que não presto, que sou isso, que não sou aquilo, que blábláblá...
- SE VOCÊ SAIR POR AQUELA PORTA, VOCÊ NUNCA MAIS PÕE OS PÉS AQUI. Gritou.
Abri a porta em silêncio e fui pro elevador.
E lá foi o maquinário aparecer no 5º andar pra sentir seus braços me segurando e, em meio a lágrimas e soluços desesperados, ela amorosamente dispara: FICA, POR FAVOR??

- Tá vendo como você consegue ser carinhosa?? Lhe disse baixinho. E prossegui:
- Viu como consegues ser doce comigo, da forma como eu SEMPRE peço??

Ela baixou os olhos como se assumisse a dificuldade em ser assim e, copiosamente, disse: DESCULPE. VOU TENTAR MELHORAR. FICA COMIGO.

Abracei-a e voltei. Como negar um pedido daquele?
Dormimos abraçados, colados.
Amanheceu e, sem me dar um abraço, beijo ou qualquer forma de aproximação, ela saiu pra trabalhar.

Nada como mais um dia onde nada mudou, pensei de forma irônica. E me pus, também, ao trabalho.

-Ahhh!! Adoro nossa decadência. Falei baixinho ao porteiro antes de cair na rua...

Madrugada. A gente na cama em silêncio após mais uma de nossas desgastantes e descartáveis discussões. - Assim, tá foda, pensei.
Ela com a cara virada pro outro lado, inquieta, solta: - Incrível como você é complicado.
Segui em silêncio.
- Consegue discutir por coisas bobas.
Resolvi cessar o obscuro momento sonoro e argumentei que nem sempre é assim. E que, as vezes, ou quase sempre, buscava sempre um diálogo tentando me fazer entender em certas coisas, já que, espaço para tal inexistia.
Como sempre, ou na maioria das vezes, ela digeriu mal e, logo, iniciamos mais uma discussão. Só pra que o costume se mantesse...
Pronto. Ânimos exaltados troca de farpas e pitadas irônicas recebi. Dizeres maléficos, proferi. Cara emburrada e fechada surgiu naquela face.
Iniciei meu tradicional silêncio e engoli aquele mal-estar bobo, babaca e dispensável no ar.
Permanecemos de costas um para o outro. Na rua, alguns barulhos de carros interrompiam o som do ventilador.
Ela, puta, sem paciência e como se buscasse outra briga, atingindo assim o recorde indoor de atritos sob o mesmo teto, veementemente fala: ME ABRAÇAAAAAA POXA!!

Abracei-a
Dormimos.

Cizânia


Mandei um recado de bom dia.
Recebi silêncio.
Mais tarde, tentei um diálogo.
Ela respondeu com uma cara fechada.
Tentei um abraço e ela seguiu imóvel.
Beijei seu rosto.
Ela mal se manifestou.
No pé do ouvido, sussurrei segredos...
Desprezo como retorno.
Aí, me irritei. Fechei a cara e, calado, virei de costas.
Ela foi rápida e seca: PORRA!! VOCÊ É MUITO COMPLICADO DE SE LIDAR.

é sério?

Acendi um cigarro.
- Você fuma muito. Reclamou ela.
Tentei ignorá-la para não iniciar uma nova discussão.
- Meu quarto fica fedendo a cigarro. Ela esbraveja
Em silêncio peguei o cinzeiro e me pus pra fora do cômodo.
- Onde você vai?? Indagou de forma áspera.
Permaneci em silêncio.
- Cadê você???? Ela berrou rispidamente.
- Vou fumar na janela da sala para não deixar seu quarto com cheiro ruim. Respondi no mesmo tom.
E ela, como se desarmasse, pediu, embora com o mesmo tom agressivo: - Volta aqui. Eu adoro quando você fuma no meu quarto.


Vá entender...


E no meio da discussão, interpelei-a:
- você só sabe reclamar de mim, ora bolas.
Vive repetindo que:

- acordo tarde demais
- durmo tarde demais
- como em pé
- sou ogro
- mal-educado
- fumo em excesso
- bebo demais
- quero diálogos o tempo todo
- cago demais
- vou ao banheiro demais
- sou branco demais
- não vou à praia
- sou da noite
- sou grosso
- não gosto de viajar
- eu não trabalho, mas que fico enrolando quando fico até mais tarde
- compro livros demais
- gasto demais
- ganho de menos
- não junto
- sou difícil de lidar
- me mexo muito dormindo
- não sei praticamente nada de inglês e isso é fatal

E quando pensava em abordá-la, tentando entender o porquê de tanta reclamação se o mais “correto”, seria me largar, ela ousadamente afirma: TE AMO!!

terça-feira, 24 de março de 2009

Ensaio sobre a burrice

E a saga Tostines continua...
E as cenas se repetem...
E a cegueira tosca e burra permanece...
E " Todos estão surdos.."

sexta-feira, 20 de março de 2009

É bom sentir a lentidão nos poros.
É bom lembrar que você era diferente
há uns anos atrás.
As coisas mudam sim,
mas as mudanças
nem sempre
são importantes.
O bom é apenas mudar,
sem preocupação
com se tornar melhor
ou com ser feliz.
Olho aquela foto e penso:
era eu ali,
eu mesmo,
como sempre fui
e distante do que sou
hoje em dia.
A gente é tanta coisa,
a gente pensa tanta coisa,
e tão pouca coisa
realmente importa.
Quando eu era babaca e adolescente
eu falava pra todo mundo,
sem saber o que eu falava.
E repetia porque eu queria parecer inteligente:
"ser sincero contradizendo-se a cada momento".
E a frasezinha do Pessoa
tinha seu impacto
e fazia umas garotas
abrirem as pernas
pra mim.
Hoje já não me interesso
pelas garotas
que se impressionam
com a frase deveras genial.
Apenas observo o mundo,
mais ou menos como sempre fiz,
e repito a mesma frase,
mas apenas pra mim mesmo.
Talvez eu seja mais honesto,
talvez eu seja mais triste,
tanto fez e tanto faz.
A vida lenta nos poros,
a calma possível
e o conta gotas fatal
dizendo baixinho:
- sim, sim, continue.

Duelo dos L


"...sei que eu não sou quem você sempre sonhou....."


"... e da minha parte, você sabe, eu não quero nada mais do que você consegue ser. Nem mais nem menos...."


" .... por saber que o erro era meu..."


quarta-feira, 18 de março de 2009

Dia-a-dívidas

Todos nós temos dívidas. Todos. Se não for com bancos de crédito, será com alguma coisa: Deus, consigo mesmo, com seu próprio caráter, com aquele objetivo que nunca concluiu - quiçá começou - com o vizinho, amigo, um idiota agiota qualquer. Enfim, dívidas não são normais mas existem, assim como várias outras coisas.
A vida é dívida. Os dias são dívidas que vamos pagando diariamente à alguém ou algo. É verdade.

VIDAS.
Mas ninguém entende mesmo...


Uma encomenda de livros chegou lá em casa. Fiquei felicíssimo. Meu pai que recebeu e, grosseiramente, falou:
- Que livros são estes?
- Alguns que tanto queria e não os encontrava. Através da internet, encomendei-os.

- Mas você está fazendo mais dívidas??? Ele disse.

- Livros não são dívidas. Livros são investimentos para a alma, para esse EU aqui de dentro que não deve a ninguém. Logo, eu aqui de fora devo, mas este EU aqui de dentro, não. Respondi com um ar irônico, mas sincero para que ele entendesse.

- E quem é que vai ler estes livros? Perguntou ele nervoso. - O tal EU de dentro ou o de fora?

- Hummm. Confesso que não sei pai. Mas prometo buscar a resposta dentro destes livros. Prometo.

Ele puto da vida: - Você já deve algumas coisas, onde estava com a cabeça quando os encomendou??

- Não sei pai, não lembro. Nas dívidas é que não estava...

Mas ninguém entende mesmo.


Ah, o engravatado da foto da dívida não sou eu. E meu porquinho começa a ficar cheio.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Como?

E como exigir novos Buk´s, Bortolotos e afins se, nas cidades, mínguam as fontes de inspirações?


Multiplicam-se os pés limpos como formigas em docerias. Nada mais pra se espelhar. Nada mais lhe fazem crer. Os pés limpos nascem diariamente em esquinas calorosas e coloridas. Não se vê mais baratas passeando por eles. Bactérias, fungos e mosquitos foram exterminados, levando consigo todo o charme de um autêntico butecão, pé sujo, mata-rato. Eles nascem pomposos, recheados com jovens músculos em camisas de grife, jovens bundas femininas e seus rebolados em salto alto bronzeados. Elas abusam do gloss, eles dos pós, tornando os ambientes frescos, coloridos, alegres e cheirando a cartões de créditos e bebidas exóticas. Não se vê mais ovos cozidos e pão francês com carne assada. A moela de hoje em dia possui temperos chiques, as brigas deram lugar aos chiliques, as educadas divergências são rapidamente contornadas sem nenhum resquício de violência. As moedas não existem mais e as balas não substituem os trocados. Ninguém toma mais cachaça, ninguém mais cai de forma trôpega, deprimentemente de forma merecida.
Como exigir novas desgraças e seus talentos se o status de hoje em dia – o mais importante nível a ser atingido: a imagem – impede que a degradação venha de forma honesta e patética, fazendo com que até as quedas sejam aprendidas em cursinhos rápidos por módicas quantias???


quinta-feira, 12 de março de 2009

Quer ignorância maior do que ler?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ainda creio que conseguirei ter tempo e calma para apreciar todos os meus favoritados um dia. Um dia é pouco, reforço.
E eu sigo aqui, firme e forte na minha luta diária em busca do que-não-sei-o-quê-só-sei-que-quero. Ou, sei do que não-quero. No rádio ao lado, bem baixinho, ouço o som da rádio tal, este que me leva pra bem longe daqui, talvez mais de onde eu desejava estar. São lembranças, sempre elas. E me remetem, e me afuturam, para lazeres pré-criados e, pra sempre, assumidamente curtidos. Pra gritos e explosões, pra bafo bafo e pra visitas intercaladas do meu velho genitor terrestre.
E sigo correndo, fugindo, pra qualquer lugar longe daqui, mas, mais importante, pra onde eu possa enxergar a bagunça na qual quero me-ser inserido. E nessas fugas, ouço letras, frases, palavras e textos que possam me servir de inspiração-ação para tal achado. Tal encontro, este, mesmo que momentâneo, ao menos me deixa fluir em paz consigo, antes da próxima tempestade de pensamentos como estes.
E vá entender quem de lá, tenta me entender? Vá em uma vã tentativa de captar o discernimento, os dizeres e porquês de X ou Y em determinar, diagnosticar receita tal para N “problema”. A dor/sensação/alegria/desconforto é minha, logo, AS Infantil não me caía bem – e me dava alergia – e em você, mal nenhum fazia, lembra? Claro que não, apenas soube.
E nestes descompassos, nestas fugas da retina – que sempre cutuca o hipotálamo, a mente – tento alucinadamente, desesperadamente, encontrar “buracos” nos quais possa enfiar minha cabeça – isso, tipo avestruz – e entender-me comigo mesmo. “ Olha, é assim, assado, cozido e frito, entendeu?” E aí, por mais que o arroto traga um gosto – e uma lembrança – não tão prazerosa, ao menos a digestão será bem-vinda, analisado o momento em si.

E nessassim vou indo – como diria o rei (?) – entende?

terça-feira, 10 de março de 2009

Eureca!

Achei esse blog/site foda. O lendo aborda leitura em geral. Desde livros técnicos especializados em determinado assunto, passando por escritores conhecidos - e outros nem tanto - até descompromissadas matérias interessantíssimas, tais como essadaqui.

Vale a pena dar uma favoritada.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Egoísmo potencializado

Porque eu queria a união dos meus amores, dá pra entender? Porque quero unir meu amor maternal, o de família e tal, com o sentimento por você.
Assim, juntando os dois amores por algumas horas, me sentirei a pessoa mais feliz do mundo.
Me proporciona isso sem muito pensar? Sem achar um penar?
Porra, só ir quando a vontade bater já é algo que faço. E quando digo que pilhei de ir, é porque quero você comigo.
Mas no fim (sempre gostei destas três letras em sequência) entendo.
É esse mundo louco que, aos poucos, vou tentando entender. Esse mundo moderno demais pra mim. Onde as pessoas fazem somente o que bem entendem – tipo eu – e quem não gostar que vai lá....
Não rola mais cedência, não rola mais esforço algum pra agradar. Se combina, excelente. Se não encaixa em alguma coisa - mesmo que a identificação role na maioria das vzs - desculpe, não vai dar mais. Fica bem, bjs.
Só não posso aceitar que me tirem o direito de ficar chateado (puto não! já fico puto com tanta coisa) quando não consigo a união de dois sentimentos fortes e puros (creio que os únicos vindos daqui) com boas e geladas cervejas para bons papos sem compromisso. Ainda mais nesse mundo louco e frio onde as pessoas e seus defeitos são, assim, facilmente substituídos de um dia para o outro por novos rompantes e defeitos.
Um dia ainda me acho.
E aí, ninguém me segura.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Cotidiano

cenas se repetem. ao fundo, pcs maquinando, mentes trabalhando, imaginações não parando e aquele leve mal-estar por isso e aquilo. as cenas se repetem, só mudam os personagens.
definitivamente, quero voltar pro meu mundo.

Loucura?

Ahhhhhhhhhh!!!!! Perfeito!!!!! Lembra ( tudo bem, de longe ) isso daqui.

olha, ele disse, admita.
o quê? perguntei.
quando você vê aquela gorda no supermercado que está escolhendo laranjas, não se sente a fim de ir lá e espremer aquelas ancas feias bem forte apenas para ouvi-la gritar?
do que diabos você está falando,
cara? perguntei.
e quando o garçom te traz teu jantar, não pensa por um instante que poderia matá-lo?
não antes do jantar, respondi.
o que estou querendo dizer com isso, ele continuou,
é que há uma linha muito tênue entre o que chamamos sanidade e o que chamamos loucura
e que o esforço que fazemos para permanecer no lado são só é feito para que não sejamos
punidos pela sociedade. senão, iríamos frequentemente cruzar essa linha e as coisas seriam muito mais interessantes
eu não sei do que diabos
você está falando, cara,
eu disse a ele.
ele apenas suspirou, me olhou
e disse, deixa pra lá, amigo.
(Charles Bukowski)
Porque assim como buscamos coisas raras, boas, diferentes e tesudas em sebos mundoafora, quando aqui na escravidão desmotivadora do trabalho me pinta um tempo, vou "garimpar" ( com todo respeito, ou nem tanto), dizeres pueris e docaraleo, com os quais sempre ( eu disse SEMPRE ) me identifico. E segue abaixo mais:
"E éramos todos Thunderbirds. Com nossa honestidade vagabunda. Com nossa santidade amaldiçoada, orgulhosos de nossa iconoclastia. Com o nosso firme e desprezível propósito de não chegar a lugar nenhum. Nós que não acreditamos em nada, com nossos despertadores quebrados, nossas rotas de fuga interditadas, nós que não queremos ser notícia, nós que não merecemos crédito e não entramos na corrida dos ratos. Nós que alimentamos nossas panças precoces e proeminentes. Vamos queimar em algum sol de alguma praia vagabunda. Nós e nossas ereções secretas e silenciosas. Estamos à procura de uma nova identidade".
Pra variar, daquió.

On Time, Full Time, Stop Time.

Deus trabalha 24 horas?

Que Ele nunca me deixe morrer de infarto corporativo ou qualquer coisa similar em função de estresses causados por escravidões empresariais. Ou corre seriamente o risco de uma escala minha no céu - antes do destino final, dançando bundinha com o capeta - para dar umas porradas angelicais.

terça-feira, 3 de março de 2009

Cheiro do Ralo

Bunda boa é assim. Que nem essa. Grande, graúda. Larga, porém, firme. Nem é de toda unanimidade não, admito. Mas foda-se, salve Nélson, toda unanimidade é, e sempre será, burra.


A meu ver, essa sim é uma bunda boa. Daquelas não tão chamativas mas longe da discrição. Parece que possui vida.


" Fala parceiro, beleza. Essa aqui é a Bunda da Coxa Gostosa Azevedo "


É grande sem ser imensa. A meu ver, do tamanho ideal. Daquelas que dão vontade de dar uns tapas, sabe? Daqueles bem dados, firmes, nem fraco, nem forte. Na medida. Aqueles tapas espalmados, "Plá". Som seco e provocante. Estas sim, aguentam e tem por obrigação gostar de receber e pedirem mais à medida que ganham.


Bunda boa é assim. Que excita, renova, implora, faz suar. Carnuda, muda mas falante. Que invoca, provoca, delira e inspira. Dessas que fazem a gente querer levá-las pra passear, dar uma volta. Dessas que dão revolta pra quem não tem uma. Ou já teve. Tipo eu que já tive. Ou não iria falar assim, com tanta propriedade e uma certa maldade e saudade, obviamente.


Bunda boa é assim, mexe com a gente. Balança como se falasse a cada rebolada da banda da bunda: " Vem, Cá! Vem, Cá! Vem, Cá!". Ou algo mais provocante e certo de que mexe comigo: " Olha, aqui!. Olha, aqui!. Olha, aqui!" . E cada vez que a banda direita cruza com a esquerda, é quase uma comemoração:
" Vai lá, arrebenta banda vizinha. "

" Ié ié!!!tô chegando, não vou deixar a peteca cair. Daqui a pouco nos vemos."


É assim a tal da bunda boa. É como conjunto e evolução de escola de samba: sozinhas não funcionam. Ou me diz, o que seria de uma banda de bunda sem a outra junta?
Bunda boa é assim, provoca o caos no trânsito, semea sem mea-culpa a celeuma na relação alheia.


Ah, bunda boa.

P.S: Essa bunda da foto, apesa de boa, serve apenas para inspiração de algum provável leitor(a). O texto não se referiu à ela, mas sim a todas as bundas que transitam e ajudam a engarrafar o trânsito por aí. Não todas, obviamente, tem umas que merecem ser atropeladas. Quis dizer que existem bundas que merecem homenagens. Tal qual fiz. Bjundas!

Se essa rua fosse minha...

Na minha rua não tem gente atraente. Não existe ninguém interessante no perímetro onde resido. As pessoas são comuns e o comércio, pouco, normal e tranqüilo. No fim da rua tem um morro( acho que no fim da rua de todo bairro, talvez do Rio ), na outra parte dela, o metrô e os carros.
Na minha rua nada me encanta. Talvez no início dela, lá próximo ao metrô e aos carros, tenha aquele trecho onde eu gosto de apreciar o morro - este que fica aqui - no fim da minha rua.
É uma bonita paisagem. Exótica. Diferente, dependendo do ponto de vista. Você vê a cidade e seus prédios imensos construídos pelo ser humano, seus cidadãos e contribuintes passando pra lá e pra cá com suas vidas mais ou menos ou nem tanto e, lá no fim – da minha rua – aquele espetáculo, aquela selva de pedra, pó e madeira.



O verde trocando confidências com o concreto inacabado, as árvores e o restante delas – desta vez sustentando um lar, uma família - confidenciando brigas e estampidos, sambas descabidos, pagodes desnutridos e filhos mal-paridos.


Do lado de lá, humanos e também cidadãos, vendo nossa selva de pedra, de concreto e vidro, de ferro e aço. A tecnologia sussurrando com os parcos valores, a globalização caindo em cima da futilidade, evidenciando a banalização e o status, enquanto são cúmplices - dos mesmos das vidas mais ou menos ou nem tanto - de desagrados familiares, de esposas e seus ciúmes que mandam tudo pelos ares, de parentes destruidores de lares, dos amantes aos pares e suas cenas espetaculares.


No fim, tudo se mistura. As selvas de aço e de pedra. As pessoas - de lá de cima e daqui de baixo - e suas vidinhas mais ou menos ou nem tanto. As faces e disfarçes se contradizem. E se cruzam. E se manifestam. E continuam fingindo que não se viram.


No fim, tudo se engloba. O aço largado com a polícia subindo pelas escadas e o aço largado com o amante descendo pela escada, o pó das mãos das empregadas daqui e o pó das mãos dos filhos delas de lá, o cheiro de perfume da burguesa e o "cheira mais, freguesa", as mortes dos daqui, metralhados pelos de lá, como a morte dos de lá, ignorados e esquecidos pelos daqui. A água ardente que lava o corpo sujo do filho que se foi, e o aguardente que se ingere pra esquecer - e aliviar a dor - porque amanhã é dia de batente.


No fim, tudo se junta. A cocaína vendida lá e a anfetamina vendida aqui. A maconha vendida pelo sem-vergonha lá do alto e o sem-vergonha fumando maconha aqui do lado. A bala como trocado lá e a "bala" por um troco aqui. Os de lá, dividindo pipoca com a "mina" no cinema de um shopping, sentem inveja dos daqui. Os daqui, dividindo pipoca com a namorada no cinema, assistem filmes de bandidos trocando tiros e sentem inveja dos de lá.


No fim, tudo se mistura. O hip-hop aqui e lá, proibidões aqui e lá. Desafios às autoridades aqui e lá...





No fim, tudo se esclarece. Somos todos iguais. Aqui e lá.


E porquê essa marra toda???


Adaptações são fodas. Mas sempre existiram. Assim como o mau-humor próprio.

Preciso parar com os medicamentos. Pra ontem...

Sessão da Tarde : Vale a pena ver de novo.

Pessoas e suas corporatividades. Amanhã o filho está até o pescoço envolvido em drogas, a esposa com 117 amantes e a filha já fugiu de casa há 12 dias e Deus é logo invocado: " Logo eu? O que fiz?"

domingo, 1 de março de 2009

É Fantástico!!!

Você gravaria comentários inúteis somente com a intenção de aparecer no Fantástico???