sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E nós...


Engraçado. Já tem algum tempo que descobri esse fetiche urbano. Esse nóia de parar e ficar admirando cada nova descoberta de coisas que já existiam ali há anos. É tudo uma questão de sensibilidade. De como, e do momento, de olhar. Paro e fico ali, que nem um três de copas estático, viajando, me tomando por idéias, devaneios dos mais variados. Paro e fico ali, olhando pro alto, tesudamente analisando as construções da cidade. Paro e percebo a diferença entre o prédio azul e o bege. A forma em que as varandas foram feitas, denunciando a diferença – grande – das épocas em que foram criadas. Eu páro e fico admirando a intervenção humana na natureza. Até onde o ser humano e suas mirabolantes – e prejudiciais – construções podem chegar. Até que ponto assinamos embaixo -assumindo - o câncer que somos pra natureza. E fico viajando.
Meu ápice de pau-durice é sempre no cume, sem trocadilho. No alto, lá onde o concreto termina e a natureza se inicia: o exato local onde o céu dá start, deixando pra trás a última sujeira da toda e tola ousadia humana. Eu páro e fico ali, paquerando os prédios, sozinho, me dividindo apenas entre os pensamentos sobre a audácia mesquinha de nós, humanos, e algumas bundas interessantes que me cruzam. ( E penso em como queria cruzar com elas ). É fantástico. É bom pra caralho você perceber que, apesar de todo esforço, o ser humano tem o seu limite “travado” pela natureza. Não adianta. É assim. E sempre vai ser assim. Quem manda não somos nós, é ela. A gente sabe mas finge que não. No dia em que ela se emputecer e resolver colocar pra dentro dos anais de nossa história, aí sim, a gente vai valorizar o cú em que moramos.
E aí sim, as baratas ditarão o ritmo e o novo jogo da vida.

Pense nisso.
Tem uma hora que tudo isso vai ter que acabar. E eu vou ter que voltar para aquilo que fui predestinado. Ontem assisti o documentário do velho Buk e hoje estou aqui deitado na rede lendo os ensaios que estão na edição original de "On the Road". Uma hora tudo isso vai ter que acabar. E não é assim, como os anos acabam, como uma festa acaba. Tipo não é assim com o táxi indo embora deixando alguém te acenando no retrovisor. É só assim, como o prenúncio de algo que está fadado a acontecer. Vi ontem nos extras do documentário o Velho Buk descendo as escadas, cumprimentando a esposa, afagando o gato e lendo alguns textos. Foram suas últimas imagens. É assim que tudo acaba. Então devo fazer o que tem de ser feito. Aquilo que sei que fui predestinado. Então não esperem de mim mais do que isso. As cartas que não enviei, os e-mails que não respondi, os textos que não li, e todos os convites que gentilmente recusei. Mesmo porque não sei fazer de outro jeito. Por isso ando até a janela, respiro e volto pra cá, pro meu lugar. É onde preciso estar. Quando tudo acabar.

Todos diferentes, porém iguais.

É estranho, tá estranho. Foi tudo estranho. Mas foi bom. Foi legal. Foi interessante. Percebo que desde a última vez – quando cometi alguns erros – preciso melhorar. Não pra mim, não pra ela, não pra eles, não pra ninguém. Sim, pra mim. Percebo que preciso – conforme mamy fodasticamente me disse na última madrugada – cair no clichê e dar tempo ao tempo. Dar o meu merecido tempo à vida. Deixa ela fazer algo por mim também. Hoje eu não quero ser dono do meu destino e nem de minhas razões e, loucas, emoções. Hoje eu quero ser tudo e todos, menos eu. Mesmo sabendo que, de todos, tem um pouco de mim. Confuso né?eu sei, assumo. É estranha a sensação mas acho que é necessário ser feito, ser passado. Mais tarde ponho pra fora determinadas coisas, posterior a isso, nutro esperanças, perco-as, afogo-as, mas amanhã sei que é outro dia. Amanha é festividade em quem me pôs no mundo e nada melhor que colo encaixável para essas horas.
Engraçado que essa situação é parecidíssssima com outras passadas. E todas sempre com o mesmo erro, com o mesmo fim e com o mesmo resultado final.
Etapa nova. Vida nova. Esperanças idem e decepções também.
Hoje é daqueles dias em que nada se pensa e nada se quer, além de um bom colo disposto e que mereça. No mais, deixa ela vir e me presentear com tudo novo, da mesma forma que sempre foi feita.


Nada novo, de novo.
Me deixe enquadrado no quesito “ bêbado de boteco” então. Vai te fazer bem?
Foda-se que estão olhando. Todinhos tolos com suas vidinhas de merda iguais à minha. A diferença é que sou feliz assim, do meu jeito. E até quando ando triste, acho graça. Engraçado né?

Pode rir com teu arzinho escroto e caído. Esse teu ar de desespero por não poder prever o amanhã que, tatuado na tua testa de forma bem explícita, pisca incansavelmente como luz de motel vagabundo da Avenida Brasil: DERROTA!! DERROTA!!!.

Engasgue com teu choro fracassado a incapacidade de poder lutar. A ineficiência de tuas batalhas internas, perdidas e medíocres.

Chore, rie, gargalhe. Mas tenha todas as atitudes sob o desespero no auge do fracasso. E que ele, o fracasso, seja somado a todas as tuas quedas passadas e futuras. Talvez, com isso você passe – não a entender, mas respeitar – o próximo choro do próximo. Seja este no boteco ou no altar.

Que sua estúpida insignificância seja cúmplice do seu peso na Terra enquanto milhões passem a sorrir a cada queda próxima tua. E que teu desdém te consuma e, assim como argila, te afogue na próxima esquina em que tropeçar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

E lá sei vai, meu Pai.

É mais um dia e lá se vai Dona Maria.
Mais uma “Dona-Maria-vai-com-as-outras” trabalhar.
Ela é do lar.
Dos outros.
E na cabeça o prato de hoje para Dona Lurdinha:
sardinha.
Teve a idéia ao se sentir como uma. Espremida e sacolejando no vai e vem do vagão do trem.
Que a deixa a poucos metros do
metrô.
É baldeação na lotação antes de chegar as oito no serviço.
Pra colocar o balde em ação e fazer bonito.
Sem reclamar, antes de a patroa acordar.
É lavar, suar, arrumar, enxugar, passar.
É ver a hora passar e lembrar que ta sem tempo
faz tempo
De recordar que amanhã faz anos o neto Neto.
E que desde ontem não sabe o que vai poder comprar para o menor. Que já está crescendo e, da maneira largada que vive, em pouco tempo ta cheirando cola.
- Talvez eu dê uma bola.
Ele está me pedindo desde que largou a escola,
E passou a tentar ganhar a vida de outro jeito, pedindo esmola, é mole?
Já na vida há essa hora?
E dão onze horas
E o estômago me lembra que nem tomei café.
- Vai acabar não dando tempo de começar a fazer o almoço.
Haja fé.
Pensa enquanto, pra tapear a fome, rói de um filé, o osso.
Sardinha, tomate e batata no molho.
Vai ser batata. Arroz, feijão, salada e farofa de ovo.
Depois do elogio, lavar a louça, e recomeçar as tarefas de novo.
No rádio, Chico: “Essa moça ta diferente...”
Na mente, torcedor do Botafogo, o marido
Em coma induzido desde que
foi atingido na barriga
Por uma bala perdida, vindo de um tiroteio entre polícia e bandido
perdeu o freio e invadiu local proibido
- Violência sem sentido

Alertada pela dor de dente, parou de pensar
E voltou ao batente
Sabão em pó, vassoura, detergente e no rádio: funk
Vez em quando pagode e colocar a roupa no tanque
tardinha terminando
noite chegando
patrão retornando
patroa lamentando
as crianças sujando

Mesa posta e jantar na mesa
- Posta de peixe
ou frango a milanesa?
- Está uma beleza!! Que tempero, que cheiro, que sabor!!
Eu que temperei, obrigado Doutor!!
Está de parabéns. Faltando alguma coisa na dispensa?
E pensa...
- Se não, está dispensada.
- Obrigada.

- Nada.
- Amanhã, mesmo horário, ta bom?
- Sim Sra. Enquanto passa batom...
No elevador, ajeita o cabelo.
Separa o dinheiro da passagem e cumprimenta o porteiro:
- Até amanhã Zé.
- Vai com Deus Dona Maria.
- Fique com Ele e dê um beijo em Luzia.

E pega a condução.Tudo engarrafado, caminho matinal inverso.
E chega a conclusão: Tá tudo parado. Durmo e logo tá perto.

E chega, a rua toda de barro e lama.
- Não vejo a hora de um banho e cama.

O corpo cansado, exausto, fadiga.
- Benção meu Senhor. Beijando a figa.
"Obrigado pelo dia de hoje, por ter um trabalho, por mais um dia. "
De lá de cima e em silêncio, Deus orgulhoso deseja:
"- ATÉ AMANHÃ Maria. "

terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Essa tua cara de sonsa não me engana. Essa tua tentativa forçada de passar uma imagem de meiga e pura não me convence. Esse teu olhar perdido e esse teu óculos de armação rosinha também é tudo fachada. Conheço cheiro de quenga de longe. Reconheço com facilidade uma safada quando bato o olho. E você, pelo visto, deve ser das piores. De péssimo nível e gosto pra lá de duvidoso. Carinha de anjo e alma de puta. Igual a você tem um monte espalhadas por aí. Pagando de calma e comportada, mas desejando mesmo uma grande e graúda pica.

Vive na indecisão entre se comportar, segurando a onda não se deixando levar por esse fogo concentrado entre as pernas ou seguir esses pervertidos desejos e se entregar a todos com quem cruza. (Ou cruzar com todos a quem se entrega?) Duvidosa entre o eterno desejo de viver entre rolas ou a falsa, porém, respeitosa vontade de conviver de forma digna como uma moçinha.

Tu não me enganas vadia. Teu cheiro é forte, intenso, baixo. Exala sexo, sem-vergonhice, tesão, luxúria, despudor, descaramento, fogo, vontade...

Acorde e se solte. Desprenda-se de falsas modéstias e sejas o que existe de melhor em você: tua essência de cachorra. Esse teu lado vagabunda que sempre te dominou. É nítido pra quem sabe enxergar. Tu engana e disfarça teus homens tolos e sem experiência de vida alguma, mas o que te deixa mais louca é alguém como ele, que consegue decifrar teu verdadeiro eu. Consegue ver teu lado nada parco recheado de safadeza. Alguém que te enlouqueça enquanto te domina. Isso sim, te deixa fora de órbita. Sentir-se dominada, devorada, desejada, consumida, consumada, fruto e objeto de prazer pra nós, homens.

Já percebo um leve sorriso no canto dessa boca que já saboreou os mais diversos tipos de pirocas. Viu como não me enganas? Basta um leve despertar e tu já se solta. Põe pra fora toda essa tua volúpia sem preocupações. Basta um canalha que saiba te fazer calar a boca, te ordenar e tu se revela e mais vagabunda das mulheres. E o melhor, tu gosta disso. Tu sente prazer em servir aos machos. Você veio ao mundo pra isso. Pra servir de prazer a nós homens. Esse é teu papel, mais nenhum.

Se solte cachorra. Seja você. Ensine a todas estas que andam por aí camufladas e oprimidas, presas dentro delas mesmas, reféns de si próprias. Servindo de modelo para maridos inúteis enquanto provoca os homens da rua, estes, pouco importando se maridos ou não, desde que te desejem. Mostre a elas o que elas podem ser. Demonstre a todas o que é ser mulher de verdade. Sirva de base para que se soltem, para que coloquem todos os desejos e fantasias pra fora ensinando que traição de verdade é aquela que cometem com elas mesmo.

Tu és o próprio capeta em corpo de buceta. Tu pregas a discórdia, semeas o caos entre as relações, enquanto distribui gargalhadas perturbando a mente alheia.
Se solte madame, ponha pra fora tudo que lhe é permitido. Curta a vida, goze com ela e conceda-se espasmos diários. Sorria e brinde-a. Cante, dance e provoque inveja nas mulheres que ousam dividir o mesmo espaço que você. Elas são fracas perto de tuas atitudes.

Faça o que bem lhe entender, mas sejas sempre você. Tolo é aquele que não te compreender e ainda perder tempo lhe julgando e rotulando enquanto no silêncio da noite desejas conhecer teu todo íntimo.

Ah, nós homens e suas idiotices.

na verdade eu tenho que parar de ficar esperando mais dos outros. eu sei que eu já sabia disso, mas foda-se, agora resolvi esclarecer internamente pondo pra fora, saca? tenho que parar de ficar com essa angústia de ficar esperando de quem a gente espera, que entenda, que estamos esperando, saca? logo eu que volta e meia dou pitacos alheios nas outras vidas, expondo a minha opinião de que nunca devemos ficar esperando alguma coisa de alguém, principalmente, se esse alguém for quem a gente mais espera. saca? pois é, é bem aquilo do faça o que eu digo e não o que eu faço. pitágoras mandou bem quando deixou grafitado isso nas paredes das cavernas da antiguidade. a parada é essa. é preciso saber viver como já disse paralamas. ou titãs? sempre me confundo, embora admita que é inconcebível a confusão com esses dois grupos de homens. mas é isso mesmo. esperar nem sempre alcança. e eu aqui, cheio de pensamentos e se´s sobre possíveis atos ou desgostos profundos de quem nutro um profundo sentimento. e logo eu, que sempre me pego imaginando sem essa situação, fora dela, tomando na olhota mas sabendo rebolar gostoso a ponto de tirar o meu da reta e ficar pronto pra outra. e logo eu, sempre pagando de bom moço quando lá no fundo possuo meus maiores pecados e desejos mórbidos – estes à espera de alguém que me entenda e que se entenda, para que eu possa regurgitar tudo que vi e revi a vida toda – e, nisso, me igualo a todos os que se dizem sãos e humanos. porra, dá pra ser diferente? porque sempre esses percalços internos, me ensopando de inquietação, quando o que mais peço é paz, calma? tô começando a sacar o coé da vida. tô começando a entender como ela funciona. o lance é saber viver, respiração por respiração, sem titubear pra não enlouquecer com esse nosso cotidiano e as pessoas que dele fazem parte. saber que o máximo tá sendo feito, o máximo tá sendo doado, a quantidade de paciência posta pra fora, virando uma virtude, enquanto espero – errando – algo de quem mais aguardo.
não, não pode ser assim. e se já andei patinando até aqui e aprendi algumas coisas, tá aí, mais coisas à serem aprendidas, então. quem sabe lá no fim, olharei pra trás, a reboco, por cima de meus ombrinhos e chegarei à conclusão de que tudo tinha que ser assim? mas e as lágrimas?e a sensação de tombo da época ( no caso, agora )? lá vem ele de novo, me enervando, me distanciando da paz mesmo que eu estique o braço pra tentar pegá-la, toca-la, boliná-la, lá. é. certeza apenas a de que novos dias chegarão e com eles, sabe-se lá. pessoas vem e vão o tempo todo. saca?



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vá...


É isso sim.
Me leia. Me veja. Me tenha. Me bisbilhote. Me acompanhe. Me queira.
Me deseje e me sonhe.


Acorde toda manhã ciente de que nada foi, ou é por acaso. Você já sabe disso. Principalmente o último furacão que passou por aí. Seguido logo depois de outro, este sim, doloroso.


Me lembre e me visite em recordações. Você sabe que ainda estou aí. Me vê e me foge.


Se estou no quarto, foge pra cozinha e me percebe lá também, abrindo uma latinha de cerveja pra gente. É onipresente essa tua fuga, esse teu desejo. Corra para o banheiro porque também estou por lá, refletido no espelho, logo atrás de você. Engatado e distribuindo prazeres múltiplos.
Me deseje, me anseie. Sinta minhas mãos passeando e re-descobrindo cada centímetro desse corpo, te deixando arrepiada, excitada.


Feche os olhos para que o sonho e as imagens se tornem mais reais. Como sempre vai ser...

Coloque outro em meu lugar. Talvez mais alto, mais forte e se surpreenda quando me ver ao olhá-lo. Quando sentir minha ausência ao confrontá-lo.
Limpe os cinzeiros que deixei sujo da última vez. E me espere...

Ouça as batidas na porta, os passos na escada, denunciando minha subida. Ajeite o cabelo pela última vez antes de abrir a porta e me receba com um beijo. E um abraço. E o coração palpitando de felicidade, deflagrando essa situação louca e absurda nunca antes vivida.


Troque-me por outro, mas que possua mais defeitos que eu. Caso contrário, viverei por um bom tempo aí dentro de cada cômodo do teu corpo. Lembre-se que fui e ainda sou teu anjo. Talvez o pornográfico de Nelson Rodrigues, levando todo o exausto fogo que lhe pertence e que decifrei.

Feche os olhos e me sinta aí dentro. Feche os olhos e me veja te sentindo, te provando, saboreando teu gosto, teu perfume, tuas marcas que tanto desejei. Conceda-me deliciosos prazeres em troca da diária descoberta de si mesma.

Fuja pra bem longe, quem sabe a um ponto onde não te veja e, por fim, respeite-te mesmo sabendo que não era isso que desejávamos.

Veja-me em cada saída tua, em cada nova boca beijada, em cada novo corpo decifrado e descoberto. Veja-me em cada cueca despida para depois sentir que estou aí, intrusamente te devorando quando seus corpos se tocarem. Por fim, veja e me sinta vivo quando ambos exaustos ofegarem o deleite de mais um leite derramado.

Veja-me se arrumando e indo embora. Mais um herói, um anjo que, talvez querendo ficar, passou por você.

Até a minha próxima descoberta onde você vai me procurar no meio de mais uns tantos qualquer. Quaisquer. Todos iguais mas completamente distintos de defeitos. Estes que só eu possuo e os visto. Saindo com eles por aí, sempre.


Devore meus petiscos e minha vida sedentária, enquanto troca socos em treinos pré-próximo-verão.

E, em sua conclusão, lembre-se das tentativas de me esquecer, enquanto na janela de teu quarto meu rosto surge. Enquanto nas paredes de tua sala, as guimbas e cinzas lhe fazem lembrar de nossas únicas manhãs, onde me entupia de sandubas eliminadores de ressaca.

Esqueça-nos se for capaz.

Esqueça dos papos, do sinal amarelo, vermelho e abóbora, das madrugadas encontradas e das idas a teu prazeroso – e de uma indescritível paz - aconchego.

A culpa é tua, fique sabendo. Por querer fugir e se acovardar com medo de mais um medo chegar, trazendo consigo lágrimas. E nessas imaginações todas, fuja enquanto há tempo e medo do novo. De descobrir a novidade e acabar gostando. Deixando teu velho e obsoleto passado passar...

Prazer. Esquecimento frustrado.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Um dia você se acostuma ao décimo terceiro e ao décimo quarto, enquanto engole o décimo quinto sapo. Você se habitua à conta quase sempre positiva, ao fechamento no final do mês, plano de saúde de Enfermaria, previdência privada mínima e bônus de Natal. Um dia você se pega na fila do self service com seu ticket refeição, mugindo, deglutindo um resto de picadinho de segunda e suando, em meio ao barulho de talheres e à conversa desinteressante dividida por outros. Um belo dia, você deixa de comprar livros porque não tem mais tempo para ler, e deixa de ouvir música porque desconcentra suas atividades pouco criativas. Um dia, é preciso jogar fora muito de si, pois falta espaço no armário para travesseiros macios e edredons de 400 fios. Um dia, você mostra os dentes a quem daria as costas, faz serão quando faria arte. Arte. E que arte? Agora assistida e não mais criada, observada e não mais vivida? Um dia, você se torna um espectador patético do que se tornou sua vida. Passa a preencher as horas planejando o óbvio, e ninguém ao menos nota – mas você sabe quando chega a este ponto... Então disfarça, ri, toma mais uma cerveja morna. E não mais arrisca; já não sai sem rumo, não mais se vai. Sem asas, arrasta-se pelos vãos, agarrando-se a acumulações inúteis. Então vem a mediocridade e seu espírito fraqueja. Já não há luz. Mas você se acostuma – à tolerância, à submissão, ao dedo na garganta no final de um dia que nunca, nunca acaba. Não mais poesia, mas a prosa vomitada ácida, incontida. E uma úlcera que não sara. Pois chega este dia, em que você nem se lembra de quem é, de quem foi e do que poderia ter sido, “se...” - este “se” feito de um acaso que sequer existe. Então você já não grita – para que(m)? Chega o momento em que estamos irremediavelmente perdidos. Neste dia, procuro e não lhe reconheço; procura-me, mas não me encontra. Já não somos mais.

KG (18/08/08)
Tirei daqui. Melhor que som bom no ouvido.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Diga o que eu faço, não faça o que digo.

E eu cismo em achar que você ainda continua sendo minha. Ou que és minha.

Sou o maior exemplo de ajudar o próximo nesse quesito, sempre fazendo lembrar e crer que ninguém é de ninguém, que ninguém sabe de nada, ou aconselhando e desejando um relaxamento das coisas, pois elas simplesmente não mudarão ou se afetarão tendo em vista apenas nossos conflitos e atritos internos. Mas não, basta acontecer comigo e faço tudo ao contrário.

Ciúmes babaquinhas e que não levam a lugar algum. Foda-se. Eu gosto da encrenca, do caos, do distúrbio, da doença, da bagunça, da celeuma, do furdûncio. Odeio mundinhos azuis e com smurfs cantando enquanto buscam frutas no pomar. Odeio “bob´s” e seus mundinhos de videogames. A vida é foda e a gente trata de foder mais ela ainda.

A gente já nasce desvirginado. A gente já vem fodendo o mundo, a vida. Sendo mais uma boca pra comer, pra falar e vociferar. Em breve, mais uma cabeça pra pensar, opinar, discordar e causar o caos, a discórdia. Mais um animalzinho nessa vida que já não vale porra nenhuma.

Você nasce sendo ludibriado, enganado, enrolado de que o mundo é verdinho e rosa, os desenhos são a realidade, o Papai Noel existe, o coelhinho da páscoa deixa ovinhos de chocolate e nas férias, vamos todos viajar e ser feliz em algum lugarzinho longe de tudo.

Os desenhos são feitos por indivíduos intoxicados de ácido e LSD, o Papai Noel é cria da Coca-Cola, do consumismo desenfreado – assim como o Dia dos Pais é cria das organizações Globo – o coelhinho da páscoa nem existe mais, foi devorado, currado e estuprado por raposas selvagens que venderam o pêlo do pobre pras lojas de pele européias. O chocolate engorda - entope tuas veias e ai de você não praticar nenhum exercício pra ver se não fica que nem o boneco da Michelin, todo circunferenciado, sendo motivo de chacota - fora o malefício que faz no organismo, abreviando a visita ao capeta sem direito a retorno. As férias provavelmente não terão nada de especial, te fazendo ficar dias em um engarrafamento monstruoso, ouvindo funk e axé no Chevette oriundo de Olaria do lado, sendo roubado a cada R$3,00 pagos em uma garrafa de água e torcendo pro motor não esquentar e estragar tuas sonhadas férias em Jaconé.

Tu passas a vida correndo atrás do pouco, do nada. Tentando se convencer de que a vida vale à pena. Pagando teus carnêzinhos e sendo estupidamente seduzido pelos comerciais de TV, que te fazem lutar como um condenado pra atingir determinado status, enquanto de camarote, as pessoas assistem tua luta, tua corrida, cada inimigo que você vai devorando, degladiando e tentando sobreviver em meio à selva em que vive. De camarote, eles sorriem a cada derrota tua, arrotando prosecco e caviar enquanto cismas em alcançá-los no estilo de vida.

A gente vive se enganando. Arrumando barulho pra gente ouvir. O ser humano não consegue ficar em paz consigo mesmo. Luta o tempo todo pra isso e quando consegue, arruma balbúrdia e quiprocós a torto e direita. Somos imbecis de nós mesmo. Algozes e carrascos de tudo que fazemos, de cada passo que damos e que, provavelmente, reclamaremos um tempo depois, indagando Deus “o que eu fiz??”.


Depois fica lamentando, chorando e sentindo-se no direito de enlouquecer, de passar por cima dos outros, desrespeitando quem nada tem a ver com tuas escolhas. Achando que na “loucura” rebelde, irá encontrar respostas pra tais fugas, mal sabendo que cada vez mais foges do auto conhecimento e da evolução da própria alma.

É! Sou assim, to meio feliz hoje.



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Porra! Foda-se. Eu confio em mim. Sei do que me capacito ou não. Eles não sabem de nada. De porra nenhuma. Acham que seguindo o caminho já feito é a solução que resta.
Mal sabem que no mundo o que mais vemos são caminhos cheios de mato, inabitados, nunca explorados. Até que alguém chega e pensa: Vou passar por aqui!!!! E passa.
E dali, surgem novos caminhos.

Simples porra!!

Que venha.

Quero brincar com a minha responsabilidade. Quero arrumar uma forma de desdenhar todos com essa mania de ser responsável, de ver o bicho pegar e de “correr atrás” pra ser feliz.
É arriscado, mas acredito que seja mais prazeroso enquanto ser humano do que se deixar amarrar e levar por essa forma escrota de se tentar sobreviver. Nem é questão de preguiça, mas sim de vivência, de saber viver, de saber sorrir....e de saber não sucumbir à “dogmas” como esse.

“ Que viveram. Depressa, depressa, demais.... A vida é doce”