terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2000 e Noves fora

Mais um ano que vai e mais um que chega. Com eles, promessas não cumpridas que se foram e, obviamente, novas promessas que também não serão cumpridas. Tens dúvida?


Portanto, na virada do ano não vou prometer nada. Porra nenhuma. Nenhuma promessa. Nononono!! Não me comprometerei em ajudar necessitados em época alguma. Não jurarei amor eterno a ninguém e nem me comportarei como um rapazinho.

Diminuir a bebida? De maneira alguma. Assim como a promessa de parar de fumar vai ficar distante.


Também não haverá promessa de praticar esporte algum. Nenhum deles. Controlar a saúde também não está dentro dos planos deste ano. Um curso pra aperfeiçoar qualquer talento?? Huuuuum...! Em hipótese alguma.


Gastar menos??? Hahaha!! Que em 2009 eu ganhe muito, mas muito mais grana, bufunfa, farpela, magalotes, escalatrúnquios, etc... Só assim posso fumar, beber, continuar endividado nos cartões e gastar muito, muito mais.


Bom trato com os idosos, dar um prumo no trabalho, um rumo em minha vida e um jeito na coluna ficarão, quem sabe, para 2010.


É!! Vai ser assim. Vai que dessa maneira as coisas enfim aconteçam.


Que porra de promessa nenhuma seja sonhada. Que caraleo de garantia alguma me seja dada.
Que venha 2009. Tudo no bom e velho foda-se!!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Medo da chuva.

Na cabeça seguem as lembranças dos teus gestos, carinhos, e de como você desejava que, aí dentro, as coisas fossem diferentes.
Era nítida a tua atitude de querer agradar, estar junto. Eram puros teus gestos que demonstravam de forma clara que você era aquilo, que tua essência era aquela. Ali sim era você.
Pura.
Cristalina.
Com o que tens de melhor.
Mas como toda novidade, que chega trazendo adrenalina, ela também trouxe o medo, o receio. E com ele veio o medo de perder o controle dos sentimentos - esse temor atual que destrói e corrói diversas situações e relações. O medo de sentir-se entregue mesmo sem poder. Ou sem querer – querendo?.


E aí, como a euforia reinava, a procura por defeitos foi uma forma de amenizá-la, contê-la. Com os defeitos, descobriram-se também as diferenças – que sempre existiram e estavam ali – o que fez com que as coisas tivessem a balança como destino.

E como em toda vez em que a balança é convocada, o medo teve peso dobrado, triplicado – isso sem contar, batendo novamente na tecla, de levar em conta o tal medo que toda novidade traz consigo.

E aí, o medo de pisar em solo desconhecido e a adrenalina de deliciosas novidades, misturaram-se com o medo de expor-se em território inimigo.

- Não! Claro que não. É mais fácil manter-se no pilar de concreto do que já se conhece e existe. Mesmo que pra isso, nos privemos de novas emoções, sejam elas boas ou ruins.

E o medo de ousar, arriscar, inovar, mais uma vez saiu vencedor de mais um duelo sentimental entre os cromossomos X e o Y.
E nem o exemplo da primeira novidade agradável fez-se perceber que no “novo” também existe a possibilidade de prazerosas sensações e descobertas.

E assim, zéfiniu-se enquanto no rádio : “O que eu entendo por ser meu, é tudo que eu posso te dar.....”

Síndrome de Piteco.


Não! Não concordo com a afirmação feminista: “Homem é tudo igual!!”.

Na verdade o ideal seria: “Homens são iguais apenas na maneira de caçar suas presas.”

Digo isso porque somos humanos e possuímos instintos selvagens. Sentimos o cheiro do sexo, o cheiro do desejo, exalamos odores, trocamos ânsias compulsivas somente respondendo ao membro cavernoso e de tecido desejável que pulsa logo abaixo.

Ele comanda qualquer Homo Sapiens. É capaz de conduzir e dominar por inteiro a carcaça masculina quando o desejo e a vontade deste gritar, sossegando e descansando somente quando completamente saciado.

Aí sim, ele descansa e devolve ao cérebro o total controle do restante do organismo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Solte-me se for capaz

Pode me procurar em qualquer beco da cidade, em qualquer boca da cidade. Estarei em todas elas. Estarei em cada nova graçinha que você ouvir, em qualquer “coisa” nova que lhe aparecer prometendo felicidade, isso e aquilo.

Pode me procurar nas mordidas novas, nas conversas “ao pé do ouvido” novas, nas promessas novas. Pode me encontrar nas quedas novas, nas decepções novas, nas frustrações novas, todas oriundas de tentativas para me esquecer.


Em qualquer canto escuro do quarto, em qualquer lembrança dolorosa de teus desejos sombrios e dos quais você insistia em não ceder. Pode tentar me enxergar em qualquer boteco da cidade, em qualquer som novo, em qualquer novo.


Pode me encontrar em qualquer confusão interna sua, oscilando na dúvida entre o querer e o aceitar. Entre o decidir-se de imediato e o imediatismo aval – mesmo que inconscientemente.


Pode me encontrar em qualquer momento confuso que te deixe sem saber o que fazer,
que decisão tomar ou pra qual lado se virar.


Eu to aí, bem pertinho de você. Sinto tua respiração enquanto você sente minha presença, me vendo em todo lugar pra qual olhe.


Perceba-me em todos os defeitos alheios. Enxergue-me em todas as situações ruins em que você se deparar. Se arrependa amargamente de todas as ações impensadas das quais você passou a ter – somente – para que eu te deixasse.


Tente dormir enquanto enlouquecidamente seus pensamentos tentam adivinhar onde me encontro.


Tente acordar enquanto teus sonhos te prendem a mim.


Acorde comigo mesmo sabendo que foi tudo um sonho.


Levante e perceba o peso de mais um dia sem minha presença...
Fugindo da gente. Do momento que éramos nós e mais ninguém.


Se puna enquanto a dúvida te deixava covarde, sendo sincera com teus desejos, enquanto fidelizava apenas teus medos.


Se descubra irreconhecível. Enxergue o novo, a certeza de que nada sabe de você, o lado confuso que descobriu aí dentro quando achava que sabia o que era e do que gostava.


Me odeie com ternura e saudade. Me ame – mesmo sem ter desejado – com todos os defeitos. Sinta tesão ao lembrar de todas as nossas madrugadas, quando dividíamos o mesmo luar, o mesmo olhar, o mesmo sonhar, o mesmo lugar.


Se excite em tuas lembranças, em nossos pecados, no desconhecido prazer que nossos desrespeitos nos proporcionaram. Revele-se excitada ao lembrar de nossos corpos juntos, do ser desconhecido e novo que te descobria, te revelava, sem que você desse pistas ou atalhos.
Se contorça de desejos ao lembrar de quando sentia teu gosto, do quanto me deliciava e da sensação deliciosa que sentia ao saber que estava ali pra mim, só pra meus devaneios, só pro meu prazer.


Delire-se a maravilhosa e incontrolável sensação de quando sentia-se desejada, deliciada, consumida, consumada, devorada. Quando você era minha “qualquer uma”...


Ontem, suas fugas eram pra sair comigo. Hoje, suas saídas são para fugir de mim.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Será que a vida é bela?

Porque pessoas não entendem???
Qual a dificuldade?
Cegaram-se?
Recusam-se a isso?
A VIDA É BELA?

Não vou dizer nada pro meu filho, mas acho que uma hora ou outra ele vai acabar sacando que esta vida não é um passeio, que ela não foi projetada pra felicidade, isto é uma criação das propagandas de margarina e Molico.
Antes de nascer o sujeito está nas mãos de gens, enzimas, proteínas e outras inas que se derem uma mancada podem fode-lo pro resto da vida. Depois que vem ao mundo, leva uma porção de picadas pelas pernas, bunda e braço a fim de evitar que bactérias, fungos e vírus o levem antes da hora. Claro, entre um sofrimento e outro há o prazer de nadar no liquido amniótico e as primeiras mamadas.
Depois já crescidinho, vai aprender que seu desejo é o seu algoz. Vai ouvir NÃO o dia todo e quando transgredir o “não” vai se fuder, vai levar choque, queimar o dedo, cair da cadeira, cortar-se, ralar-se, será picado por formigas, abelhas, mordido por cachorro, arranhado por gato, queimado por taturana, é tudo que o espera caso ignore o NÃO. Mas caso ele acate todos os NÃOS, sofrerá se tornando um apático sem desejo e sem porra nenhuma.
Ele vai entrar pra escola e possivelmente terá apelidos, será excluído de alguma turma, será desprezado pela garota mais bonita da escola, irá mal em determinada matéria e ele se achará um idiota por isto, ele ainda não sabe o que é talento, o que é inclinação.
Na adolescência vai ter dificuldades de relacionamento, vai achar que eu sou o pior pai do mundo, vai tentar impor suas idéias ainda que não tenha certeza delas, vai entrar em conflito, vai desejar todas as mulheres do mundo e descobrirá que só existe uma, aquela.
Um dia ele vai se casar, descobrirá o que é a vida adulta num país capitalista: filas de banco, cartões, senhas, documentos, chaves, telefones, recados, agendas, datas... seu dia ficará cada vez mais curto.
Um dia ele ficará velho e aí todas as doenças aparecerão de uma vez, se ele conseguiu chegar até lá ileso, a vida não perdoará, ela vai destruí-lo devagar.
Gostaria que ele descobrisse desde cedo que o que vale a pena mesmo são os intervalos, aqueles momentos em que a vida não tá a fim de te destruir nem de te enlouquecer, são momentos pequenos e espero que ele saiba aproveitar: uma janela aberta, soltar pipa, jogar bolinha, ter amigos, escrever o nome da garota no caderno, fazer poemas secretos, tomar um porre, reencontrar amigos, vento, atirar pedras no lago, despedidas em rodoviárias, grandes mesas de bar repleta de amigos, uma janela aberta... a lista é longa, espero que ele tenha tempo.

Ações Geradas


Nossa idosa geração está perdida
Nossos velhos e idosos andam perdidos
Nosso futuro é mais perdido ainda

Nossos pais já não são mais os mesmos
Nossos filhos nunca serão como nós
Nossos avôs há muito já se foram

A gente se acha esperto mediante a velharada
Os jovens nos acham velhos mediante a esperteza deles
Os velhos nos acham perdidos mediante aos jovens espertos

Ante eles, viemos depois da juventude
Por eles, seremos a próxima geração
Agradecendo sempre aos velhos, responsáveis por tudo isso.

Tópicos tropicais do inverno

Eu odeio declarações de amor. Na verdade não odeio, mas confesso que não reajo bem à palavras que demonstrem o quão importante sou pra alguém.

Seja um conjunto de frases - que remexa todo o emocional e coloque a responsabilidade do futuro de uma possível relação em meu colo - seja uma música, poema, dizeres, homenagens, enfim.

Não gosto. Sinto que a pessoa sofre e, por mais frio que eu seja, acabo sofrendo junto. Talvez mais que a pessoa.
De repente esta seja a explicação da preferência por longos e demorados sumiços, nunca entendidos por terceiros alheios à respeito do próximo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Acorde. A vida passa...


Tenho dó de pessoas que só vivem a se cobrar me fazendo crer que, com o passar do tempo e os projetos e metas não atingidas, a frustração venha em dobro, trazendo o desespero e uma possível dúvida conflitante que possa fazer pensar se, da maneira como a vida foi encarada e levada tão a sério, realmente valeu à pena.


Despedida do espelho.

Hoje é o dia da minha morte. O dia de hoje é a despedida minha desse “lado” de cá.

Sim, hoje é a última vez que marcarei presença e serei visto pelas pessoas. Por pessoas.
Agora são 10:29 e estou indo de metrô para o trabalho. Mais tarde, daqui a algumas horas, estarei com uma bala cravada no peito. Mais precisamente do lado esquerdo do coração, do lado direito para quem me encara de frente.


Parece que foram assaltar um carro e o motorista reagiu. Saraivada de chumbo cuspido pra todos os lados. Confusão total, gritos, mulheres em pânico, homens buscando proteção para esposas e filhos, idosos indo ao chão, correria, tumulto, o exemplo claro de como a sociedade não sabe ser organizada e reagir mediante a um descontrole generalizado.


Eu tava saindo do trabalho. Estressado e cansado. Caminhando normalmente tentando atingir o ápice de um desejoso relaxamento. No ouvido, Chico Buarque cantava que “...Juca ficou desapontado, declarou o delegado...” e isso era uma tentativa para que o processo começasse. Caminhava de forma lenta, tentando acalmar a respiração e não pensar no que ficou pra amanhã, nos percalços extra-dever, nas pendências sentimentais, sociais, físicas.
Foi quando senti uma pontada rápida, indolor, quente, nova, desagradável. Uma sensação inenarrável, algo totalmente sem explicação e sem entendimento. De repente, em segundos senti-me fraco e a visão escureceu. Fui dominado por uma vertigem forte enquanto as forças foram me abandonando, causando o encontro imediato com o solo. Rápido e seco. Mais alguns segundos, talvez milésimos deles, ouvindo a gritaria e o aumento do caos.


Sabe quando mergulhamos na piscina e, lá embaixo, tentamos nos mexer, nos expressar, locomover, brincar, “falar”, enfim, qualquer atitude que, quando temos, ficamos lento, lerdo e pausado?? Essa sensação foi a que tive em seguida. As pessoas tentando se esconder, correr, gritar e tudo que eu enxergava eram desesperos mudos e atitudes slow-motions!! As sensações indo embora, os sentidos diminuindo, o olho pesando, pesando, pesando...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Melodia Matinal

Porque o metrô cisma em tocar ópera ( ou aquele sonzinho lounge, calmo, sereno..) todo dia, e logo pela manhã???


As pessoas estão praticamente como zumbis - basta ver no olhar de cada um – de tanto sono e ainda são obrigadas a escutar sintonia nº X??
Toca a porra de um rock n` roll, um frevo, um maracatu...
Faz barulho porra!!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Era tão menina...

Ela cresceu ouvindo certas coisas
Mas acabou vivendo uma outra história
Enquanto tinha tempo, acreditava
Enquanto acreditava, via o tempo indo embora
Permaneceu meio complicada
Na medida que a vida vinha e atropelava
Carregou todos os seus sonhos como pôde
Até assistir, um por um, desmoronados
Carregou todos os seus sonhos como pôde
Até assistir, um por um, desmoronados
Não vai mais amanhecer
Pelas esquinas o medo sussurra
Não vai mais amanhecer
Entre seringas e guardanapos
Não vai mais amanhecer
Sem dono, ganhou a noite
Sem dono, ganhou a noite
E era tão menina,
E era tão menina,
Era tão menina,
Era tão menina...
Entre um desalento e um suicídio
Ela preferiu o gozo de um pesadelo
Suas lágrimas que nunca brotaram
Inundam sua alma, inundam sua alma
Suas lágrimas que nunca brotaram
Inundam sua alma, inundam sua alma
Ressecam o espírito, paralisam o corpo
Regelam seu rosto, regelam seu rosto
Ressecam o espírito, paralisam o corpo
Regelam seu rosto, regelam seu rosto
Não vai mais amanhecer
Entre algemas e corações abandonados
Não vai mais amanhecer
Sua bandeira virou um alvo
Não vai mais amanhecer
Sem dono, ganhou a noite
Sem dono, ganhou a noite
E era tão menina
E era tão menina
Era tão menina...
Ela era tão menina
tão menina
Ela era tão menina
tão menina
Ela era tão menina
tão menina
tiuh,tiuh,tiuh,tiuh,tiuh,
tiuh,tiuh,tiuh,....

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ê trem bão sô...

Vem, isso. Não nos conhecemos e, por isso mesmo, não temos nada a perder. Nada.

Vem, se esfrega em mim que eu sei que tu ta gostando sua safada.
Finja leitura enquanto desperta quentura.

Isso.

Mais.

Ta sentindo? Não era isso que tu tava querendo??
Isso, se acomoda e me leve pra casa em teus sonhos e desejos. Me carregue contigo em teus pensamentos carentes e a consistência do que tu sentiu, tatuada nesse rabo grande.
Vem..Vem...
Vai..

Tchau hein!

Porque eu acho...


Esmeralda e Valentim.


Vocês vão me perdoar mas hoje acordei sem espírito algum para agir em equipe. Sem ânimo nenhum para dar exemplo, ser legal ou praticar alguma ação de voluntariado. Permitam-me ta? Paes e Gabeira estiveram aí pra isso.

Pronto Já dá, viu?

Não me contive. Tive que deixar o som de “ Que fim levaram todas as flores” me contagiar e fazer meu papel para “voltar no tempo, onde todos eram gentis e cordiais”.

Sem saco pra ler ou tentar passar uma imagem blasé de intelectual. Não sei conviver com ela, definitivamente não. Sendo assim, só me resta viver a deus-dará, sem a menor preocupação do que irão ver quando alguém bater os olhos em mim. Tendo em vista da Georgette, esta velha a minha frente. Safada de uma figa. Fica me zoando enquanto deseja que seu neto recém-universitário-refém-sistematizado não seja nem de longe parecido comigo.
Aquele maconheiro pilantra...




E na cabeça, lembranças dela.

Deles.

Que teimam em me visitar sempre nas madrugadas de sono. Me atentando, tirando minha paz, meu repouso, meu sossego, enquanto presenteiam-me com lembranças deliciosas, porém, terríveis pro momento.


Conflitos no escuro se potencializam ainda mais. O travesseiro berra desdém pro nosso sofrimento. Ele escarra em nossas lágrimas, absorvendo derrotas e consentimentos de que tudo poderia ser diferente. Ri da desgraça do próprio dono. Você ali, cara a cara com teus monstros, tendo que enfrentá-los, encará-los, domá-los no exato momento que o que mais se deseja é pegar no sono.

Ex-pedida!

Sim. Tua felicidade me incomodou.

Não que desejasse você chorando, sofrendo, nada disso. Fiquei bem em vê-la bem. Minha mágoa é muito mais pessoal, singular, egoísta, “ eu com eu”...
Não queria você mal, apenas teus sorrisos me incomodaram, admito.

Você acha que não, mas sou homem o suficiente pra assumir uma porrada de coisas que os tais e ditos homens por aí não fariam. Há tempos já aprendi a me desarmar, é tudo em vão mesmo.


Queria apenas ter o teu poder de reação. Ter algo bem próximo do teu poder de regeneração, tua habilidade em virar a página, em olhar pra cima e pro lado e simplesmente lamentar tudo, lamentar “ mais uma bola na trave”, “ mais uma relação mal-sucedida”. Talvez a terceira, talvez a quarta, vá saber. Queria poder reagir como você.

Eu não. Eu ainda me sinto um quadrúpede, mãos e patas no chão juntando os cacos, tentando encontrar o ponto onde tudo se partira, onde tudo começou a ruir. Talvez na vã esperança de diagnosticar as primeiras rachaduras. Afinal de contas, também tenho que adquirir experiência pro próximo round, não?

Pra um dia chegar bem próximo de tua sabedoria, paz e calma-que-muito-me-encantara. E poder oferecer à alguém suporte e segurança, mesmo que psicologicamente.

Tua alegria me incomodou, me remoeu, me repartiu.
Foi aí que resolvi partir, tendo como companhia apenas os ecos dos becos.

Mas vai passar. Vai sim.

Nunca mais? Não, nunca mais.

Nunca mais homem-aranha? Nunca mais tio Dânio? Nunca mais pikurrucha? Nunca mais Domingo à noite?
Nunca mais....

Noite totalmente em claro. Poucas horas de sono. Talvez poucos minutos e o restante do escasso tempo acompanhado apenas do descaso e do dia que tardava a amanhecer.
Pensamentos demais, sono de menos. A dúvida talvez seja a única certeza, assim como a saudades. Essa sim, latente, viva e forte. Não me recordo de uma noite tão mal-dormida assim pelo excesso de pensamentos dolorosos.


Enquanto isso, sigo olhando prédios e janelas de quem não conheço, talvez invejando, desejando, sonhando e, de repente, querendo apenas por momentos trocar de lugar com aquela luz acesa de mais um sonâmbulo social. Até que esse furdûncio todo passe e traga de volta meu caos, MEU caos, meus desafogos, devaneios, minhas pirraças, meus defeitos, manias e mentiras.
Todas minhas. Só minhas.

Efeito defeito

Madrugada em claro. Mais uma. Nem remédio mais faz efeito. Pessoas desconhecidas descobrindo meus defeitos. Pessoas conhecidas enfatizando, ressaltando e evidenciando o que já conheço.
Estas porras vão acabar me colocando em dúvida, caraleo. Eu não quero saber dos meus defeitos. Eles são meus e eu já conheço porra.
As virtudes e qualidades de nada adiantam pelo visto.
Experimente teus defeitos. Os teus. Deixe os meus em paz. Os meus eu já conheço, bando de jocosos.
Plena certeza de que vou me arrepender de estar tendo atitudes assim. Isso sim é uma virtude. Reconhecer, admitir que possuo defeitos dos quais insisto em tê-los.
Isso ninguém reconhece???
Ô povinho feio!!

Quem seria você?



Cristina: O impulso, a experimentação e a aventura. O amor não existe sem sofrimento e sem abnegação. Mas a alma inquieta a faz querer sempre mais de si e dos outros (uma eterna novidade). Vida sentimental é um infinito caos e estar nele dá prazer. Mas cansa como um brinquedo gasto pelo uso. Busca eterna pela inspiração, por um amor imprevisível e pelo ideal de amor-paixão. Uma mulher de fases e intensa.

Maria Elena: Explosiva, violenta, neurótica. Sensualidade à flor da pele. O amor só é possível se for do jeito que ela definiu. Posessiva, criativa, tempestuosa e intempestiva. Apesar de ameaçador, a paixão-amorosa é irresistível.


Vicky: O amor seguro é o caminho que conhece e a escolha amorosa é resignada, fruto do comodismo. Sensatez é a virtude que escolheu. Culta, civilizada, recatada, contida. Convencional por covardia.
Pode escolher as três.
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Tirei daqui

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Alimente-me

Alimente-me com todas as suas desesperadas fugas, com sua frieza e descaso;

Alimente-me com sua pseudo-certeza de que tudo conhece, com essa certeza de que sabe apenas o que não sabe;

Alimente-me com suas indecisões frente ao espelho,

Alimente-me com sua pose sólida gelatinosa, tropeçando em pensamentos perdidos que teimam em habitar-te;

Alimente-me com sua experiência vã;

Alimente-me com seus fracassos passados, sem saber que lá na frente me encontrará diversas vezes, optando mais uma vez em fugir, se enganando como adolescente apaixonado;

Alimente-me com essa estúpida decisão argumentada em seu futuro, mesmo sabendo que ninguém nunca o entenderá;

Alimente-me com esse esquecimento recente de que tudo ocorreu e com essa tola impressão da decisão certa tomada;

Alimente-me com suas futuras companhias vazias, mesmo que na consciência escura de seu quarto, saiba que elas nada te acrescentarão assim como eu, diferenciando-se pelo sentimento e amor que um dia teve e daqui partiu;

Alimente-me com tua culpa por ser assim, com tuas fugas químicas onde o mundo se transforma em escuridão e não dá margem nem espaço pra sonhos;

Alimente-me até o dia em que sentir fome, sede, vontade e não enxergar ninguém que te sacie e alimente;

Alimente-me até o dia em que cair exausta, cansada e desistir de procurar por um encaixe perfeito, até o dia em que perceber os defeitos alheios como os meus e ter a opção de prosseguir ou não;

Alimente-me com tua praticidade corporativa LTDA, enquanto queria apenas caminhar de mãos dadas nos jardins da vida;

Alimente-me com teus espaços culturais, com suas atitudes geekianas, enquanto desejava apenas ler em sua companhia;

Alimente-me até o dia em que perder as esperanças e projetar tudo que sempre foi sonhado por ambos, apenas em teus futuros projetos humanos e lembrar de tudo que sempre lhe foi ofertado, nas mudanças que outrora aconteceram e descobrir tardiamente a decisão tomada;

Alimente-me com tua maturidade enquanto, como uma criança desorientada, vou tropeçando, caindo e sangrando a cada lembrança da gente;

"...Saudade do tipo que corta, do tipo que machuca, do tipo que é até gostosa de lembrar só pra doer mais um pouquinho...e daí quando a gente enfia mais a faca e dói de verdade, a gente chora pra não sangrar... "
Sensacional. Tirei daqui ó!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quem evita a dúvida também tem



Lili e Lelé eram super amigas. Andavam juntas pra lá e pra cá e tinham, além da amizade, a identificação com algumas coisas, entre elas, a paixão por pizzas de framboesa.
Elas viviam se divertindo, saindo, tomando cervejinhas, conhecendo pessoas. Às vezes até rolava uma briga mas nada que prejudicasse uma amizade tão forte, afinal de contas, ambas já tinham namorado, brigado, se estressado e passado por situações parecidíssimas.

Um belo dia, Lelé se interessou por um curso de Engenharia Nuclear, o que tiraria dela algumas horas do dia, desviando a atenção que era apenas focada nas diversões com Lili.
E lá se foi Lelé pro tal curso. Aprendeu, ensinou, sorriu, chorou, sofreu, se alegrou, etc, etc, etc.
Lili reclamava da amiga, dizia que o curso não a levaria pra lugar nenhum, dizendo que ela era uma boba, uma tola, uma otária. Que seria mais um curso pro currículo da Lelé e que isso não era sinal de amizade, afinal de contas, com quem ela iria sair, se divertir e pôr em prática todas as suas loucuras??
Lelé tentou explicar que se identificava com o curso e que gostaria de tentar. Lili achava aquilo banal e sem fundamento.

- Pra quê curso? Vamos sair, se divertir, cometer nossas loucuras e virar as madrugadas...vamos viver. Concluía.

Lelé se defendia dizendo que o curso talvez teria alguma importância em sua vida, etc, etc, etc. mas nada que convencesse Lili a mudar de opinião, já que a sua amiga Lelé sempre fora lenta, lesada, retardada e que não conseguia pescar as coisas, apesar de possuir uma inteligência acima da média.

Resumindo: Lelé terminou o curso e voltaram a sair como antes. Lelé aprendeu e ensinou e agora já está de olho no próximo curso a ser investido.

E assim a vida de ambas segue, até a próxima desavença, sumiço ou investimento alheio, recheado de desventuras e desafogos e mágoas pra lá de trocadas que colocará em dúvida possível afinidade íntima de cada uma.

O reino de Fugópolis nunca esteve tão feliz...
"Deste modo ou daquele modo,
Conforme calha ou não calha,
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas, (...)


Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser EU..."

Ali jaz, lá paz


Fulano em um canto, fulana em outra;
Projetos em um canto, projéteis em outro;
Doces sonhos em um canto e cantos amargos em outros sonhos;
A certeza em um canto e a certeza em outra;
A fuga lá e o fardo acolá;
A tristeza disfarçada de alegria ali e a alegria se entristecendo lá;
A sábia decisão tomada lá e sábio gesto digerido ali;
Falhas ali, erros lá;
Futuro lá, passado ali;
Segredos ali, desejos lá,
Página virada ali, caderno fechado lá;
Silêncio consentido ali, balbúrdia disfarçada lá;
Passinhos pra lá, bundinha pra cá,
Disfarçes ali, disfarçes lá,
A noite caindo ali, a noite caindo lá...